O BTC registra mais um dia de alta, recuperando o nível de US$ 66 mil que se mantido pode sustentar um teste em US$ 70 mil.
O preço do Bitcoin (BTC), na manhã desta terça-feira, 16/06/2026, está cotado em R$ 337.869,69. O BTC registra mais um dia de alta, recuperando o nível de US$ 66 mil que se mantido pode sustentar um teste em US$ 70 mil.

Pedro Fontes, Analista de Research do MB | Mercado Bitcoin aponta que apesar da correção recente, os indicadores históricos já começam a sinalizar uma região atrativa para acumulação gradual do ativo por investidores com horizonte de longo prazo.
Segundo o Fontes, a queda recente é resultado da combinação de três fatores principais: a desaceleração dos fluxos de capital para ETFs de Bitcoin à vista, a migração da atenção dos investidores globais para o setor de inteligência artificial e o ambiente macroeconômico ainda pressionado por tensões geopolíticas, inflação persistente e juros elevados com expectativas de aumento no futuro próximo (ainda em 2026).
Os ETFs de Bitcoin tiveram papel decisivo na recuperação observada entre fevereiro e maio. Nesse período, os produtos acumularam aproximadamente US$ 5,3 bilhões em entradas líquidas, movimento que contribuiu para impulsionar o ativo da região dos US$ 60 mil para perto dos US$ 82 mil. Desde então, porém, o cenário se inverteu. O mercado caminha para registrar quase quatro semanas consecutivas de saídas líquidas, que já superam US$ 5 bilhões.
Outro ponto monitorado pelos analistas é a possível desaceleração da demanda institucional liderada pela Strategy, uma das maiores compradoras corporativas de Bitcoin do mundo. Entre janeiro e maio deste ano, a companhia adquiriu cerca de 171 mil bitcoins, volume equivalente a 2,6 vezes toda a nova oferta produzida pela rede no mesmo período. Embora uma recente venda de 32 BTC tenha sido irrelevante do ponto de vista financeiro, o episódio levantou questionamentos sobre o ritmo futuro das compras da empresa.
O mercado cripto enfrenta ainda concorrência crescente pela atenção dos investidores. O avanço da inteligência artificial e o forte desempenho das empresas ligadas ao setor têm atraído parte relevante da liquidez global. Nos últimos meses, ações e fundos ligados à infraestrutura de IA registraram forte valorização, consolidando o segmento como a principal narrativa do mercado financeiro internacional no momento.
No cenário macroeconômico, as tensões persistentes no Oriente Médio continuam gerando preocupações sobre o comportamento dos preços do petróleo e seus impactos sobre a inflação global. Esse ambiente reforça não só manutenção dos juros elevados por mais tempo como risco de aumentos adicionais na taxa, o que historicamente reduz o apetite por ativos de maior risco, como as criptomoedas.
Apesar desse contexto, os indicadores on-chain e de sentimento analisados pelo MB sugerem que o mercado já se aproxima de níveis historicamente associados a boas oportunidades de entrada. O MVRV Z-Score, indicador que mede a distância entre o preço atual do Bitcoin e o custo médio dos investidores, está próximo de 0,33, patamar que em ciclos anteriores antecedeu importantes movimentos de valorização. Já o Fear & Greed Index retornou para a faixa de “medo extremo”, região frequentemente observada em períodos de capitulação do mercado.
“O objetivo não é identificar o fundo exato do ciclo, algo praticamente impossível na prática. O mais importante é reconhecer quando o mercado começa a entrar em zonas historicamente favoráveis para acumulação. Os dados atuais indicam que estamos cada vez mais próximos desse cenário, embora ainda exista espaço para volatilidade adicional no curto prazo”, afirma Pedro.
