Inserida há mais de uma década na cultura baiana, a gestora cultural Marcela Silva fortalece a presença feminina na música e na produção artística, com iniciativas como a ‘Festa Preciosa’.
Conquistar espaço em festivais, palcos e eventos culturais ainda é um desafio para muitas mulheres, sobretudo artistas e profissionais negras e LGBTQIAPN+. Apesar das barreiras históricas e da invisibilidade, redes e iniciativas lideradas por mulheres vêm transformando esse cenário. Hoje, em Salvador e em outras regiões da Bahia, projetos estratégicos surgem para revelar talentos emergentes e abrir caminhos em toda a cadeia da produção cultural.
A frente desses projetos, gestoras culturais vêm criando oportunidades estruturadas para que mulheres ocupem espaços de decisão na música e na produção artística. Para Marcela Silva, que atua há mais de dez anos no polo cultural de Salvador, as iniciativas que visam o protagonismo feminino são fundamentais para consolidar trajetórias, dar visibilidade e fortalecer a presença das mulheres, em um mercado ainda marcado por desigualdades de gênero e raça.
“Quando comecei a atuar, Salvador ainda concentrava as decisões do setor musical, por exemplo, em grupos restritos e pouco acessíveis, e muitas mulheres tinham dificuldade de ocupar posições estratégicas ou de ter seus projetos reconhecidos. Foi preciso criar redes de colaboração, estruturar oportunidades e articular espaços de visibilidade para que mais e mais profissionais mulheres pudessem se desenvolver e ter voz no mercado”, conta Marcela.
Desde então, Marcela atuou na consolidação de carreiras e fortaleceu redes de apoio para artistas e profissionais do setor. Entre as iniciativas que levam a sua assinatura está a ‘Festa Preciosa’, evento totalmente idealizado e produzido por mulheres, que funciona como uma plataforma de circulação artística e profissional, reunindo DJs, bandas, produtoras e técnicas, promovendo aprendizado, visibilidade e oportunidades estruturadas para mulheres na cultura.
“A Festa Preciosa não é apenas um evento cultural: ela funciona como um dispositivo social, simbólico e econômico de ocupação de espaço por mulheres. Em um setor historicamente dominado por homens, tanto na produção quanto no consumo, o fato de ser feito por mulheres e voltado para mulheres transforma completamente a lógica do ambiente”, comenta a gestora cultural.
Para Marcela Silva, iniciativas como a ‘Preciosa’ revelam como espaços criados por mulheres e para mulheres podem transformar a cena cultural baiana. Ao articular artistas, produtoras, técnicas e público, esses projetos ampliam a presença feminina na música e na produção artística, fortalecendo trajetórias e consolidando carreiras.
“Meu papel é organizar, articular e acompanhar trajetórias. Não se trata apenas de produzir eventos, mas de criar espaços onde as mulheres possam aprender, conquistar oportunidades e se fortalecer profissionalmente. Cada projeto é uma maneira de ampliar a presença feminina na cultura, garantindo que mais mulheres tenham voz, espaço e reconhecimento dentro do setor”, conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Romário Carva2
