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Estudo aponta alívio sustentado da depressão resistente com cannabis medicinal

Acompanhamento de pacientes por até dois anos

Pacientes com depressão resistente ao tratamento apresentaram melhora sustentada na qualidade de vida após o uso de preparações de cannabis medicinal, segundo dados longitudinais publicados no Journal of Affective Disorders. A pesquisa acompanhou pacientes por até 24 meses e observou avanços consistentes em sintomas de saúde mental e bem-estar geral.

O estudo foi conduzido por pesquisadores britânicos com base em dados do UK Medical Cannabis Registry, que reúne informações de pacientes autorizados a receber produtos medicinais à base de cannabis quando tratamentos convencionais não apresentam resposta adequada. A amostra analisada incluiu 698 pacientes, avaliados no início do tratamento e após 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses

Cannabis como terapia adjuvante

Os participantes utilizaram cannabis in natura ou extratos oleosos padronizados, contendo concentrações conhecidas de THC e CBD, sempre como terapia adjuvante. De acordo com os resultados, os pacientes relataram melhoras significativas no humor, na ansiedade, na qualidade de vida relacionada à saúde e no sono, com os efeitos mais expressivos observados nos três primeiros meses de acompanhamento. Esses benefícios se mantiveram ao longo de todo o período analisado.

Maior impacto entre pacientes com quadros mais graves

Outro dado relevante é que os pacientes que apresentavam quadros mais graves de depressão no início do estudo foram justamente aqueles que demonstraram maior redução dos sintomas ao longo do tempo. Em relação à segurança, os pesquisadores destacam que eventos adversos graves foram raros, sendo a maioria classificada como leve a moderada.

Evidências acumuladas em outras doenças

Na conclusão, os autores afirmam que o acompanhamento de dois anos demonstra benefícios clínicos sustentados do uso de cannabis medicinal em casos de depressão resistente, mas reforçam a necessidade de ensaios clínicos randomizados, que considerem comorbidades e diferentes formulações dos produtos, para confirmar a eficácia e esclarecer a segurança a longo prazo.

Além da depressão resistente, análises observacionais anteriores do mesmo registro britânico já apontaram benefícios do uso de cannabis medicinal em condições como:

epilepsia resistente, dor relacionada ao câncer, ansiedade, endometriose, doença inflamatória intestinal, distúrbios de hipermobilidade, enxaqueca, esclerose múltipla, osteoartrite, transtornos por uso de substâncias, insônia e
artrite inflamatória.

Debate científico e aprofundamento no Brasil

Os avanços científicos, os desafios regulatórios e as evidências clínicas relacionadas ao uso medicinal da cannabis em saúde mental e em outras patologias serão aprofundados com rigor técnico e científico no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, que reúne especialistas, pesquisadores e profissionais da saúde para debater o tema com profundidade. Mais informações estão disponíveis em: https://congressocannabis.com.br/

Fonte: Sechat
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