O projeto ESCREVINHADEIRAS, mulheres reunidas em Núcleo Criativo, inédita ação audiovisual para o desenvolvimento de obras, em Salvador, fortalece e potencializa mulheres autoras e diretoras no cenário audiovisual baiano e brasileiro. Com o objetivo de criar narrativas inéditas, o núcleo, trabalhando em formato de Sala de Roteiro, reúne cinco autoras baianas ou radicadas na Bahia – Camila Ribeiro, Onisajé, Sofia Federico, Susan Kalik e Vilma Carla Martins – que colaboram juntas no desenvolvimento de cinco obras audiovisuais: dois longas de ficção, um longa documentário e duas séries de ficção.
O projeto é realizado pela Modupé Produtora e Tesoura Filmes por meio da Lei Paulo Gustavo – edital de Produção Audiovisual da Secult-Bahia. E, ao final do Núcleo Criativo, cada obra terá um material completo, incluindo roteiro dos longas, roteiro do episódio piloto para as séries, bíblia, projeto artístico, projetos executivos e teaser, um combo pronto para que o projeto possa ser apresentado em laboratórios de desenvolvimento, rodadas de negócios, players do mercado audiovisual e editais de produção.
Para Paula Alves e Susan Kalik, produtoras do projeto, o núcleo criativo é uma iniciativa essencial para fortalecer a presença feminina no audiovisual. “Desenvolver roteiros para projetos criados por mulheres não é apenas um ato de resistência, mas também uma forma de trazer narrativas plurais e inovadoras para o centro das produções e para o mercado.”
Durante o período de um ano, as autoras têm trabalhado intensamente em atividades que vão desde a pesquisa inicial até a finalização dos roteiros e materiais artísticos. Esse processo coletivo promove o intercâmbio de ideias, como também estimula a criação de histórias plurais e autênticas, que refletem a diversidade e a complexidade das experiências femininas. Os projetos ainda recebem consultorias convidadas, como: Iana Cossoy, Mariana Trench, Rafaela Leite, Aleksei Abib, Igor Verde e George Walker Torres e Thiago Gomes.
Para Sofia Frederico, o dinamismo e a diversidade é um grande diferencial no projeto: “Somos mulheres com trajetórias muito diferentes, com experiências de vida muito singulares, então quando a gente se junta, sai muita coisa boa! Essa diversidade nos favorece. Sinto que vamos nos inspirando umas nas outras e umas com as outras. É um luxo poder criar assim.”
O impacto das mulheres no audiovisual é inegável. Projetos como o Escrevinhadeiras destacam o talento feminino ao desafiar normas, quebrar barreiras e inspirar futuras gerações. O núcleo criativo reforça o compromisso com narrativas que reflitam a diversidade e a riqueza cultural do Brasil.
Segundo a ABRA, Associação Brasileira de Autores Roteiristas, apenas um quinto (20%) das obras audiovisuais produzidas no Brasil são assinadas exclusivamente por roteiristas mulheres. Escrevinhadeiras destaca-se como um projeto de valorização da autoria feminina no audiovisual, com foco para as salas de roteiro e para as etapas de criação e desenvolvimento, tão importantes na construção das bases criativas e discursivas dos projetos, potencializando ainda mais suas chances no mercado.
Para Susan Kalik, o talento feminino ao desafiar normas quebra barreiras e inspira futuras gerações. O núcleo criativo reforça o compromisso com narrativas afirmativas e que reflitam a diversidade e a riqueza cultural do Brasil. “Estamos juntas em reuniões três vezes por semana. Trabalhamos coletivamente na criação de sinopses, tramas e personagens, mas as decisões autorais são individuais. Nosso objetivo é desenvolver narrativas poderosas e transformadoras que reflitam a complexidade da experiência feminina.”
Onisajé, roteirista do núcleo, destaca a importância de presenças femininas no audiovisual e como as Escrevinhadeiras se tornam um exemplo no cenário baiano: “A autoria feminina, seja em que área das artes for, ainda é um processo de enfrentamentos. Escrevinhadeiras é a validação e valorização da autoria feminina no audiovisual. Para mim, uma excelente fonte de aprendizado e reconhecimento da minha poética de escrita.”
BRAÇOS E ABRAÇOS MULTIPLICADORES
O projeto contempla ainda ações de formação que acontecerão em Salvador, Alagoinhas e online, entre fevereiro e abril, com uma agenda repleta de aulas, cursos e oficinas, e mostra de filmes. No dia 19 de fevereiro, acontece a masterclass online “Criação, desenvolvimento e produção de série de ficção – o caso da série infantil Tabuh!“, além da oficina ministrada por Sofia, as inscrições abertas, pelas redes sociais da roteirista (@benditas.art) e das Escrevinhadeiras (@escrevinhadeiras). Em março, Vilma conduzirá a oficina online “Construção de argumento de ficção ou documentário de curta-metragem”. Entre os dias 26 e 30 de março, em Alagoinhas, dentro do FESTA – Festival de Artes de Alagoinhas, ocorrerá a Mostra de Curtas de Narrativas Femininas – “Cine Ilê”, seguida por um bate-papo com as roteiristas e diretoras Onisajé e Susan Kalik, que abordará a realização audiovisual para mulheres. Em abril, Camila Ribeiro ministrará a oficina “Construindo Personagens” em uma universidade pública na Bahia.
CONHEÇA AS AUTORAS E SEUS PROJETOS
CAMILA RIBEIRO – Cineasta,Mestra pelo Pós Cultura/UFBA, Camila pesquisa a representação de personagens negras no cinema nacional contemporâneo. Seu projeto, GUARDIÃS, é um longa de ficção que aborda o reencontro de duas primas após a morte da avó, revisitando memórias e resolvendo conflitos do passado.
ONISAJÉ – Encenadora Teatral,Doutora em Artes Cênicas e roteirista, Onisajé, desenvolve o documentário BLACK POINT, junto com Susan Kalik. O filme exalta a presença negra no voleibol brasileiro e os desafios enfrentados por atletas negros e a forte presença negra e feminina nas Olimpíadas 2024, em Paris.
SOFIA FEDERICO – Cineasta, diretora e roteirista premiada, Sofia trabalha na série de ficção FAST TERAPIA, uma trama envolvente sobre uma veterinária que, após um evento inusitado, adota uma abordagem nada convencional para tratar animais, enquanto lida com os desafios de sua vida pessoal.
SUSAN KALIK – Roteirista, diretora e produtora, com uma trajetória consolidada no audiovisual, a indicada ao Emmy internacional assina o projeto RITA, um longa de ficção que conta a história de três mulheres negras cujos caminhos se cruzam, quando a mais velha delas – diante de uma doença terminal, decide abreviar a própria vida com dignidade. Levando uma delas à acusação de homicídio, julgamento moral e social.
VILMA CARLA MARTINS – Cineasta,Mestre em Análise Fílmica pela UFBA, roteirista e diretora, Vilma desenvolve a série QUADRO DE DESAPARECIDOS, que acompanha uma repórter de um programa de TV tentando desvendar o mistério envolvendo pessoas desaparecidas. Enquanto as famílias buscam desesperadas por respostas, os desaparecidos reaparecem de forma perturbadora, “sem emoções” e com uma ligação obscura com homens poderosos que buscam controlar a população da cidade.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA) foi criada para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, visando cumprir a Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022.
Serviço:
Masterclass “Criação, desenvolvimento e produção de série de ficção – o caso da série infantil Tabuh!”
Dia 19/02 – 19h a 21h
Formato: online
inscrições e informações: @escrevinhadeiras, no instagram
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Francisco Xavier