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A cultura do vaqueiro nordestino pelo olhar do haicai

Novo livro de Gilmara Freitas, “Vento na porteira”, traz aos leitores a essência do vaqueiro em 70 haicais

Lançado no dia 18 de junho pela Editora Arpillera, o livro “Vento na porteira” traz a voz sensível da poeta baiana Gilmara Freitas para o universo do vaqueiro nordestino. 

Através de 70 haicais, a autora doma a essência da vida dos vaqueiros. Cada poema captura com precisão as práticas laborais, os costumes enraizados e as características singulares tanto dos homens quanto dos animais. “Vento na porteira” é uma ode ao sertão, em que cada verso é um eco da alma sertaneja, celebrando a força e a beleza de um legado atemporal.

A escolha do haicai como linguagem faz todo o sentido. O haicai é um tipo de poema, originário do Japão, composto por apenas três versos. É um poema minimalista, que captura de forma fotográfica o instante, as paisagens, os detalhes, as texturas. Desta forma, são capturados os elementos da vida do vaqueiro pelos cheiros, a poeira, as paisagens, o couro, os animais.

Além dos versos imagéticos, a obra traz ainda algumas fotos da região onde nasceu e vive a autora, Riachão do Jacuípe, interior da Bahia. As imagens, de autoria de Maria Alice Figueiredo, também fazem parte da pesquisa acadêmica de Gilmara.

“Vento na porteira” tem ainda a edição artesanal feita pela Arpillera, com costura manual japonesa e exemplares numerados. O projeto sensorial inclui ainda uma capa composta com material semelhante ao couro.

A autora Gilmara Freitas é professora da rede estadual, doutoranda em Língua e Cultura pela UFBA, onde pesquisa sobre a cultura do vaqueiro. Organizou e publicou o livro “De repente, escritores: narrativas e outras matutações”, em que seus alunos da escola pública escreveram histórias sobre o vaqueiro.

O livro “Vento na porteira” já está à venda no site da editora. Leia abaixo alguns haicais presentes no livro:

. . . . .

na porteira aberta
espera o velho vaqueiro
retorno da rês
. . . . .
cascos das boiadas
são tatuagens na terra
ferroando o chão
. . . . .
tempo de chuvada
rio em larga correnteza
muge a bezerrama
. . . . .
malhada da sede
brilha a prata dos arreios
poeira e poesia
. . . . .
ave de rapina
espreita a fraca novilha
em sombra de ipê

Fonte: Editora Arpillera
Imagem: Divulgação

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