BrasilImprensaViolência

ABI exige investigação das mortes no Rio

O Rio de Janeiro viveu um dia de caos e medo na terça-feira, 28 de outubro. Uma ação policial orquestrada pelo governo estadual resultou na operação mais letal da história do estado. Até o momento em que esta nota é redigida, já haviam sido computadas quase 130 mortes – quatro de policiais e as demais de cidadãos considerados suspeitos.

Em coletiva, o governador Cláudio Castro afirmou que apenas os quatro policiais mortos podem ser considerados vítimas, classificando as demais mortes como de “suspeitos” ou “bandidos”.

Nós, da Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão da ABI, lembramos que não existe pena de morte no Brasil e afirmamos que essa operação configura flagrante desrespeito à determinação do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, a chamada “ADPF das Favelas”, que visa justamente “à redução da letalidade policial e ao controle de violações de direitos humanos pelas forças de segurança” no Rio de Janeiro.

A decisão do STF na ADPF 635 determinou expressamente que o Estado do Rio “elabore e encaminhe ao STF, no prazo máximo de 90 dias, um plano visando à redução da letalidade policial e ao controle de violações de direitos humanos pelas forças de segurança fluminenses, que contenha medidas objetivas, cronogramas específicos e previsão dos recursos necessários para a sua implementação”.

O que se viu neste dia foi exatamente o contrário: um massacre só comparável ao do Carandiru com graves consequências, em que comunidades foram sitiadas e ocorreram denúncias de violações das normas constitucionais e internacionais previstas na decisão do STF. Isso evidencia o descumprimento tanto da letra quanto do espírito da ADPF 635 por parte do governo estadual. Diante da gravidade, reafirmamos a urgência de aprovação da PEC 18/2025, que visa reformular e constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Ressaltamos que o governador Cláudio Castro fez campanha contra essa PEC mesmo diante do histórico de letalidade e violações.

Reafirmamos nossa solidariedade às vítimas e suas famílias e exigimos imediata investigação independente, responsabilização e adequação das práticas policiais ao mandamento constitucional e às determinações do Supremo Tribunal Federal.

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2025.

Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos 

Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Related posts

Em ranking mundial de universidades; nenhuma brasileira no top 100

Fulvio Bahia

Projeto amplia para 20 anos prazo para vítima de assédio sexual no trabalho pedir reparação civil na Justiça

Fulvio Bahia

Bahia lidera produção de grãos no Nordeste e deve colher quase 13,6 milhões de toneladas na safra 2024/25

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais