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Mostra Pitanga chega a Salvador

Programação gratuita reúne 29 filmes, debates, curso e catálogo inédito sobre a trajetória de Antonio Pitanga, promovendo diálogos com o cinema negro e baiano

Entre os dias 31 de julho e 9 de agosto, Salvador recebe a Mostra Pitanga (@mostrapitanga), maior retrospectiva cinematográfica dedicada à trajetória do ator e diretor Antonio Pitanga, um dos nomes mais emblemáticos do Cinema Novo e do protagonismo negro no audiovisual brasileiro. 

Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e com curadoria de Camila Pitanga e Thiago Ortman, a mostra reúne 29 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, além de sessões comentadas, debates, curso e um catálogo digital inédito dedicado à carreira do artista. A programação é gratuita e será exibida no Cine Glauber Rocha (Centro) e no Cine Lankiana (Fazenda Grande 4). O projeto é realizado pela Lúdica Produções, com coordenação-geral de Diogo Cavour e produção-executiva de Ana Gabriela Dickstein.

Com quase 70 anos de carreira e cerca de 100 filmes no currículo, Antonio Pitanga tem papel fundamental na construção do cinema brasileiro. Dessa rica trajetória, a curadoria destaca clássicos do Cinema Novo, movimento do qual Pitanga foi um dos artistas mais marcantes, além de obras raras e produções contemporâneas de sua participação como ator e diretor.

Para a curadoria, a construção da mostra exigiu um olhar atento para uma trajetória artística extensa e diversa. “A ideia foi construir um arco que dialogasse com esse panteão do cinema brasileiro e com os filmes mais importantes da carreira do meu pai até os dias de hoje. É interessante perceber como essa trajetória conecta diretores consagrados e estreantes, diferentes momentos da história do país e questões que seguem dialogando com o presente e com o futuro”, afirma a filha do homenageado e uma das curadoras da mostra, Camila Pitanga.

Entre os destaques da retrospectiva estão os longas Barravento (1961) e A idade da Terra (1980), de Glauber Rocha; Ganga Zumba (1963) e A grande cidade (1966), de Cacá Diegues, além de O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte, primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e único da história a conquistar o prêmio máximo do Festival de Cannes – hoje denominado Palma de Ouro.

A programação apresenta ainda títulos raros e menos conhecidos da filmografia do ator, como o curta-metragem Colagem (1968), de David Neves, e o contemporâneo Bom dia, eternidade (2010), de Rogério de Moura. Alguns filmes serão exibidos em versões restauradas, como A grande feira (1961) e Tocaia no asfalto (1962), dois longas do cineasta baiano Roberto Pires, precursor do Cinema Novo; além do já mencionado Barravento (1961), de Glauber Rocha, e A mulher de todos (1969), de Rogério Sganzerla.  

A curadoria também apresenta um mergulho no papel de Pitanga em momentos decisivos da cultura e traz obras que abordam questões sociais e raciais em meio à ditadura militar, como Jardim de guerra (1968), de Neville D’Almeida, e Compasso de espera (1973), de Antunes Filho.

Segundo o curador Thiago Ortman, “Pitanga teve uma força de expressividade, de intensidade, de insubmissão de seus personagens que foi fundamental, e que hoje em dia, ecoam para além dos filmes. Esses personagens têm uma presença e uma força política, de contestação”.

Como diretor, Pitanga fez parte de uma geração que, junto com Odilon Lopez, Zózimo Bulbul e Waldyr Onofre, teve papel central na abertura de espaço para o cinema negro no Brasil. A mostra inclui suas duas obras como diretor, Na boca do mundo (1978), estreia de Pitanga na direção, e Malês (2025), que venceu o Troféu Jangada de Melhor Filme no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Raízes baianas de uma trajetória histórica

Antonio Pitanga em O pagador de promessas (Anselmo Duarte, 1962)

Nascido e criado no Pelourinho e frequentador do bairro Dois de Julho, onde admirava os atores do Clube Fantoches da Euterpe, Antonio Luiz Sampaio começou sua história no cinema em Salvador (BA), sua cidade natal. Sua estreia aconteceu em 1960, com o longa Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto, no qual ganhou o papel de Pitanga, nome que adotou para si desde então. O filme também está na programação da mostra.

Para o artista homenageado, trazer essa mostra para Salvador tem um significado profundamente afetivo e simbólico. “É um reconhecimento e um agradecimento enorme que a Bahia me proporcionou, porque o Cinema Novo foi uma grande revolução brasileira, dando protagonismo ao povo brasileiro. Sou um baiano em festa, sendo homenageado e abraçado pela minha Bahia”, celebra Antonio Pitanga.

O curador Thiago Ortman explica que a passagem da mostra por Salvador permite evidenciar também a relação profunda entre a carreira de Pitanga e a história cultural da cidade. “Para mencionar somente dois filmes, podemos falar de A grande feira, de Roberto Pires, que tem como episódio o fim da Feira Água de Meninos, nos anos 1960, e O pagador de promessas, um filme que tem como cenário, por seu clímax, a Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, localizada no Pelourinho”.

