Criptomoeda apresenta recuperação pontual nesta sexta-feira , enquanto inflação nos Estados Unidos, juros elevados e saída de recursos de fundos negociados em bolsa mantêm investidores cautelosos
O Bitcoin voltou a ser negociado acima de US$ 82 mil nesta sexta-feira (16), recuperando parte das perdas registradas nos últimos pregões. Apesar da reação, a principal criptomoeda do mercado permanece sob pressão e caminha para a segunda semana consecutiva de desvalorização, em meio às incertezas sobre a economia dos Estados Unidos.
De acordo com informações publicadas pelo Investing.com, com base em dados da Reuters, o Bitcoin chegou a subir 1,9%, alcançando US$ 82.130,10 nas primeiras horas da manhã, no horário de referência da reportagem. A recuperação ocorreu após a moeda digital ter caído abaixo de US$ 80 mil no pregão anterior.
O movimento positivo foi acompanhado por uma redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e pela queda dos preços do petróleo, fatores que favoreceram temporariamente ativos considerados de maior risco.
Inflação e juros influenciam o mercado
Um dos principais fatores de pressão sobre o Bitcoin é a perspectiva para os juros nos Estados Unidos. Dados de inflação acima do esperado aumentaram as preocupações de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa manter uma política monetária restritiva ou voltar a elevar as taxas de juros.
Quando os juros permanecem elevados, investimentos considerados mais seguros podem se tornar relativamente mais atraentes. Ao mesmo tempo, ativos sujeitos a grandes oscilações, como as criptomoedas, podem enfrentar menor demanda.
A inflação norte-americana também influencia as expectativas sobre o dólar, os títulos públicos e o comportamento dos investidores internacionais. Por isso, indicadores econômicos dos Estados Unidos costumam provocar movimentos expressivos no mercado de ativos digitais.
Saída de recursos de fundos aumenta a cautela
Outro fator acompanhado pelos investidores é o fluxo financeiro dos fundos negociados em bolsa (ETFs) vinculados ao preço à vista do Bitcoin nos Estados Unidos.
Segundo o levantamento citado pelo Investing.com, esses fundos registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 146,2 milhões ao longo da semana até o momento da publicação da reportagem. O dado sinaliza redução da exposição de parte dos investidores institucionais, embora não represente, isoladamente, uma tendência definitiva para o mercado.
As oscilações das ações de tecnologia e de empresas ligadas à inteligência artificial também contribuíram para o ambiente de cautela. Quando investidores reduzem a exposição a ativos de risco em diferentes mercados, as criptomoedas podem ser afetadas pelo mesmo movimento.
O que observar nos próximos dias
A trajetória do Bitcoin dependerá, entre outros fatores, dos próximos indicadores econômicos norte-americanos, das expectativas para os juros, do comportamento dos fundos de investimento e da disposição dos investidores para assumir riscos.
A recuperação acima de US$ 82 mil representa um movimento positivo no curto prazo, mas não confirma, por si só, uma reversão da tendência recente de queda. A cotação pode continuar apresentando oscilações significativas.
Para os investidores brasileiros, também é importante considerar a variação do dólar em relação ao real. Mesmo quando o preço internacional do Bitcoin permanece estável, mudanças cambiais podem alterar seu valor em reais.
Especialistas recomendam que decisões envolvendo criptomoedas considerem o perfil de risco, o horizonte de investimento e a possibilidade de perdas. O mercado funciona continuamente, inclusive aos fins de semana, e não oferece garantia de rentabilidade.
