Novos modelos de IA desenvolvidos para o português e orientações do governo sobre o uso da tecnologia reforçam a discussão sobre oportunidades, privacidade e proteção de dados.
A inteligência artificial continua ampliando sua presença no cotidiano dos brasileiros, desde ferramentas de pesquisa e produção de conteúdo até aplicações empresariais e serviços digitais. Nesse cenário, iniciativas nacionais voltadas ao desenvolvimento de modelos de IA e novas orientações sobre segurança digital colocam em evidência tanto o potencial da tecnologia quanto os desafios de seu uso responsável.
Em 28 de outubro, a Universidade Federal de Goiás (UFG) apresentou o CEIA Lumi, modelo de inteligência artificial em português disponibilizado em formato aberto para adaptação por empresas. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de desenvolvimento de aplicações próprias, inclusive em estruturas tecnológicas controladas pelas organizações.
A disponibilidade de modelos que podem ser adaptados oferece uma alternativa para empresas interessadas em desenvolver soluções específicas para suas atividades. A adoção, entretanto, depende de fatores como capacidade técnica, infraestrutura computacional, custos de operação e mecanismos de segurança.
Inteligência artificial exige atenção à privacidade
O avanço dessas ferramentas também aumenta a importância da proteção de informações pessoais. Dados inseridos em sistemas de inteligência artificial podem envolver informações profissionais, documentos, dados de clientes e outros conteúdos que exigem cuidados especiais.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) acompanha iniciativas de desenvolvimento e testes de soluções baseadas em inteligência artificial. Em outubro, a agência divulgou novos resultados de seu projeto-piloto de avaliação de tecnologias de IA e proteção de dados, realizado em ambiente experimental e supervisionado.
O trabalho envolve soluções destinadas a diferentes setores, incluindo finanças, mobilidade e saúde. A iniciativa busca avaliar aplicações tecnológicas considerando também aspectos relacionados à proteção de dados pessoais.
Governo publica orientações para crianças e adolescentes
Outro ponto de atenção é o uso da inteligência artificial por crianças e adolescentes. Em outubro, os ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Direitos Humanos e da Cidadania disponibilizaram um guia com recomendações para o uso seguro dessas ferramentas.
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, citada pelo Ministério da Justiça, 65% das crianças e adolescentes brasileiros que utilizam a internet já haviam usado inteligência artificial generativa.
O guia aborda diferentes formas de utilização da tecnologia, como ferramentas de criação de textos e imagens, sistemas de recomendação, brinquedos conectados e aplicativos que simulam conversas e vínculos pessoais.
Entre os riscos destacados estão a exposição indevida de informações pessoais, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados, os chamados deepfakes e os possíveis impactos emocionais associados ao uso dessas plataformas.
O documento também reúne recomendações destinadas a familiares, educadores e aos próprios jovens, com orientações para reconhecer riscos e utilizar os recursos digitais de maneira responsável.
Oportunidades e desafios para empresas
No setor empresarial, a inteligência artificial pode auxiliar na análise de informações, no atendimento ao público, na automatização de tarefas e no desenvolvimento de novos serviços. Modelos adaptáveis também podem permitir que organizações criem soluções ajustadas às suas necessidades específicas.
Essas possibilidades, porém, não eliminam a necessidade de supervisão humana. Sistemas automatizados podem produzir informações incorretas, apresentar limitações técnicas ou reproduzir distorções presentes nos dados utilizados durante seu desenvolvimento.
Por isso, especialistas em tecnologia recomendam avaliar a confiabilidade das respostas, proteger informações confidenciais e manter procedimentos de revisão quando a ferramenta for utilizada em atividades relevantes.
O avanço da inteligência artificial no Brasil passa, assim, por uma combinação de inovação, qualificação profissional, infraestrutura e proteção dos usuários. O desafio é ampliar o acesso aos benefícios da tecnologia sem deixar de considerar os riscos relacionados à privacidade, à segurança e à qualidade das informações.
Foto: Pexels / Markus Spiske
