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Alta de adolescentes baleados expõe fragilidade na proteção da juventude, alerta Iniciativa Negra

O aumento de 80% no número de adolescentes baleados em Salvador e Região Metropolitana, registrado em março de 2026, evidencia um cenário de agravamento da violência armada e levanta questionamentos sobre a capacidade de proteção da juventude, segundo análise da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que nove adolescentes foram atingidos por disparos de arma de fogo no período, sendo sete mortes e dois feridos.

Mais do que o crescimento dos números, os casos revelam uma mudança preocupante nos contextos em que a violência ocorre. Registros dentro de residências e em situações de perseguição indicam que adolescentes têm sido expostos a riscos mesmo em espaços tradicionalmente associados à proteção, como o ambiente doméstico. Um dos episódios mais emblemáticos aconteceu no dia 11 de março, no bairro de São Marcos, quando duas adolescentes de 16 anos foram mortas após homens armados invadirem a casa onde estavam. Na comparação com março de 2025, quando cinco adolescentes foram baleados, os dados reforçam uma tendência de agravamento e ampliam o alerta para a necessidade de respostas mais efetivas do poder público.

Para a Iniciativa Negra, o cenário aponta não apenas para falhas pontuais, mas para um quadro mais profundo de violações. “O crescimento desses casos revela que estamos diante de um estado grave de violações de direitos humanos em territórios negros e periféricos, onde toda a população é afetada, inclusive crianças e adolescentes, que deveriam ser protegidas e tuteladas com prioridade pelo Estado”, afirma Carol Santos, diretora executiva da organização.

Segundo ela, o enfrentamento da violência exige mais do que respostas reativas. “É fundamental fortalecer políticas públicas que atuem na prevenção, com foco em educação, cultura, cuidado e ampliação de oportunidades para jovens. Ao mesmo tempo, é necessário avançar em uma política efetiva de combate à violência armada e ao crime organizado nos territórios mais vulnerabilizados, a partir de outros moldes que não resultem na produção de mais violência e morte”, completa.

Foto: Divulgação

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