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A gramática invisível da humanidade: estudo confirma padrões comuns em 1.700 línguas

Pesquisa com banco de dados global revela que, por trás da diversidade, regras mentais comuns moldam a estrutura de todos os idiomas.

Um novo estudo publicado na revista Nature Human Behaviour revelou que, por trás da imensa variedade de línguas do mundo, pode existir uma base gramatical comum à humanidade. A pesquisa usou o maior banco de dados gramaticais do mundo (o Grambank) e métodos estatísticos de ponta para testar antigas teorias da linguística.

A pesquisa, liderada por Annemarie Verkerk, da Universidade do Sarre, e Russell D. Gray, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, analisou 191 universais propostos ao longo de décadas contra dados de mais de 1.700 línguas contidas no Grambank. O desafio central era superar um viés metodológico histórico: línguas de uma mesma família ou região geográfica não são independentes, pois compartilham ancestralidade e contato. Tradicionalmente, linguistas tentavam contornar isso analisando línguas muito distantes.

A evolução de um universal de ordem de palavras na árvore global da linguagem. Crédito: Nature Human Behaviour (2025). DOI: 10.1038/s41562-025-02325-z

Línguas não evoluem de forma aleatória

A conclusão é que cerca de um terço dos chamados “universais linguísticos” — padrões gramaticais que se imaginava existirem em todas as línguas — foram confirmados com sólidas evidências.

Os resultados mostram forte suporte para padrões relacionados à ordem das palavras (como a posição do verbo e do objeto) e para estruturas gramaticais hierárquicas. Esses padrões surgiram repetidamente, de forma independente, em famílias linguísticas distintas ao redor do mundo.

“Diante da enorme diversidade linguística, é intrigante descobrir que as línguas não evoluem aleatoriamente”, afirmou Annemarie Verkerk. “A mudança linguística deve ser um componente central na explicação dos universais.”

Isso sugere que as línguas não evoluem ao acaso. Pressões cognitivas e necessidades comuns de comunicação levam os idiomas a convergir para um conjunto limitado de soluções gramaticais preferenciais.

Fonte: Olhar Digital
Foto: Paulo Pinto

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