Oficinas de empreendedorismo e apresentação das Sambadeiras de Cajazeiras marcam ações afirmativas no bairro
Na última terça (18), o Espaço Boca de Brasa, em Cajazeiras, recebeu o Festival Salvador Capital Afro 2025, com uma programação voltada para o fortalecimento do afroempreendedorismo e da cultura popular no bairro.
A história de Cajazeiras é marcada por uma forte migração interna e ocupações espontâneas, com famílias do interior da Bahia e de outros bairros de Salvador em busca de moradia acessível. Esses movimentos contribuíram para a diversidade cultural e social do bairro, moldando sua identidade. Cajazeiras é um bairro que, apesar de seus desafios, continua a ser um microcosmo urbano vibrante, com uma rica história de desenvolvimento, cultura e vida comunitária.
“Por Cajazeiras ser um dos maiores bairros que temos aqui em Salvador, com 90% da sua população negra, precisamos de eventos como esse para enfatizar que a nossa cidade é negra. Salvador é uma das cidades negras, mesmo tendo recebido os oriundos da diáspora de uma forma ruim, mas que hoje valorizamos, pois o Brasil é negro. É muito importante para o Boca de Brasa estar recebendo o Festival Salvador Capital Afro 2025 aqui e, como gestor do espaço, recebo vocês de portas abertas e a comunidade também recebe. É o que estamos vendo: um evento maravilhoso, de informação e profissionalização dos empreendedores da região,” afirmou Lucas Barral, produtor cultural e gestor do Espaço Boca de Brasa, que ressalta que, enquanto Espaço Boca de Brasa, ele fomenta a cultura para os artistas locais, trazendo as pessoas de Cajazeiras para conhecer o espaço que é feito para a comunidade e pela comunidade.
Entre 9h e 12h, o público participou da Imersão Empreendedora AfroEstima, que oferece conteúdos sobre gestão, identidade visual e sustentabilidade financeira. Também foram realizadas oficinas para afroempreendedores e cadastro de novos afroempreendedores em parceria com o Conselho Britânico. Adicionalmente, entre 9h e 12h, o público voltado para empreendedores varejistas informais pôde participar da Formação Sou Salvador, uma parceria firmada pela SEMDEC.
“Eu sou do bairro da Boca do Rio, empreendo no ramo de artesanato sustentável, com licores artesanais, materiais recicláveis e brechó. Acho importante estar participando de um evento como esse, com o suporte do SAC Empreendedor, por estar tirando nossas dúvidas e nos qualificando nas oficinas, aplicando esses conhecimentos adquiridos em nosso próprio negócio. Dessa forma, poderei fazer meu negócio da melhor forma, seja na organização, na gestão ou nas vendas. Minha maior dúvida era como alavancar as minhas vendas nas redes sociais e aprendi bastante na oficina AfroEstima, além de como posso regularizar a venda do meu licor artesanal na Oficina Sou Salvador,” disse Rosenelma Rocha Santana, durante a programação das oficinas no Espaço Boca de Brasa, Território Cajazeiras.
Para Lilian James Santos, supervisora operacional do SAC Empreendedor, o Festival Salvador Capital Afro é de suma importância porque o SAC vem trazendo informações para as empreendedoras locais, esclarecendo suas dúvidas e mostrando a real importância de estarem atualizadas. “Muitas empreendedoras, por exemplo, não sabem como abrir um MEI, como abrir o seu próprio CNPJ, como regularizar esse CNPJ, e o SAC não só oferece as respostas para as questões da regularização, mas também a capacitação para que se tornem empreendedoras conscientes e ativas no mercado. Nosso objetivo é exatamente essa inovação: capacitá-las para que estejam sempre prontas para o mercado que aí está,” finalizou Lilian James.
O SAC Empreendedor também estava com serviços à disposição da comunidade de Cajazeiras. Os serviços mais procurados no equipamento, gerido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Renda (Semdec), são a impressão do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), as negociações e a formalização como Microempreendedor Individual (MEI). O SAC do Empreendedor se destaca pela oferta de serviços e pela qualificação, com o objetivo de estimular e fortalecer o desenvolvimento do empreendedor e o ambiente de negócios na capital baiana.
“Como presidente do Conselho Distrital de Saúde de Cajazeiras, a importância de receber o Festival Salvador Capital Afro aqui no Espaço Boca de Brasa é significativa, pois as empreendedoras mulheres necessitam de um espaço mais amplo do que temos em visibilidade profissional no dia a dia, sendo este um momento ímpar para todas essas mulheres aqui presentes. Meu conselho é: ‘Se joguem, mulheres, porque vocês podem, vocês alcançam, vocês têm valor’,” afirmou Raquel Miranda, moradora do bairro há mais de 45 anos.
Para Miriam Ribeiro, moradora de Cajazeiras há mais de 40 anos, a presença do Festival Salvador Capital Afro 2025 é vista com grande relevância para as empreendedoras de todos os segmentos do bairro, pois acredita que o bairro é “carente” em questões de visibilidade de eventos, potencializando o trabalho de cada segmento. “Hoje estou muito feliz em participar desse evento. Eu empreendo na área de gastronomia e confeitaria na empresa que criei, chamada ‘Miriam Gourmet’, e vejo que ainda estamos no anonimato se compararmos com outras áreas e outros bairros de Salvador. Aqui podemos conectar todos os segmentos e formar uma rede de potências,” finalizou Miriam.
Encerrando as ações do Festival Salvador Capital Afro, as Sambadeiras de Cajazeiras mostraram todo o vigor, energia, alegria e vitalidade durante sua apresentação artística no Espaço Boca de Brasa. Atualmente, são 30 senhoras, entre 65 e 92 anos, que cantam, tocam e desfilam. Elas também produzem suas fantasias. O Espaço Boca de Brasa Cajazeiras foi inaugurado em 2020 e integra o complexo onde também estão sediados a Prefeitura Bairro e o Mercado Municipal. Possui uma sala de espetáculos com capacidade para 252 pessoas, equipada com aparato de sonorização e iluminação cênica.
Já para Ana Bárbara Menezes, orientadora de campo do Programa Agentes do Empreendedorismo, que integra o Parque Social em parceria com a SEMDEC, a importância das oficinas empreendedoras na descentralização do Festival Salvador Capital Afro é justamente a inovação no fomento ao empreendedorismo. “Aquelas pessoas que pensam em empreender e que precisam de uma ideia do que fazer, trabalhamos com oficinas e hoje temos muitos empreendedores parceiros nessa área de oficinas ligadas ao afroempreendedorismo. Temos capacitações em Oficinas de Turbantes e com trancistas que já realizam esses trabalhos nas comunidades, associadas a nós,” informou Ana Bárbara.
Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), o Festival Salvador Capital Afro chega à sua 4ª edição consolidado como uma das mais importantes plataformas de valorização da cultura afro-brasileira, da economia criativa e do afroempreendedorismo no país.
Com uma programação descentralizada, o festival leva painéis, oficinas, rodas de conversa, feiras afrocriativas e apresentações artísticas a bairros como Candeal, Liberdade, Nordeste de Amaralina, Itapuã, Ribeira, Ilha de Maré e Cajazeiras, conectando periferia e centro em um grande mosaico de experiências que celebram a identidade afro-soteropolitana.
Com o tema “Territórios em Rede, Raízes em Movimento”, o festival reafirma que a ancestralidade é viva, dinâmica e transformadora, transformando Salvador em uma grande rede de saberes e encontros, onde cada bairro é raiz e movimento ao mesmo tempo.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação
