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Sueli Carneiro oficializa cidadania beninense durante gravação de documentário com Produção Baiana

Filósofa brasileira recebeu passaporte do Benim após articulação do documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade” produzido pela Acarajé Filmes em Co-Produção com a Mulungu Realizações CulturaisFilósofa brasileira recebeu passaporte do Benim após articulação do documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade” produzido pela Acarajé Filmes em Co-Produção com a Mulungu Realizações Culturais

A filósofa, escritora e uma das principais referências do movimento negro brasileiro, Sueli Carneiro (@carneiro956), recebeu oficialmente no dia 27 de fevereiro de 2026, seu passaporte do Benim, país localizado na África Ocidental. O documento formaliza sua titularização de cidadã beninense concedida em dezembro de 2024. A retirada e entrega oficial do passaporte aconteceu em uma cerimônia especial no país africano e registrada pelo documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade” dirigido por Urânia Munzanzu e produzido pela Acarajé Filmes (@acarajefilmes) em Co-Produção com a Mulungu Realizações Culturais (@mulungurealizações)

Sueli Carneiro é uma das principais filósofas, escritoras e ativistas feministas antirracistas do Brasil. Doutora em Educação pela USP, é fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra (1988). Sua atuação foi fundamental para a criação de políticas públicas de igualdade racial e programas de saúde mental voltados para mulheres negras.

A conquista do título teve início em março de 2023, durante as gravações do documentário, quando Sueli revelou que seu sonho era ter um passaporte de um país africano. A partir desse momento, a equipe do filme passou a articular caminhos institucionais para tornar o desejo realidade, processo que culminou em um ato simbólico de forte dimensão política, histórica e cultural. 

Pouco tempo depois, o presidente do Benim anunciou, em visita a Salvador, a possibilidade de pessoas afrodescendentes solicitarem cidadania beninense como ato de reparação histórica. A partir dessa prerrogativa, a equipe buscou caminhos diplomáticos para viabilizar o processo. Após articulações junto ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores do Benin, foi autorizada a abertura do processo, sendo Sueli a primeira pessoa a dar entrada na solicitação dentro desse novo marco legal.

“Não me interessa o lugar da exceção nem o título de ‘primeira’, mas a possibilidade de que esse gesto abra caminhos. Que muitas outras mulheres negras e pessoas negras brasileiras possam acessar esse direito, não como concessão, mas como parte de um processo de reconhecimento e reparação histórica”, declarou Sueli Carneiro.

Para a diretora Urânia Munzanzu, a dupla cidadania de Sueli representa “a materialização do sonho da militância negra no Brasil. É a memória de Luiza Bairros, que incansavelmente reivindicou esse direito à cidadania africana para afro-brasileiros, sendo honrada com a política de reparação histórica que nos é devida”.

diretora da Mulungu, Flávia Santana, destaca a dimensão coletiva do ato, como uma conquista que representa não apenas a realização de um desejo pessoal, mas um marco no debate sobre reparação histórica, pertencimento e diáspora africana. “Não é um sonho só dela, é um sonho de toda uma comunidade. Dona Sueli sempre fala que não é uma conquista individual, mas sim coletiva. Poder colaborar para que isso acontecesse é algo que me emociona profundamente”, afirma Flávia Santana.

As baianas Urânia Munzanzu (diretora) e Flávia Santana (produtora executiva) com Sueli Carneiro – Foto alile dara onawale

O retorno da equipe de filmagem ao Benim foi acompanhado por uma comitiva para conclusão das gravações do documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade” e registro da cerimônia de entrega do passaporte. A comitiva contou com a presença de Tricia Calmonsuperintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos do governo da BahiaChristiane Gomes, coordenadora de projetos na Fundação Rosa Luxemburgo; Eliane Dias, advogada e empresária; Natália Carneiro, jornalista e coordenadora de Comunicação do Portal Geledés, além da escritora Conceição Evaristo e da ativista e advogada Mirtes Renata, que também são personagens do documentário.

Fonte: Gi Santana – Assessoria de Imprensa
Foto: Alile Dara Onawale

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