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Em Salvador, pesquisa detecta infecções sexualmente transmissíveis em um quinto das gestantes

Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não virais e curáveis representam um risco significativo para gestantes e fetos, afetando ao menos 21,52% das mulheres grávidas em Salvador (BA). Mais da metade das gestantes que testaram positivo para alguma IST não apresentava sintomas, aumentando o risco de que as infecções não fossem detectadas e, consequentemente, tratadas — expondo mãe e feto a possíveis complicações, como parto prematuro, aborto, infertilidade e natimortos. 

Entre os fatores associados às infecções estão idade inferior a 25 anos, ausência de parceiro ou tempo de relacionamento inferior a um ano e o uso de álcool e substâncias ilícitas não injetáveis. As conclusões são de pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e acabam de ser publicadas na Revista Latino-Americana de Enfermagem

O estudo foi conduzido com 302 gestantes, entre 15 e 49 anos, pacientes do serviço pré-natal de 17 unidades básicas de saúde da capital baiana. Entre 2022 e 2023, profissionais de saúde coletaram seus dados sociodemográficos, obstétricos e comportamentais e realizaram testes rápidos para vírus da imunodeficiência humana (HIV), sífilis e hepatites B e C. Ainda, coletas de amostra vaginal foram realizadas para detecção de clamídia, gonorréia, micoplasma e tricomoníase, IST não virais e curáveis focadas na pesquisa.

Uma em cada cinco gestantes apresentou ao menos uma IST, sendo as mais prevalentes clamídia (11,6%) e mycoplasma (9,6%). A faixa etária de 15 a 24 anos é um fator preditivo, assim como a ausência de um relacionamento estável ou um período menor de um ano com a parceria. 

Outras variáveis preditivas foram identificadas, como explica a pesquisadora Darlene Silva de Souza: “A associação do relacionamento com parceiro com histórico de prisão e a infecção por clamídia não foram relatadas em outros estudos, suscitando a necessidade de novas pesquisas para aprofundar a investigação, assim como de gestantes que nunca realizaram exame de Papanicolau e a infecção por mycoplasma.” 

Quase 14% das gestantes nunca haviam realizado o exame citopatológico de colo uterino, o que surpreendeu os pesquisadores. “É um fator que pode indicar barreiras de acesso aos serviços de saúde ou falhas na organização da atenção primária, a qual, muitas vezes, adota um modelo baseado na demanda espontânea, ficando sob responsabilidade da mulher a iniciativa de procurar o serviço de saúde”, afirma Souza.

Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de ampliar o escopo dos exames oferecidos às gestantes nas consultas pré-natal. “Esta estratégia viabiliza a detecção precoce das infecções, o tratamento oportuno das gestantes e de seus parceiros, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão, evitando complicações no período gestacional e neonatal, e menor custo aos serviços de saúde em decorrência de cuidados em outros níveis de atenção”, conclui a pesquisadora.

Fonte: Agência Bori
Foto: Bruno Concha

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