Economia

Cerca de 1 em cada 3 trabalhadores diz que suas “entregas” profissionais passam despercebidas pela liderança; especialista comenta

Pesquisa global da Workhuman revela que 36% dos trabalhadores sentem que suas entregas passam despercebidas pelos gestores e apontam o desafio de tornar resultados e contribuições mais visíveis no ambiente profissiona

Profissionais que entregam bons resultados, cumprem metas e contribuem para a rotina das empresas nem sempre conseguem transformar esse desempenho em reconhecimento. Segundo o relatório “Barômetro Humanos no Trabalho 2026”, da Workhuman, aproximadamente 36% dos trabalhadores afirmam que suas entregas frequentemente passam despercebidas, revelando novos desafios para os gestores.

O cenário chama atenção para uma questão cada vez mais presente nas relações profissionais: ser competente não significa, necessariamente, ser reconhecido como competente. Em ambientes marcados por equipes enxutas, múltiplas demandas e lideranças com pouco tempo para acompanhar cada atividade, os resultados podem acabar despercebidos na rotina.

De acordo com o relações-públicas e estrategista em comunicação organizacional, Rodrigo Almeida, o posicionamento profissional não deve ser confundido com autopromoção. Segundo ele, comunicar o próprio trabalho é também uma forma de facilitar a leitura que a liderança faz sobre a contribuição de cada integrante da equipe.

“Existe uma diferença importante entre competência e percepção de competência. O profissional pode ser tecnicamente excelente, resolver problemas complexos e entregar resultados consistentes, mas, se essas contribuições não chegam à liderança com nitidez, existe um ruído de informação dentro da própria organização. Quem está executando conhece profundamente os pormenores, as decisões e os impactos daquele trabalho; quem lidera enxerga o todo e os desafios estratégicos frente aos clientes. É justamente nesse espaço que a comunicação profissional se torna estratégica”, explica.

A dificuldade pode ser ainda maior para profissionais que acreditam que um trabalho bem executado será naturalmente reconhecido. O problema é que, em organizações complexas, a liderança nem sempre acompanha todas as etapas de uma entrega. Uma tarefa pode ser concluída com excelência sem que seu impacto seja imediatamente associado ao profissional responsável por ela.

O estudo da Workhuman reforça a importância dessa visibilidade. Entre os colaboradores, cerca de 70% afirmam que o reconhecimento recebido ajuda outras pessoas a compreenderem melhor as habilidades e contribuições. Na avaliação de Rodrigo, existe uma diferença importante entre buscar reconhecimento e tornar o trabalho compreensível.

“Há um equívoco quando se coloca posicionamento profissional e autopromoção como se fossem a mesma coisa. Autopromoção está muito mais relacionada à necessidade de chamar atenção para si; posicionamento é dar significado ao que você entrega. Quando um profissional apresenta uma solução, explica qual problema existia, quais decisões tomou e que resultado foi alcançado, ele não está se vendendo. Está oferecendo à liderança as informações necessárias para que aquele trabalho seja corretamente avaliado”, afirma o especialista.

A comunicação também pode ser incorporada à rotina sem exigir uma exposição constante. Atualizações periódicas, apresentações objetivas, registros de resultados e conversas individuais com gestores são algumas formas de criar esse contexto. Para o profissional, a estratégia pode ajudar não apenas no reconhecimento de uma entrega específica, mas na construção de uma percepção mais consistente acerca das suas competências.

“Visibilidade profissional não deveria significar ocupar mais espaço do que os outros, e sim reduzir a distância entre o que você entrega e o que a organização consegue perceber. Quando essa distância é muito grande, o profissional pode passar anos acumulando competência sem construir reconhecimento proporcional a ela. E isso tem consequências não apenas para a carreira individual, mas também para a própria empresa, que corre o risco de não identificar talentos, não aproveitar competências e tomar decisões de desenvolvimento com base em uma percepção incompleta”, conclui.

Fonte: Criativus PR
Foto: Divlugação

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