Câmara Municipal de SalvadorPolítica

“Afroconveniência”, critica Sílvio Humberto sobre abismo orçamentário e desvalorização de artistas locais no Festival da Virada de Salvador

O vereador Sílvio Humberto (PSB) se manifestou contra a política de contratações da Prefeitura de Salvador para os festivais de fim de ano. Em um duro posicionamento, o parlamentar denuncia o abismo orçamentário e a apropriação cultural institucionalizada, apontando a disparidade gritante entre os cachês pagos a atrações nacionais e a artistas que são símbolos da resistência e cultura baiana.

Os números expostos pelo vereador revelam o contraste: enquanto a dupla sertaneja Jorge e Mateus receberá R$ 1 milhão, ícones do patrimônio vivo da Bahia, como o bloco afro Olodum e o rei do reggae Edson Gomes, receberão R$ 160 mil e R$ 180 mil, respectivamente. “Juntos, os dois artistas baianos não somam sequer 35% do valor destinado à dupla de fora do estado”, reflete.

Para o vereador, a estratégia de marketing da gestão municipal entra em contradição com a prática financeira. “Em novembro, o slogan é ‘Salvador Capital Afro’. Em dezembro, a máscara cai e a afroconveniência dá lugar ao privilégio. Usam nossa identidade preta para vender a cidade ao mundo, mas destinam migalhas do orçamento para quem mantém essa cultura pulsando o ano inteiro”, dispara Sílvio Humberto.

O parlamentar ressalta que a crítica não é ao gênero musical ou ao sucesso alheio, mas à responsabilidade social na aplicação da verba pública. Ele lembra que artistas do porte de Jorge e Mateus já possuem canais robustos de financiamento, citando dados da revista Veja que colocam a dupla entre os maiores captadores da Lei Rouanet (R$ 38 milhões).

Sílvio Humberto defende que o orçamento público deveria priorizar a circulação de renda dentro das comunidades soteropolitanas. “Com o valor de um único cachê milionário de fora, seria possível estruturar festivais inteiros com talentos da terra, gerando emprego e dignidade para músicos, técnicos e produtores locais”, defende. “O evento público em Salvador está virando uma vitrine de exclusão, onde o soteropolitano é apenas um figurante distante no próprio solo. Cultura deve ser investimento para fortalecer a base, não apenas para financiar quem já é gigante às custas do sufocamento do artista local”, completa.

Fonte / Foto: Ascom ver Silvio Humberto – PSB

Related posts

Prefeitura de Salvador apresenta PLOA 2026 na Câmara Municipal com orçamento 18,8% superior ao deste ano

admin

Co-vereadora Laina Crisóstomo denuncia agravamento da violência política em reunião com Ministro da Justiça, Flávio Dino

Fulvio Bahia

Eleições 2024: Em convenção do PV, Geraldo recebe propostas e reforça compromisso com desenvolvimento sustentável

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais