CEO da Pittaco Consultoria e Investida da 9º edição do Shark Tank Brasil, Cáren Cruz revela como atos simbólicos e políticos são transformados através das cores.
Sabe aquele look ideal do fundo do closet? O tênis branco da ‘uniformização’, a alfaiataria da ‘autoridade emprestada’ e a cor tendência do algoritmo – parece perfeito de cara, mas ainda assim, falta algo. Se as peças do guarda-roupa não estão dando match, os campus da arte e Ciência se uniram para explicar tal fenômeno, não através das peças, mas da colorimetria ao redor.
Segundo uma pesquisa publicada na ResearchGate, “Fundamentals of Colorimetry”, a colorimetria é uma técnica habitualmente utilizada pela Ciência. Em outras palavras, o cotidiano está pintado de diversas combinações de tons e subtons, explicadas através da ‘óptica’, mas traduzidas no verde primaveril ou na cor gelo do inverno.
Esse processo revela porquê muitas vezes o ‘dress code’ parece não casar com as tendências da moda, estações ou estilos individuais. Escolher a cor certa, portanto, se tornou um fator crucial para ‘comunicar’ e se posicionar, seja no mercado de trabalho, em relações interpessoais, ambientes acadêmicos ou nas redes sociais.
Do off-white ao vermelho, acertar na coloração se tornou uma linguagem de posicionamento. É o que defende a Consultora de Imagem Identitária e Investida da 9º edição do Shark Tank Brasil, Cáren Cruz. À frente da Pittaco Consultoria, a especialista afirma que a cor tem impacto direto na comunicação visual contemporânea; da roupa à pequenos detalhes cromáticos que podem compor o ambiente.
Segundo a especialista, a percepção das cores vai além de tons isolados e envolve acordes que mudam o sentido das combinações. Dessa forma, cada cor pode ser entendida em múltiplas dimensões, como emocional, social, pessoal e fisiológica, influenciando memórias e identidade, além de transformar a comunicação em narrativas mais complexas e expressivas. “Por exemplo, o amarelo, em sua saturação máxima, ele tem um significado. O preto também. Só que eles dois juntos, formam um acorde de comunicação negativa, que é o acorde universal do perigo, por exemplo. Então, as cores em conjunto, quando combinadas em diferentes proporções, carregam consigo significados diferentes que podem trazer aspectos positivos ou negativos”, comenta.
A relações-públicas explica que algumas cores ressaltam a luminosidade natural da pele, enquanto outras deixam a expressão mais abatida, chegando até mesmo à apagar a presença individual. “Compreender esse jogo é fundamental para quem se posiciona publicamente”. No contexto profissional, a CEO da Pittaco mostra que a cor não deve ser vista apenas como estética ou técnica, mas como ferramenta estratégica de expressão e de reposicionamento social, aliada indispensável de homens e mulheres negras.
“A leitura de que apenas cores neutras, lisas e discretas transmitem credibilidade é fruto de um condicionamento social eurocentrado, que associa sobriedade à ausência de cor e simplicidade formal. Esse paradigma ignora a potência simbólica e comunicacional das estampas, sobretudo em contextos de identidade cultural afro-brasileira e diaspórica, onde a cor e a forma são não apenas ornamento, mas linguagem ancestral e política. A cor, então, deixa de ser mero acessório e se transforma em ato simbólico e político. Um recurso de liderança, visibilidade e autonomia. Uma forma de reposicionar a identidade de quem a veste, mas também de comunicar cuidado, prazer e potência em todos os espaços que ocupa”, elucida.
Especialista em Imagem Identitária, Cáren revela que a compreensão da cartela de cores é alcançada ao destrinchá-la em um ‘mapa de possibilidades’. A profissional se utiliza dos estudos de Lilian Ried Miller e Eva Heller para demonstrar que a coloração, quando usada como um ‘manual de proibições’, torna-se um instrumento de aprisionamento estético. Esse fenômeno reforça os padrões de exclusão, limitando corpos negros e miscigenados que convivem com narrativas de apagamento social.
Ressignificando o mercado à frente da Pittaco Consultoria, Cáren teve participação ativa na democratização do acesso e comunicação estratégica voltada ao empoderamento da estética preta; promovendo mentorias, cursos e workshops. Entendendo que a cor trata de “liberdade de expressão”, a Mentora de Negócios demonstra que, na prática, os métodos de coloração tradicionais no Brasil – sazonal, tonal ou Collo-to-Collo – não refletem a realidade nacional e miscigenada.
“O que observo, na prática de atendimentos e palestras, é que a maioria das pessoas não vestem as cores que mais gostam. Para se ter uma noção, entre 70% e 90% do guarda-roupa não corresponde às preferências do indivíduo, porque as pessoas estão constantemente respondendo a um ‘dress code’ corporativo ou a códigos sociais que ditam o que é considerado ‘apropriado’. Nesse processo, abrem mão das cores que representam sua identidade e deixam de viver a potência simbólica e afetiva da cor”, conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Débora Monteiro