Diante desse ambiente, a recomendação do analista é que investidores mantenham liquidez para aproveitar eventuais oportunidades e adotem uma estratégia de aportes graduais, reduzindo a dependência de acertar o momento exato de entrada no mercado. O acompanhamento de indicadores como fluxos institucionais, MVRV e Fear & Greed também continua sendo fundamental para avaliar a evolução do ciclo atual
Bitcoin análise técnica
A leitura geral dos indicadores aponta para uma região de fundo de ciclo. O MVRV, métrica que compara o valor de mercado do Bitcoin com o preço médio pago por todos os detentores das moedas, está em 1,23, perto da mínima do ciclo. Já o NUPL, que mede o lucro não realizado da rede, está em 0,19, distante de qualquer sinal de euforia.
Outros sinais também reforçam a tese de reset do mercado. As moedas estão saindo das exchanges, os bitcoins mais antigos permanecem parados, a receita dos mineradores está baixa e há uma quantidade elevada de stablecoins em relação ao BTC. Na prática, isso indica que existe poder de compra parado à espera de uma possível entrada no mercado.

O ponto de atenção está na alavancagem. O Estimated Leverage Ratio, ou ELR, indicador que compara posições em derivativos com a quantidade de moedas mantidas em exchanges, está em 0,247, perto da parte mais alta da faixa observada neste ciclo. Em tese, esse nível poderia indicar risco maior de liquidações em caso de nova queda.
Ainda assim, há uma ressalva importante. Parte dessa leitura vem da própria fórmula do indicador. Como as reservas de Bitcoin em exchanges estão próximas das mínimas do ciclo, o ELR parece elevado também porque há menos moedas disponíveis como base de comparação, e não apenas porque traders abriram novas apostas agressivas.
Além disso, o funding, custo pago para manter posições compradas alavancadas, está levemente negativo. Isso indica que o mercado não apresenta, neste momento, uma euforia compradora agressiva. Portanto, a alavancagem elevada não necessariamente reflete excesso de otimismo, mas uma estrutura mais complexa de mercado.
O ponto contraintuitivo está justamente na combinação entre valuation barato e alavancagem alta. À primeira vista, esse cenário parece instável. No entanto, essa mesma mistura, com ELR acima de 0,24 e MVRV abaixo de 1,30, apareceu apenas duas vezes antes neste ciclo, em fevereiro e março de 2026.
Nas duas ocasiões, o preço subiu nas semanas seguintes, em vez de cair. O Bitcoin avançou 7% e 10% em duas semanas, respectivamente, e acumulou ganhos de 13% e 17% em quatro semanas. A amostra é pequena e não permite transformar o padrão em regra, mas enfraquece a leitura de que a alavancagem atual aponta necessariamente para uma queda iminente.
A partir de agora, o mercado deve acompanhar principalmente o comportamento do ELR. Se o indicador cair de forma brusca junto com o preço, o padrão anterior será rompido e o risco de liquidações se tornará mais concreto. Por outro lado, se o ELR recuar gradualmente enquanto o valuation se recupera, o movimento atual poderá ser interpretado como mais um fundo de ciclo, e não como um topo.
Nesse cenário, o ELR se torna o principal número a observar. Ele pode indicar se a alavancagem atual representa uma ameaça real ao preço do Bitcoin ou apenas mais uma distorção temporária em um mercado que já passou por forte ajuste.
Em contrapartida, segujdo ele, o primeiro suporte notável é o nível horizontal de US$ 64.004, onde uma quebra reabriria o caminho para perdas corretivas mais profundas, apesar das tentativas atuais de estabilizar o ímpeto.
Portanto, o preço do Bitcoin em 16 de junho de 2026 é de R$ 337.670,77. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0030 BTC e R$ 1 compram 0,0000030 BTC.
As criptomoedas que estão registrando as maiores altas no dia 16 de junho de 2026, são: Jito (JTO), SKYAI (SKYAI) e Stellar (XLM), com altas de 27%, 20%, e 17%, respectivamente.
As criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 16 de junho de 2026, são: Humanity (H), Audiera (BEAT) e Toncoin (TON), com quedas de -40%, -26% e -3% respectivamente.
Fonte: CoinTelegraph
Foto: Pexels