Atividades paralelas debatem legado e futuro do cinema baiano e negro

A programação também abre espaço para o diálogo com produtores e realizadores do cinema baiano e negro sobre legado, cena atual e perspectivas futuras da obra de Pitanga. No Cine Glauber Rocha, será realizada uma série de atividades paralelas.

A mesa “Pitanga e seu legado”, no dia 1 de agosto (sábado), às 18h, reúne o homenageado Antonio Pitanga, a cineasta Glenda Nicácio e a coreógrafa e dançarina Lia Robatto, com mediação do dramaturgo Aldri Anunciação, em uma conversa sobre a influência do artista para diferentes gerações da cultura brasileira. 

Já a mesa “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”, no dia 2 de agosto (domingo), às 18h, contará com a presença da diretora e produtora Thamires Vieira e do diretor e roteirista Marcos Alexandre, sob mediação do jornalista e diretor Victor Uchôa, abordando a força interpretativa de Pitanga na construção de seus personagens contestadores e sua contribuição na abertura de caminhos para os cinemas negros no Brasil. 

Outra atividade importante é o curso gratuito “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, ministrado pela pesquisadora, curadora e professora de cinema Izabel Melo, nos dias 5, 6 e 7 de agosto, das 14h às 15h30. A atividade reflete sobre como os cinemas negros incidem e propõem outras possibilidades de pensar o cinema brasileiro em sua multiplicidade de objetos e temas. As inscrições podem ser feitas por meio do link: bit.ly/mostrapitanga 

No Cine Glauber Rocha, destaca-se ainda uma sessão comentada do filme Compasso de espera, de Antunes Filho, com comentários da crítica de cinema e historiadora Lorenna Rocha.

Programação especial no Cine Lankiana

A Mostra Pitanga contará também com sessões no Cine Lankiana, localizado no Quilombo do Coqueiro Grande, no bairro Fazenda Grande 4. Nos dias 1, 2, 8 e 9 de agosto, a sala exibirá filmes como Fernando Coni Campos: cada um vive como sonha (2025), de Luis Abramo e Pedro Rossi, e o documentário Pitanga (2016), de Beto Brant e Camila Pitanga. 

No dia 2 de agosto (domingo), será realizada uma sessão especial de Malês (2024), às 14h, com a presença do diretor e homenageado Antonio Pitanga. 

“É uma felicidade interagir com essa juventude, trazer todo esse movimento para conversar, debater com as grandes obras do passado e que desaguam nos dias de hoje”, ressalta Pitanga.

Catálogo histórico eterniza carreira de Pitanga

Complementando a programação, a mostra apresenta um catálogo inédito, em versão digital, sobre a carreira do homenageado. A publicação reúne entrevistas, críticas históricas, fotos de bastidores e textos inéditos, produzidos especialmente para o catálogo, de autores como o cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo, a professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano Cyntia Nogueira e o crítico e pesquisador baiano Fabio Rodrigues Filho.

O catálogo também reúne textos já publicados de pesquisadores e críticos, como Jean-Claude Bernardet, José Carlos Avellar e Alex Viany, além de escritos de cineastas como Glauber Rocha e Rogério Sganzerla.

“Recuperamos falas do Cacá Diegues, uma crítica do Caetano Veloso falando sobre Barravento, especificamente sobre o meu pai, além de uma charge do Pasquim e uma série de documentos riquíssimos. Estamos criando uma outra forma de eternizar essa caminhada fantástica do ator e diretor Antonio Pitanga”, conclui Camila Pitanga.

Sobre o CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é uma rede de espaços culturais gerida e mantida pelo Banco do Brasil, com o objetivo de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura e valorizar a produção cultural nacional. Presente no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, está em avançado processo de instalação de sua nova unidade em Salvador.

Na capital baiana, passa a ocupar o Palácio da Aclamação, histórico edifício do início do século passado e que, durante mais de cinquenta anos, foi residência oficial dos governadores da Bahia. Mesmo antes de iniciar suas atividades no Palácio da Aclamação, o CCBB já realiza intervenções culturais em importantes espaços da cidade de Salvador.

SERVIÇO

Mostra Pitanga

Período: 31 de julho a 9 de agosto

Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis na bilheteria

Locais: Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves, 5 – Centro, Salvador)

Cine Lankiana (Avenida Aliomar Baleeiro, Km 10,5, nº 15, Fazenda Grande 4)

Mais informações em: bb.com.br/cultura

instagram.com/ccbbsalvadorbahia

Classificação Indicativa: Consulte a programação

Curso: “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”
Professora: Izabel Melo
Datas: 5, 6 e 7 de agosto
Inscrições:  bit.ly/mostrapitanga 

Instagram: @mostrapitanga

Curadoria: Camila Pitanga e Thiago Ortman

Produção: Diogo Cavour (Lúdica Produções) e Ana Gabriela Dickstein 

Patrocínio: Banco do Brasil

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Mostra Pitanga – Programação 

PROGRAMAÇÃO CINE GLAUBER ROCHA

31/7 – Sexta

18h30 — Curtas especiais: Sessão de curtas: Premonição (Pedro Abib, 2011) —13 min; O velho rei (Ceci Alves, 2013) — 10 min; Olhos de Cachoeira (Adler Paz, 2020) — 20 min.

