A Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançou na 5ª feira (7/8) o relatório “Petróleo na Margem Equatorial Brasileira”. O documento foi organizado por um grupo de 12 especialistas, coordenados pelo vice-presidente da entidade, Jailson Bittencourt de Andrade.
O relatório não defende nem se opõe à exploração de combustíveis fósseis na região. Mas afirma que qualquer decisão deve estar amparada por ciência, transparência e salvaguardas ambientais, informa ((o))eco.
A ABC pede mais estudos técnicos – algo que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) há tempos faz reivindicando a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS). E propõe a adoção de medidas para mitigar emissões e proteger manguezais, caso a exploração vá adiante, informa a Folha.
“Não estamos defendendo a exploração na Margem Equatorial, o que estamos fazendo é mostrar o que pode acontecer numa eventual exploração”, disse Andrade. Explicação reforçada pela presidente da ABC, Helena Bonciani Nader: “Estamos trazendo o olhar científico para que o governo e a sociedade tenham embasamento antes de tomar qualquer decisão”.
Para a Academia, a decisão de abrir uma nova fronteira exploratória de petróleo e gás no Brasil não pode ser tomada isoladamente, “dissociada da ampla agenda global de enfrentamento das mudanças climáticas”. Ou seja, o planejamento governamental deve considerar as metas climáticas do país e o impacto da queima dos combustíveis fósseis eventualmente explorados na região sobre essas metas.
Embora a ABC não admita publicamente, a ressalva sobre impactos climáticos implica inviabilidade da exploração. Algo confirmado pelo estudo de Shigueo Watanabe Jr., físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do ClimaInfo, sobre as emissões das bacias de petróleo e gás localizadas na Amazônia, das quais três – Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas – estão na Margem Equatorial.
O Globo e Poder 360 noticiaram o estudo da ABC, embora dando ênfase não às ressalvas ambientais e climáticas da associação, mas à viabilidade técnica da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial mencionada pela entidade.
