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Purple Day: como o CBD pode ajudar na epilepsia

Neste Purple Day, veja como o canabidiol (CBD) atua no cérebro e por que tem sido estudado para a epilepsia resistente a medicamentos

No dia 26 de março, o mundo celebra o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, também conhecido como Purple Day. A data, criada no Canadá em 2008, reúne pacientes, familiares e profissionais de saúde para ampliar o acesso à informação sobre a doença e reduzir o preconceito.

A campanha global incentiva o uso da cor roxa como símbolo de apoio e conscientização. A data também tem se tornado um espaço importante para dar visibilidade à qualidade de vida, aos tratamentos e aos avanços científicos. Esse debate também envolve o uso medicinal da Cannabis, especialmente para pacientes com epilepsia refratária.

Quando os remédios não funcionam: o desafio da epilepsia refratária

A epilepsia refratária, também chamada de epilepsia resistente a medicamentos, é caracterizada pela falta de resposta a pelo menos dois anticonvulsivantes usados corretamente. Nesses casos, as crises continuam acontecendo com frequência, impactando profundamente a qualidade de vida.

Para muitas famílias, especialmente aquelas com crianças, essa condição significa conviver com dezenas de crises por dia.

Alguns casos documentados em estudos clínicos, mostram mudanças significativas. Pacientes que antes apresentavam cerca de 30 crises diárias passaram a ter apenas uma ou duas por semana após iniciar o uso do canabidiol (CBD).

Essa redução favorece também o desenvolvimento cognitivo e social.

CBD e epilepsia: o que dizem os estudos científicos

O CBD é um dos compostos presentes na planta Cannabis. Diferente do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC), não provoca efeitos psicoativos. Esse fator é importante para o uso em crianças e adolescentes.

Nos últimos anos, o interesse científico pelo CBD no tratamento da epilepsia cresceu consideravelmente. Hoje, há evidências robustas de que o canabinoide pode ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, inclusive nos casos refratários.

Uma revisão sistemática publicada em 2018 pela Liga Internacional Contra a Epilepsia, analisou estudos clínicos com crianças e jovens. Os resultados indicaram que o CBD foi eficaz na redução das crises em pacientes com síndromes graves, como a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut.

Mais recentemente, uma revisão sistemática de 2024 confirmou esses resultados. De acordo com os autores, a redução das crises pode ser superior a 50% e, em alguns casos, houve até ausência completa de crises. Além disso, foram observadas melhorias no sono, no comportamento e nas funções cognitivas.

Estudos mais recentes ajudam a aprofundar esse entendimento. Um estudo publicado em 2026 acompanhou adultos com epilepsia refratária e mostrou que cerca de 86% dos pacientes tiveram redução de pelo menos 50% nas crises após o uso do CBD. Além disso, houve melhorias em funções cognitivas como memória, atenção e linguagem.

Esses resultados ajudam a destacar as diferenças em relação aos tratamentos convencionais. Muitos anticonvulsivantes estão associados a efeitos colaterais cognitivos, afetando memória, atenção e velocidade de processamento.

No caso do CBD, os dados disponíveis sugerem não apenas menos crises e segurança, mas também possíveis benefícios adicionais, como melhora da qualidade de vida e redução de sintomas de ansiedade e depressão.

Como o CBD atua no cérebro durante as crises

As crises de epilepsia acontecem quando os neurônios passam a disparar sinais elétricos de forma excessiva e desorganizada. O CBD parece atuar justamente ajudando a equilibrar essa atividade elétrica.

Um dos principais caminhos envolve o sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores do corpo que ajuda a regular funções como sono, humor, percepção da dor e atividade neuronal. O CBD interage com esse sistema, contribuindo para um ambiente mais estável no cérebro.

Estudos indicam que o canabidiol pode influenciar também canais de cálcio e sódio presentes nas células nervosas. Ao regular esses canais, o CBD pode diminuir a excitabilidade dos neurônios e reduzir a chance de disparos elétricos descontrolados.

Também há evidências de que o canabidiol exerce efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores. Em alguns tipos de epilepsia, processos inflamatórios no cérebro podem contribuir para a frequência das crises. Ao reduzir essa inflamação, o CBD pode ajudar a diminuir a ocorrência de episódios.

Mesmo com os avanços, é importante ressaltar que o tratamento com medicamentos à base de compostos da Cannabis exige acompanhamento médico e avaliação individual.

O que diz a regulação no Brasil

Do ponto de vista regulatório, em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou o CBD da lista de substâncias proibidas. Em 2019, com a RDC 327/2019, passou a regulamentar a comercialização de produtos à base de Cannabis.

Atualmente, os pacientes podem acessar produtos com canabinoides legalmente, desde que haja prescrição médica.

No contexto do Purple Day, o CBD representa uma possibilidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas com epilepsia e de quem convive com elas. Se você ou alguém próximo deseja incluir medicamentos à base de Cannabis no tratamento, busque orientação profissional.

Fonte / Imagens: Cannabis & SaúdeGregório Ventura
Image by freepik

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