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Estudo associa CBD à redução de sintomas de ansiedade

Estudo clínico da UFPB avaliou doses de CBD entre 50 mg e 200 mg e registrou queda na intensidade dos sintomas de ansiedade

O uso de um medicamento à base de Cannabis rico em canabidiol (CBD) foi relacionado a uma redução significativa dos sintomas de ansiedade em um estudo clínico realizado por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A pesquisa acompanhou inicialmente 65 adultos durante oito semanas. Nesse período, os participantes receberam doses orais aumentadas gradualmente. O tratamento começou com 50 mg de CBD por dia e podia chegar a 200 mg diários, de acordo com a tolerância de cada pessoa.

Ao final do tratamento, a pontuação média dos participantes em uma escala de intensidade da ansiedade caiu de 35 para 12 pontos. A proporção de pessoas classificadas com ansiedade grave também diminuiu de 74% para 21%.

Ansiedade e o impacto na saúde e na vida profissional

Os transtornos de ansiedade podem afetar a qualidade de vida e causar impactos econômicos e sociais.

Apenas em 2025, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 500 mil afastamentos do trabalho por questões relacionadas à saúde mental. Desse total, mais de 150 mil afastamentos foram associados diretamente à ansiedade.

O CBD, um dos compostos da Cannabis, vem sendo estudado por seu possível efeito sobre sistemas envolvidos na regulação da ansiedade e da resposta ao estresse.

De acordo com o estudo da UFPB, o canabidiol pode atuar sobre os sistemas endocanabinoide e serotoninérgico, Esses sistemas estão envolvidos em diferentes funções do organismo e na regulação de respostas emocionais.

Doses ajustadas à tolerância de cada paciente

O estudo foi um ensaio clínico prospectivo de braço único. Antes do início do tratamento e depois das oito semanas, os participantes passaram por uma consulta médica e responderam ao Inventário de Ansiedade de Beck, conhecido pela sigla em inglês BAI.

O tratamento começou com 50 mg por dia. A cada duas semanas, a dose podia aumentar em mais 50 mg, até o limite de 200 mg diários.

Quando o participante não conseguia tolerar um novo aumento, permanecia com a maior dose que havia conseguido utilizar.

Entre os participantes que permaneceram até o final do estudo, 26 chegaram à dose de 200 mg por dia. Outros dez terminaram com 150 mg; sete com 100 mg; e oito com 50 mg.

Queda nos sintomas em diferentes doses

A pontuação média no BAI caiu de 35 pontos antes do tratamento para 12 ao final das oito semanas, uma redução de 23 pontos.

Essa redução também foi observada entre participantes que não chegaram à dose máxima de 200 mg por dia. Isso sugere que a resposta ao tratamento não dependeu apenas de alcançar a maior dose prevista no protocolo.

Além disso, os participantes que utilizavam medicamentos convencionais para ansiedade ao mesmo tempo que o CBD durante o estudo apresentaram uma redução média maior, de 27 pontos.

Efeitos adversos e reação ao tratamento

Dos 65 participantes inicialmente inscritos, 14 não concluíram o acompanhamento. Seis interromperam o tratamento por intolerância, enquanto oito deixaram de participar.

Os efeitos adversos mais relatados foram:

  • • náuseas, registradas por sete participantes;
  • • sonolência, relatada por seis;
  • • diarreia, por quatro;
  • • desconforto gastrointestinal leve, por três;
  • • tontura, por dois.

Esses dados mostram que a tolerância ao tratamento varia de pessoa para pessoa. Também reforçam que o acompanhamento da resposta individual é essencial durante o tratamento.

O que ainda falta esclarecer

Os autores afirmam que estudos maiores e controlados são necessários para confirmar os resultados e aperfeiçoar os protocolos.

Novos ensaios com grupo placebo poderão esclarecer se a melhora observada está diretamente relacionada ao produto à base de CBD. Também poderão ajudar a identificar quais pacientes apresentam maior possibilidade de responder ao tratamento e quais doses são mais bem toleradas.

Além disso, poderão avaliar a segurança da abordagem no longo prazo.

A estratégia adotada no estudo se aproxima mais da forma como os tratamentos com canabinoides funcionam na prática clínica. O aumento gradual das doses e o ajuste individual de acordo com a tolerância dos pacientes permitem uma análise mais ampla do que a realizada em pesquisas que administram apenas uma dose fixa para todos os participantes.

Fonte: Cannabis & Saúde
Foto: Pexels / Tima Miroshnichenko

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