1/8 – Sábado

13h40 — Bahia de Todos os Santos (José Trigueirinho Neto, 1960) — 12 anos / 100 min.

15h40 — Pitanga (Beto Brant e Camila Pitanga, 2016) — livre / 113 min.

18h — Mesa 1: “Pitanga e seu legado”, com Antonio Pitanga, Lia Robatto, Glenda Nicácio e Aldri Anunciação (mediação) – 14 anos / 90 min. / COM LIBRAS

2/8 – Domingo

10h30 — Sessão com acessibilidade: Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 113 min.

14h — A grande feira (Roberto Pires, 1961) — 14 anos / 93 min. 

16h — Barravento (Glauber Rocha, 1961) — 12 anos / 78 min.

18h — Mesa 2:  “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”, com Thamires Vieira, Marco Alexandre e Victor Uchôa (mediação) — 14 anos / 90 min. 

4/8 – Terça

15h — Tocaia no asfalto (Roberto Pires, 1962) — 18 anos / 101 min. 

17h10 — Esse mundo é meu (Sérgio Ricardo, 1964) — 12 anos / 79 min. 

19h — A grande cidade (Cacá Diegues, 1966) — 12 anos / 83 min.

5/8 – Quarta

14h — Curso (dia 1): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.

16h20 — Uma nega chamada Tereza (Fernando Coni Campos, 1973) — 14 anos / 80 min.

18h — A mulher de todos (Rogério Sganzerla, 1969) — 14 anos / 93 min. 

20h — Menino de engenho (Walter Lima Jr., 1965) — 12 anos / 110 min.

6/8 – Quinta

14h — Curso (dia 2): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.

16h — Câncer (Glauber Rocha, 1972) — 12 anos / 86 min.

18h — A idade da Terra (Glauber Rocha, 1980) — 14 anos / 148 min.

7/8 – Sexta

14h — Curso (dia 3): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.

16h30 — Bom dia, eternidade (Rogério de Moura, 2010) — 12 anos / 87 min.

18h30 — Um dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020) — 12 anos / 74 min.

20h10 — O pagador de promessas (Anselmo Duarte, 1962) — livre / 91 min. 

8/8 – Sábado

13h — Casa de antiguidades (João Paulo Miranda Maria, 2020) — 14 anos / 87 min. 

15h — Jardim de guerra (Neville D’Almeida, 1968) — 12 anos / 91 min. 

17h — Compasso de espera (Antunes Filho, 1973) | Sessão comentada com Lorenna Rocha — 14 anos / 94 min. + 60 min. 

20h — Colagem (David Neves, 1968) + Na boca do mundo (Antonio Pitanga, 1978) — 14 anos / 112 min.

9/8 – Domingo

13h — Programa de curtas 2: Tudo que é apertado rasga (Fabio Rodrigues Filho, 2019) — 14 anos / 27 min.; Premonição (Pedro Abib, 2011) — 12 anos / 13 min.; O velho rei (Ceci Alves, 2013) — livre / 10 min.; Olhos de Cachoeira (Adler Kibe Paz, 2020) — 18 anos / 20 min. — total: 80 min.

14h40 — Ganga Zumba (Cacá Diegues, 1963) — 12 anos / 102 min.

16h50 — Ladrões de cinema (Fernando Coni Campos, 1977) — 12 anos / 127 min. 

19h20 — Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 114 min. 

PROGRAMAÇÃO CINE LANKIANA

FINAL DE SEMANA 1

1/8 — Sábado

16h — Água de Meninos — A feira do Cinema Novo (Fabíola Aquino, 2012) — livre / 52 min.

17h15 A grande feira (Roberto Pires, 1961) — 14 anos / 93 min. 

19h Barravento (Glauber Rocha, 1961) — 12 anos / 78 min.

2/8 — (Domingo)

14h Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 114 min. + Conversa com Antonio Pitanga / 60 min.

17h30 O pagador de promessas (Anselmo Duarte, 1962) — livre / 91 min.

FINAL DE SEMANA 2

8/8 — Sábado

16h Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, 2025) — 12 anos / 89 min. 

18h Pitanga (Beto Brant e Camila Pitanga, 2016) — livre / 113 min.

9/8 — Domingo

15h Compasso de espera (Antunes Filho, 1973) — 14 anos / 94 min.

17h Na boca do mundo (Antonio Pitanga, 1978) — 14 anos / 100 min.

Obs.: Todos os filmes serão exibidos em formato digital.

Fonte: Gi Santana Assessoria de Imprensa
Foto: Leandro Tumenas

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