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Bahia Pesca impulsiona novo modelo de produção com tilápia e camarão cultivados em sistema consorciado salino.

O que antes era apenas um tanque destinado ao armazenamento de composto salino agora é uma unidade produtiva do semiárido baiano. O rejeito da água do dessalinizador implantado há dez anos pelo Programa Água Doce (PAD) no povoado de Italegre, município de Baixa Grande, transformou-se numa fonte de cultivo de milhares de tilápias e camarões em pleno desenvolvimento.

O “milagre” é na verdade resultado do projeto Pesque PAD, realizado pela Bahia Pesca em conjunto com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), cujo objetivo é transformar um resíduo ambiental em fonte de renda e alimento para comunidades em situação de vulnerabilidade. O projeto-piloto foi implantado em 2024, na comunidade de Mandassaia, em Riachão do Jacuípe. Em Baixa Grande, o Pesque PAD é desenvolvido em parceria com a Associação de Mulheres Produtoras de Italegre e conta com o apoio da Secretaria de Agricultura de Baixa Grande.

Um dos destaques desta nova etapa é o sistema consorciado de produção. Segundo o gerente de projetos da Bahia Pesca, Júnior Sanches, a iniciativa utiliza ração exclusivamente para a tilápia, enquanto o camarão se alimenta dos resíduos da ração e dos dejetos produzidos pelos peixes. O modelo reduz custos de produção e otimiza o aproveitamento de nutrientes no tanque, tornando o sistema mais eficiente e sustentável.

“Implantamos, há dois meses, 12.000 pós-larvas de camarão e 5.000 alevinos de tilápias que vem apresentando um desenvolvimento muito satisfatório”, avalia o profissional, que após a realização da primeira biometria nesta quinta, 26, prevê a despesca para o início do mês de junho.

Segundo a presidente da Associação de Mulheres Produtoras de Italegre, a implantação do Pesque PAD é uma conquista da população local, que foi contemplada em edital de chamamento público da Bahia Pesca em 2023, mas que teve de lutar por três anos para conseguir levar energia elétrica ao aerador que oxigena a água do tanque antes de ver o projeto ser colocado em prática.

Para uma comunidade tradicionalmente focada na produção de gado de leite e de corte, o cultivo consorciado de tilápias e camarões gera diversidade e encantamento. “Peixe a gente tem aqui na região: tilápia, traíra…, mas camarão é novidade. Eu mesmo fiquei encantada”, relata Edna, que já tem planos para o primeiro lote da produção, daqui a quatro meses. “A gente vai vender o produto para poder comprar ração e alevinos e para continuar gerando renda para a nossa comunidade”.

Fonte: Ascom/Bahia Pesca
Foto: Divulgação/Ascom Bahia Pesca

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