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Estudo reforça uso de CBD isolado no tratamento da esclerose tuberosa

Além de conter as convulsões, CBD isolado reduziu irritabilidade, hiperatividade e insônia em estudo sobre esclerose tuberosa

Durante a reunião anual da Sociedade Americana de Epilepsia (AES), realizada entre 6 e 10 de dezembro, pesquisadores apresentaram novos dados sobre o uso de medicamentos com canabidiol (CBD) isolado no tratamento de transtornos neuropsiquiátricos em pessoas com epilepsias graves, especialmente o complexo da esclerose tuberosa.

No encontro da AES, foram divulgados resultados dos três primeiros meses de um estudo clínico, que avalia o uso de CBD isolado em pacientes com esse tipo de epilepsia.

Melhorias nos sintomas comportamentais

Os resultados iniciais mostraram melhorias nos sintomas comportamentais após o uso do Epidiolex, um medicamento de uso oral contendo CBD isolado e aprovado pela FDA (órgão que regulamenta medicamentos nos EUA) para o tratamento de formas graves de epilepsia, como a síndrome de Dravet, Lennox-Gastaut e a esclerose tuberosa.

Além disso, pesquisas com cuidadores e enfermeiros que atendem pacientes em instituições de longa permanência mostraram benefícios em condições neuropsiquiátricas, como sono, comunicação e habilidades cognitivas.

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CBD isolado: um complemento terapêutico para pessoas com esclerose tuberosa

Nas pessoas com o complexo da esclerose tuberosa, há um crescimento anormal de células em diversos órgãos do corpo. Essa proliferação desordenada de células resulta na formação de tumores benignos que podem afetar o cérebro, rins, pulmões, olhos e pele. Embora esses tumores não sejam cancerígenos, podem causar problemas de saúde, como epilepsia, atraso no desenvolvimento, arritmia, cistos e manchas na pele.

Atualmente, o CBD é um complemento ao tratamento convencional para essa condição, atuando no controle as convulsões. No entanto, o novo estudo está explorando os efeitos desse composto da Cannabis para tratar também os problemas comportamentais e neuropsiquiátricos desses pacientes.

O estudo em andamento, chamado EpiCom, inclui 24 participantes com idades entre 5 e 42 anos. No início das análises, muitos dos participantes apresentavam alterações de humor e explosões de agressividade. Eles receberam uma dose ajustável com base na resposta e tolerabilidade, chegando a no máximo 25 mg/kg.

Redução na irritabilidade, hiperatividade e insônia

O estudo terá a duração total de 6 meses e após cerca de 3 meses de tratamento com o CBD isolado, os resultados mostraram uma redução considerável na gravidade dos problemas comportamentais da esclerose tuberosa, especialmente em questões relacionadas a irritabilidade e hiperatividade. Tanto cuidadores quanto médicos relataram melhorias importantes em comparação ao início do estudo.

Alguns eventos adversos foram registrados, sendo os mais comuns perda do apetite, vômitos e diarreia, com quatro participantes interrompendo o tratamento. Apesar disso, o perfil de segurança foi consistente.

Estes resultados preliminares sugerem o CBD isolado como um complemento para os tratamentos convencionais que podem aliviar problemas comportamentais associados à esclerose tuberosa. Com a continuidade do EpiCom, esperamos novas evidências para consolidar ainda mais o uso desse tipo de medicamento para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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Médicos, enfermeiros e cuidadores também beneficiados

Além disso, no estudo, os pesquisadores também destacaram os benefícios do tratamento com CBD isolado para os cuidadores e profissionais da saúde que convivem com os pacientes com esclerose tuberosa.

“De 55 cuidadores que concluíram a pesquisa, 89% planejavam continuar o tratamento com Epidiolex para seu ente querido. Os motivos declarados mais importantes incluíram benefícios convulsivos e não convulsivos, como redução da frequência e gravidade/duração das convulsões, bem como melhorias relacionadas à cognição e linguagem/comunicação.

Entre 102 enfermeiros pesquisados, 85% relataram uma redução na frequência geral de qualquer tipo de convulsão após o início, com 49% relatando uma redução maior que 50%. Melhorias também foram observadas em diferentes subtipos de convulsão, bem como em resultados não convulsivos, com enfermeiros relatando melhorias no funcionamento emocional, sono, habilidades cognitivas, capacidade de comunicação e funcionamento físico.

Uma pesquisa transversal com cuidadores, demonstrou a necessidade reduzida dos cuidadores de suporte adicional para os cuidados físicos, emocionais e comportamentais de seus dependentes após o início e caracterizaram melhorias no bem-estar de seus dependentes, bem como nas experiências dos cuidadores.”

Fonte: Cannabis e Saúde
Foto: Pexels

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