Em entrevista à TV Câmara, vereador diz que ataque atinge área estratégica para a segurança hídrica
O vereador André Fraga (PV) cobrou investigação rápida e rigorosa após o atentado registrado na madrugada de 30 de abril, na Serra da Chapadinha, em Itaetê, na Chapada Diamantina. A declaração foi dada à TV Câmara Salvador, pouco antes da sessão de ontem (terça-feira, 5), ao comentar a invasão armada ao Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) Toca do Lobo, onde os guardiões Marcos e Alcione foram feitos reféns e tiveram a residência incendiada, com destruição de equipamentos essenciais como energia solar, baterias e meios de comunicação.
O ataque, denunciado por entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Observatório dos Conflitos Socioambientais da Chapada Diamantina (OCA), ocorreu em uma área considerada estratégica para a recarga hídrica do estado e para a conservação de espécies ameaçadas. A Toca do Lobo funciona como ponto de apoio para ações ambientais na região, incluindo iniciativas de proteção ao guigó-da-caatinga, primata em risco de extinção.
O atentado também reacende o alerta sobre a violência no campo em uma região marcada por conflitos fundiários e pressão sobre áreas de preservação. Relatos e denúncias de entidades que acompanham a Chapada Diamantina apontam a presença de disputas por terra, grilagem, especulação imobiliária e interesse de projetos de mineração, em um cenário que aumenta a vulnerabilidade de comunidades e de territórios ambientalmente sensíveis.
“A Serra da Chapadinha é um espaço fundamental para a recarga hídrica da Bahia. Por isso, uma violência desse tipo numa região tão importante não pode prosperar”, afirmou o vereador.
Ainda de acordo com os relatos divulgados pelas entidades, os criminosos mantiveram as vítimas sob coerção, roubaram pertences e atearam fogo na residência, destruindo a estrutura montada no local. O prejuízo inclui equipamentos de energia solar, baterias, sistemas de abastecimento e meios de comunicação usados pelos guardiões para monitoramento e atuação na área.
Fraga disse que o mandato já acionou a Polícia Civil e cobrou a instauração rápida de inquérito para apuração do caso. “Solicitamos que a Polícia Civil instaure rapidamente o inquérito, para que esse tipo de violência no campo, numa região tão importante como a Chapada Diamantina, não prospere. É necessário que os responsáveis sejam identificados urgentemente e responsabilizados”, declarou.
Para o vereador, a gravidade do atentado também se conecta a um cenário mais amplo de ameaças a defensores ambientais no Brasil. “Foi um terror literalmente”, disse, ao mencionar que a violência contra quem atua na proteção de territórios e direitos socioambientais segue como uma das marcas dos conflitos no campo.
Ele também reforçou que os impactos de decisões sobre a Chapada Diamantina ultrapassam os limites do município de Itaetê e podem atingir outras regiões do estado. “Às vezes as pessoas acham que isso não tem relação com Salvador, mas tem. O planeta é um só. A água que chega na torneira em Salvador depende da proteção desses territórios”, pontuou.
CPT e OCA cobram investigação rigorosa e medidas de proteção para comunidades, lideranças e áreas de preservação, além da responsabilização dos autores do ataque.
Fonte / Foto: Ascom ver André Fraga – PV
