Câmara Municipal de SalvadorDiversidadeInclusão SocialPolíticaPovos Negros

Audiência na Câmara debate saúde da população negra em Salvador

Atividade destacou os impactos do racismo, desafios históricos e a urgência de políticas públicas eficazes para garantir cuidado integral e de qualidade

A saúde da população negra em Salvador nos últimos 20 anos foi tema de audiência pública da Comissão de Reparação, na manhã de quarta-feira (20), no auditório do Bahia Center da Câmara. O encontro foi conduzido pelo vereador Sílvio Humberto (PSB) e contou com a presença da presidente do colegiado, vereadora Marta Rodrigues (PT). Especialistas e representantes da sociedade civil participaram do evento que destacou os principais desafios e a necessidade urgente de políticas públicas eficazes.

A doutora em saúde pública Maria Inês Barbosa fez um apanhado histórico da luta do movimento negro, ressaltando o impacto do racismo na vida das pessoas negras e a importância de políticas sociais robustas. “Não é possível implementar uma saúde sem racismo sem que pessoas negras estejam numa instância de poder com a capacidade de transversalizar”, afirmou, defendendo a ampliação do debate na Câmara Municipal.

O sanitarista e antropólogo Altair Lira lembrou que, embora a política municipal de saúde da população negra tenha sido consolidada com o Estatuto da Igualdade Racial, em 2010, ainda é tratada como novidade. Ressaltou, ainda, que já em 1996 o movimento negro apontava a relação direta entre saúde da população negra, condições socioeconômicas e pressão social, refletida em indicadores preocupantes de desnutrição infantil, aborto, alcoolismo e doenças sexualmente transmissíveis.

A diretora-geral da Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (Abadfal), Naianne Dias, destacou a complexidade da vida desses pacientes, que não podem ser reduzidos a um diagnóstico. Nesse contexto, a paciente Cândida, portadora da doença falciforme, questionou a ausência de dados sobre a longevidade de pessoas com a enfermidade. “Os profissionais de saúde já não estão preparados para nos atender na fase adulta, então é preciso pensar caminhos para que indivíduos, enquanto pessoas negras com doença falciforme, cheguem à velhice”, afirmou.

Ao encerrar a audiência, o vereador Sílvio Humberto destacou a necessidade de o poder público municipal investir na formação de profissionais e em financiamento, por meio do Plano Plurianual (PPA), além de garantir constantemente uma “escuta qualificada” das demandas da comunidade. O debate reforçou a urgência de uma abordagem sistêmica e antirracista na saúde, assegurando à população negra acesso a um cuidado integral e de qualidade.

Participaram da mesa e da atividade legislativa representantes da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), do Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN), da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde na Bahia, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Estadual de Assessoramento à Pessoa com Doença Falciforme, entre outros.

Fonte: Ascom CMS
Foto: Reginaldo Ipê

Related posts

Em Brasília, Bruno Reis participa de audiências sobre reforma tributária, medidas para modernização do Estado e PEC 66

Fulvio Bahia

Na ALBA, Robinson Almeida defende Cultura e Educação como caminhos contra a violência e a exclusão: “alternativa à barbarie”

Fulvio Bahia

Salvador recebe lançamento do Plebiscito Popular por direitos da classe trabalhadora

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais