A vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) participou da terceira edição do Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA), realizado entre os dias 27 e 29 de maio, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Reconhecida por sua atuação no enfrentamento ao racismo ambiental e em defesa das comunidades pesqueiras, quilombolas e dos povos tradicionais, Eliete integrou a Grande Roda de Abertura ao lado do líder indígena Ailton Krenak, de representantes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da UFMT e de lideranças populares de diferentes regiões do país. O debate abordou os impactos do colapso ecológico e climático, os desafios enfrentados por povos e comunidades tradicionais e as formas resistências que nascem dos territórios diante das violações de direitos.
Promovido pela Abrasco, o 3º SIBSA teve como tema “A luta da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico: soberania, justiça e conhecimento para a transformação”. O encontro reuniu cerca de 500 participantes, entre pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde, lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais de todo o Brasil, consolidando-se como um dos principais espaços de diálogo entre ciência, saberes populares e experiências em defesa da vida.
A presença de Eliete no simpósio evidencia a projeção nacional da luta protagonizada pelas pescadoras e marisqueiras da Baía Kirimurê – a Baía de Todos os Santos. Durante o evento, a parlamentar destacou os impactos do racismo ambiental, da contaminação das águas e da pressão sobre os territórios pesqueiros e quilombolas, pautas que têm marcado sua trajetória política e a resistência dos povos das águas na Bahia.
Livro – Durante o simpósio, foi lançado o livreto “Cercas nas Águas, Derrubar! Um Encontro na Baía Kirimurê/Todos os Santos”, publicação que reúne textos de Ailton Krenak, Eliete Paraguassu e Marizelha Lopes, com organização do professor Felipe Milanez, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e contribuição de outros especialistas e pesquisadores.
A obra registra um encontro realizado em janeiro de 2026, na Baía de Todos os Santos, após a tradicional Procissão do Senhor do Bonfim, quando lideranças das florestas e das águas compartilharam experiências, saberes e reflexões sobre os impactos da crise ambiental, as violações de direitos e as formas de resistência construídas pelos povos e comunidades tradicionais.
Como destaca a apresentação da publicação, o livro expressa o encontro entre ativistas que dedicam suas vidas à defesa da Natureza, dos territórios e dos modos de vida tradicionais diante das ameaças impostas por um modelo de desenvolvimento baseado na exploração dos bens comuns. Além de um registro histórico, a obra se apresenta como um testemunho da conexão entre os povos das florestas e das águas, apontando caminhos de esperança, solidariedade e transformação frente às crises socioambientais.
No texto assinado por Eliete Paraguassu, a vereadora resgata a trajetória do Movimento dos Pescadores e Pescadoras da Ilha de Maré na defesa dos manguezais e denuncia os impactos da contaminação industrial sobre a Baía Kirimurê. A publicação também destaca a experiência do Tóxico Tur, iniciativa criada para revelar os efeitos do racismo ambiental sobre as comunidades pesqueiras e quilombolas da região.
Ao longo do texto, Eliete narra a resistência das comunidades tradicionais diante da contaminação das águas, da privatização dos territórios pesqueiros e das diversas formas de violência sofridas por lideranças que enfrentam interesses econômicos poderosos, reafirmando a importância da mobilização popular na defesa dos manguezais, dos modos de vida tradicionais e do direito dos povos das águas de permanecerem em seus territórios.
“O grito do nosso movimento continua sendo ‘Cercas nas águas, derrubar’. É uma luta pela preservação dos territórios, pela saúde das comunidades e pelo direito de continuar vivendo das águas”, afirma a vereadora.
Após o lançamento nacional em Cuiabá, Eliete Paraguassu prepara uma atividade de lançamento do livro em Salvador, reunindo movimentos sociais, comunidades pesqueiras, pesquisadores/as, estudantes e lideranças populares para ampliar o debate sobre racismo ambiental, justiça climática e a defesa dos territórios tradicionais da Baía Kirimurê. A data e o local do lançamento serão divulgados em breve.
Fonte: Ascom ver Eliete Paraguassu – PSOL
Foto: Dora Santos
