Cannabis MedicinalCiênciaCiênciaMulherSaúdeSaúde MentalTratamentoTratamento Alternativo

Temos que pensar na ciclicidade”: especialista explica como a cannabis atua no corpo feminino

Especialista explica como a cannabis e a saúde da mulher se conectam, com aplicação em todas as fases da vida, da adolescência à menopausa

O uso de cannabis na saúde da mulher é um campo “muito novo”, com estudos concentrados a partir de 2019, mas que “veio para ficar”. A afirmação é da Dra. Mariana Prado, durante o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2025.

A ginecologista destaca a amplitude da aplicação terapêutica. A cannabis interage com o corpo feminino em diferentes momentos, não se restringindo a uma única patologia ou faixa etária. “A cannabis se aplica a todas as fases da vida da mulher”, explica Dra. Prado.

“Então, a gente está falando desde a adolescência ali, com os transtornos da menacme, TPM, cólica, transtorno disfórico pré-menstrual, transtornos da menopausa, libido, insônia”, detalha. 

A medica expõe também a possibilidade do uso em patologias. “principalmente dores pélvicas crônicas, endometriose, adenomiose”.

Estudos complementares reforçam essa visão. O sistema endocanabinoide (SEC) interage diretamente com os hormônios femininos, explicando por que o corpo responde de maneira única aos canabinoides.

A ciclicidade do uso

Para a Dra. Mariana Prado, a principal diferença do tratamento canabinoide em mulheres é a necessidade de entender a flutuação hormonal. Um tratamento estático, com a mesma dosagem o mês inteiro, pode não ser o ideal.

“Eu sempre falo que quando a gente pensa na terapia canabinoide no corpo feminino, a gente tem que pensar nessa ciclicidade”, alerta a médica.

Ela detalha que essa variação é a base de muitas condições ginecológicas. “Na ginecologia a gente tem que pensar que nem sempre o mês inteiro essa paciente vai estar em uso da mesma dose.”

O Efeito “Entourage”

No manejo de dores pélvicas crônicas, como as causadas pela endometriose, a Dra. Prado explica a preferência por formulações full spectrum (espectro completo), que usam a planta inteira.

“No controle da dor, logicamente, a gente tende a preferir os óleos de espectro completo porque é o efeito entourage. Uma sinergia, um potencializa o efeito do outro”, diz.

Ela detalha a ação dos compostos. “O CBD tem o potencial analgésico, principalmente, anti-inflamatório. O THC chega para potencializar o efeito”.

A ginecologia também permite explorar diferentes vias de administração. “Pode ser via oral, pode ser supositório. A ginecologia trabalha com essas outras formulações.”

O pilar do tratamento com cannabis

Apesar dos benefícios, a médica enfatiza que a cannabis não é uma solução mágica, mas parte de uma abordagem integral de saúde. mudança de estilo de vida (MEV)”, pontua. “Não tem como a gente começar um tratamento canábico sem que ela ajuste esses outros fatores também. Sono, atividade física, saúde mental, hidratação”.

Para que o tratamento funcione, a participação da paciente é essencial. “A gente precisa que ela embarque com a gente, principalmente fazendo o calendário menstrual, se entender durante o ciclo.” 

Fonte: Sechat
Image by freepik

Related posts

Ação nacional arrecada mais de 98 mil absorventes e garante dignidade menstrual para cerca de 600 mulheres por um ano

Fulvio Bahia

Covid-19: Confira os postos de vacinação em Salvador desta quinta-feira (23)

Fulvio Bahia

Projeto inclui violência contra aluno com autismo entre crimes de tortura

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais