Pela primeira vez no país, grupo formado por pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão, de diferentes regiões do país, é capacitado para atuar de forma organizada na prevenção a essa prática, com base em suas próprias experiências
Um grupo formado por 13 pessoas de diferentes regiões do Brasil, que vivenciaram o trabalho análogo à escravidão e foram resgatadas, participou, em Salvador, de uma formação inédita. A iniciativa tem como objetivo capacitar essas pessoas como lideranças no enfrentamento à escravidão moderna, reconhecendo-as como especialistas a partir de suas próprias vivências.
A formação reuniu profissionais do Direito, incluindo a participação de uma juíza do trabalho aposentada, além de outros especialistas, abordando temas como direitos humanos, estrutura do Estado brasileiro, trabalho infantil, tráfico de pessoas e direitos trabalhistas.
“No decorrer dos anos, o Brasil tem tratado desse tema tão relevante, que é a permanência do trabalho análogo à escravidão, um crime bárbaro que atinge pessoas em todo o país. No entanto, é fundamental que essas discussões incluam a voz de quem sobreviveu a essas experiências. São essas pessoas que podem contribuir de forma decisiva na identificação de outras vítimas e na elaboração de leis e políticas públicas eficazes”, afirma Patrícia Lima, advogada, mestre em Educação de Jovens e Adultos, especialista em Direito Público e presidente do Instituto Trabalho Decente.
O objetivo do Instituto Trabalho Decente, com a formação do grupo de lideranças especialistas em escravidão moderna, é fortalecer o protagonismo de quem vivenciou diretamente essa realidade, ampliando sua atuação na identificação de casos, na melhor forma de acolhimento de outras pessoas exploradas e na construção de políticas públicas voltadas à erradicação do trabalho escravo contemporâneo.
Resgates no meio urbano superaram
Em 2025, foram resgatados 2.772 trabalhadores e trabalhadoras em ações de combate ao trabalho análogo à escravidão, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados revelam que 68% das pessoas identificadas em condição de trabalho escravo no Brasil foram resgatadas no meio urbano, superando o número de ocorrências no meio rural, cenário distinto do observado em anos anteriores. O balanço do MTE também demonstra que o trabalho escravo moderno não se restringe a atividades econômicas específicas, sendo identificado em áreas distintas como a colheita, o desmatamento, a mineração ilegal, a indústria têxtil, o trabalho doméstico, entre outras.
Fonte: André Santana
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