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Estudo aponta potencial das raízes da Cannabis para saúde digestiva

Pesquisa brasileira aponta que compostos encontrados nas raízes da Cannabis podem atuar no sistema gastrointestinal.

Pesquisadores brasileiros publicaram na revista científica Frontiers in Pharmacology um estudo que investigou os efeitos de um extrato das raízes de Cannabis no sistema digestivo.

A planta é amplamente conhecida pelos compostos presentes nas flores, como CBD e THC. Porém, as raízes ainda são pouco exploradas na ciência.

Os efeitos das raízes da Cannabis

O estudo avaliou um extrato etanólico (à base de álcool) das raízes de Cannabis em testes em animais.

Os pesquisadores identificaram efeitos sobre o sistema gastrointestinal, incluindo:

  • • Redução da diarreia;
  • • Proteção contra úlceras gástricas;
  • • Alteração do movimento do intestino (com redução do esvaziamento do estômago).

Mesmo na dose mais alta testada, não houve sinais de toxicidade.

O que há nas raízes

De acordo com os resultados do estudo, as raízes de Cannabis contêm quantidades muito baixas de canabinoides. Diferentemente das flores, que concentram CBD e THC, as raízes praticamente não possuem esses compostos em níveis relevantes.

No extrato analisado, os compostos encontrados em maior quantidade pertencem a outras classes químicas, principalmente:

  • • Triterpenos
  • • Compostos fenólicos

Triterpenos são substâncias presentes naturalmente em diversas plantas. Eles fazem parte da grande família dos terpenos. Pesquisas investigam possíveis propriedades anti-inflamatórias e de proteção do estômago. É importante destacar que eles não causam efeitos psicoativos.

Até o momento da publicação, não existe nenhum produto derivado das raízes da Cannabis aprovado para uso médico. Também não há produtos disponíveis para venda comercial.

Uso tradicional e novas evidências

Segundo os pesquisadores, as raízes da Cannabis são utilizadas tradicionalmente para tratar distúrbios digestivos em diferentes culturas.

Apesar do uso histórico na Ásia e até no Nordeste Brasileiro, faltavam estudos experimentais organizados e controlados. O trabalho publicado oferece evidências que ajudam a embasar esse uso popular.

Como as raízes não concentram canabinoides em quantidade relevante, elas abrem uma perspectiva diferente do uso terapêutico com CBD e THC. Isso abre caminho para desenvolver formulações voltadas à saúde digestiva sem a possibilidade de efeitos psicoativos.

Como os testes foram feitos

O extrato passou por análise química e por quatro testes em roedores:

  • • Avaliação do esvaziamento gástrico;
  • • Diarreia induzida por óleo de rícino;
  • • Diarreia induzida por sulfato de magnésio;
  • • Úlcera gástrica induzida por etanol.

Também foram realizados testes antibacterianos contra Staphylococcus aureus.

Resultados variaram conforme o modelo

O efeito contra a diarreia variou conforme o modelo experimental. Funcionou na diarreia induzida por óleo de rícino, porém não na induzida por sulfato de magnésio. Isso indica que a ação pode variar de acordo com a causa da diarreia.

A atividade antibacteriana contra S. aureus foi fraca e sem efeito bactericida relevante.

Além disso, os resultados indicaram boa segurança, mesmo em testes com doses consideradas altas (2000 mg/kg). O extrato não provocou sinais de toxicidade aguda, perda de peso, alterações comportamentais ou danos visíveis a outros órgãos.

É importante destacar também que não há dados sobre:

  • • Possíveis interações medicamentosas;
  • • Segurança em populações especiais, como crianças e idosos;
  • • Comportamento do extrato no organismo humano.

Próximos passos da pesquisa

Os autores destacaram a necessidade de mais estudos. É preciso entender como os triterpenos e outros compostos atuam no sistema gastrointestinal antes de iniciar testes em humanos.

Mesmo no cenário mais otimista, esse é um percurso que pode levar anos. Por enquanto, os resultados representam um avanço no entendimento científico sobre uma parte pouco explorada da planta. Esses achados também abrem uma nova linha de investigação explorando o uso da Cannabis na saúde digestiva.

Situação regulatória no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis sob prescrição médica. Esses medicamentos, no entanto, são produzidos a partir das substâncias encontradas nas flores da planta, que são ricas em canabinoides, flavonoides e terpenos.

Se você ou alguém próximo deseja incluir esse tipo de produto no tratamento, busque orientação profissional.

Fonte: Cannabis & Saúde
Imagem: Reprodução Cannabis & Saúde



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