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Câmara promove sessão do Outubro Rosa e reforça luta contra o câncer de mama

Iniciativa do vereador Téo Senna reuniu especialistas, pacientes e entidades para debater prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento

A manhã desta quinta-feira (9) foi marcada por uma sessão especial do Outubro Rosa Contra o Câncer de Mama, conduzida pelo vereador Téo Senna (PSDB) no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador. O auditório ficou lotado de mulheres e homens interessados no tema, em um encontro que uniu ciência, relatos de vida e defesa de políticas públicas de prevenção e diagnóstico precoce.

Ao abrir a sessão, Téo Senna destacou que a iniciativa dá continuidade a uma trajetória construída há mais de uma década na Casa, desde as primeiras agendas oficiais da campanha na capital. “O diagnóstico precoce salva vidas e precisa ser uma prioridade permanente”, afirmou, ao anunciar que irá sistematizar as contribuições apresentadas em um relatório a ser entregue ao secretário municipal da Saúde, Rodrigo Alves.

Representando o Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer (Naspec), Romilza Medrado levou um depoimento potente de fé, militância e experiência pessoal. Sacerdotisa de religião de matriz africana, ela recordou que enfrentou o câncer de mama em dois momentos da vida, há mais de quatro décadas e novamente há 13 anos, e sublinhou o papel da entidade na acolhida e no cuidado, inclusive com unidade de cuidados paliativos que abriga pacientes do interior. Defendeu campanhas permanentes de conscientização, criticou o descumprimento de leis já vigentes e celebrou a recente autorização do Ministério da Saúde para a mamografia a partir dos 40 anos: “Não é uma luta pequena. É de todos os dias. Que esta Casa seja, mais uma vez, o grito e a voz de quem silencia na dor”, disse.

A mastologista Carolina Argolo, representante da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), reforçou que hábitos de vida saudáveis, alimentação adequada, atividade física, combate à obesidade e redução do consumo de álcool reduzem o risco da doença, chamando atenção para gargalos na atenção básica. Pesquisa citada por ela mostrou falhas de percepção e de fluxo que atrasam a navegação da paciente até o especialista. “Existe a Lei dos 60 dias, do diagnóstico ao início do tratamento. Precisamos organizar a navegação para que as mulheres tenham acesso oportuno, inclusive agora com a ampliação do rastreamento a partir dos 40 anos”, pontuou.

A vice-diretora técnica do Hospital Aristides Maltez (HAM), Lígia Albuquerque, apresentou números que dimensionam o desafio. Em 2024, o serviço de Mastologia do HAM registrou 1.100 novos casos de câncer de mama feminino, 10.257 consultas, 605 biópsias e 1.069 cirurgias. No primeiro semestre de 2025, já são 907 novos casos, 5.150 consultas, 347 biópsias e 616 cirurgias. Para ela, além de garantir o diagnóstico precoce, é indispensável investir em prevenção efetiva e educação em saúde, sem perder de vista as barreiras sociais que dificultam o acesso.

O oncologista Thiago Kaique Nunes, representante da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), chamou o debate para além do consultório. “Estamos vivendo uma epidemia de câncer. Em 2030, a doença deve ultrapassar as cardiovasculares como principal causa de mortalidade no mundo”. Ele ressaltou que, quando detectado nas fases iniciais, o câncer de mama tem mais de 90% de chance de cura e cobrou ampliação do acesso às terapias no SUS, lembrando estudos que indicam melhores desfechos na rede privada justamente pela disponibilidade de tratamentos.

Encerrando a sessão, a cantora, jornalista e ecóloga Carla Visi emocionou o público ao compartilhar sua história de superação e ao conectar arte, saúde e cuidado com o planeta. Ela interpretou canções como Canções e Momentos e Como é Grande o Meu Amor por Você, reforçando que informação, acolhimento e redes de apoio fazem diferença no enfrentamento da doença. “Não sou doente. Eu estive com câncer. O medo paralisa, por isso é preciso nutrir a vida em nós”, disse, defendendo o autocuidado, o acompanhamento médico e a exigência de condições dignas na saúde pública.

Ao final, Téo Senna ressaltou: “Que a cidade fique rosa na fachada e, sobretudo, nas decisões que salvam vidas”, concluiu.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Everaldo Braga, também integrou a mesa.

Fonte: Ascom CMS
Foto: Derlei Correia

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