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Estudo reforça eficácia do CBD contra a ansiedade e psiquiatra destaca avanços e desafios no acesso no Brasil

Estudo clínico mostra melhora significativa em pacientes com ansiedade após uso de CBD de espectro completo. A psiquiatra Ana Hounie comenta os avanços, desafios e o papel da cannabis medicinal no cuidado com a saúde mental no Brasil

Um novo estudo publicado na revista científica Biomedicines trouxe evidências animadoras sobre o papel do canabidiol (CBD) no tratamento da ansiedade generalizada, uma das condições mentais mais comuns no mundo e que afeta milhões de brasileiros.


Os resultados apontaram para melhoras clínicas significativas após apenas duas semanas de uso de um extrato de cânhamo rico em CBD, e reacenderam o debate sobre o uso da cannabis medicinal como aliada no cuidado com a saúde mental.
Melhora rápida e efeitos leves


A pesquisa acompanhou 12 pacientes diagnosticados com transtorno de ansiedade generalizada, que receberam um extrato sublingual de espectro completo, formulação que combina CBD e pequenas quantidades de outros canabinoides, como o THC.
Com doses médias de 30 mg diárias de CBD, os participantes relataram redução de até 91% nos sintomas de ansiedade já na primeira semana, além de melhoras no sono, no humor e na energia.


Os efeitos colaterais foram leves e autolimitados, como discreta alteração de apetite e libido, e em alguns casos, ganho de peso. Nenhum evento adverso grave foi registrado.


Esses achados reforçam o que muitos profissionais observam no dia a dia. Segundo a psiquiatra Ana Hounie, de São Paulo, “o CBD para ansiedade é muito eficaz. Os estudos clínicos são limitados a CBD puro em ansiedade social, mas pela experiência clínica e com base em estudos indiretos, os produtos Full Spectrum, com alta proporção entre CBD e THC, também são eficazes”.

 

Um campo promissor que pede mais ciência

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“O CBD para ansiedade é muito eficaz. A experiência clínica tem mostrado que os produtos full spectrum, com alta proporção entre CBD e THC, também funcionam muito bem”, destaca a psiquiatra Ana Hounie | Reprodução IG

Apesar dos resultados animadores, o estudo é considerado preliminar: foi aberto (sem grupo placebo) e envolveu uma amostra pequena e homogênea. Ainda assim, é um importante passo por utilizar uma formulação mais próxima dos produtos que chegam aos pacientes e por observar melhoras multidimensionais, não apenas nos sintomas de ansiedade, mas também em bem-estar geral e desempenho cognitivo.


“Tenho vários pacientes com Transtorno de Pânico que eram refratários aos tratamentos tradicionais e estão super bem com CBD Full Spectrum”, relata a psiquiatra.


Para Hounie, o próximo passo é unir a pesquisa científica e a experiência clínica acumulada em diferentes países. “O discurso tradicional na psiquiatria é de que não há evidência científica suficiente para os transtornos mentais, mas a experiência acumulada no mundo é de que sim, funciona”, argumenta.


Desafios brasileiros: entre a ciência e o acesso


No Brasil, o uso medicinal do canabidiol é autorizado pela Anvisa desde 2015, mas a maioria dos pacientes ainda enfrenta altos custos, burocracia e dificuldade em encontrar médicos especializados.
“O principal desafio é encontrar psiquiatras que tenham experiência com o tratamento usando derivados de cannabis e que os prescrevam”, destaca Hounie.


Além da limitação de acesso, o país carece de ensaios clínicos locais que possam comprovar de forma robusta a eficácia e segurança dos produtos disponíveis, especialmente os de espectro completo, que tendem a ser mais próximos da planta natural e potencialmente mais eficazes.


Com cerca de 9,3% dos brasileiros convivendo com algum transtorno de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o avanço dessa pauta pode representar uma mudança significativa nas estratégias de cuidado em saúde mental.


Um passo de cada vez


A pesquisa publicada na Biomedicines reforça o que a prática médica e o relato de pacientes vêm mostrando há anos: o CBD pode ser uma ferramenta valiosa no cuidado emocional, desde que acompanhado de rigor científico, acompanhamento profissional e políticas públicas inclusivas.


No Brasil, esse debate ainda está se estruturando, mas cresce a cada novo dado, paciente e pesquisa. E, como aponta a psiquiatra Ana Hounie, a ciência não precisa andar sozinha: “A experiência clínica também é uma forma de evidência. E ela tem mostrado, de forma consistente, que o CBD pode transformar vidas”, finaliza.

Fonte: Sechat
Foto: Freepik

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