SalvadorViolência

Iniciativa Negra aponta padrão racial em ações policiais após 11 mortes em 24h na Bahia

A morte de 11 pessoas em ações policiais na Bahia em um intervalo de apenas 24 horas, entre domingo (25)e segunda (26), acendeu um novo alerta sobre o padrão racial da violência institucional no estado. Para a Iniciativa Negra (IN), os episódios reforçam que a política de segurança pública baiana segue produzindo um impacto desproporcional sobre corpos negros, sobretudo em territórios periféricos.

As ocorrências, registradas em diferentes regiões do estado, foram oficialmente classificadas como confrontos com a Polícia Militar. No entanto, para organizações do movimento negro e especialistas em segurança pública, a repetição desse tipo de desfecho revela um modelo de atuação que normaliza a morte como resultado da intervenção estatal.

Para Dudu Ribeiro, fundador da IN e especialista em Segurança Pública, os números não podem ser tratados como episódios isolados.
“Quando 11 pessoas morrem em ações policiais em apenas 24 horas, não estamos diante de exceções, mas de um padrão estrutural. Na Bahia, esse padrão tem cor, território e classe social. São, em sua maioria, jovens negros das periferias, alvos preferenciais de uma política que ainda confunde segurança com extermínio. Reduzir homicídios é importante, mas não basta quando o próprio Estado segue produzindo mortes.”

Apesar de dados oficiais indicarem queda de 13,1% nos homicídios gerais na Bahia em 2025, segundo Dudu, a letalidade decorrente de ações policiais permanece elevada e desconectada de uma política efetiva de preservação da vida. “É importante que a gente consiga observar que ainda há uma participação importante das forças de segurança na letalidade no Brasil e é necessário investir na redução desses índices. É importante avaliar quais indicadores são os mais relevantes na queda dos homicídios registrados e conseguir incentivar políticas públicas e eficientes que preservem a vida e que garantam direitos. Precisamos entender que qualquer debate sobre segurança pública é necessário que a gente tenha transparência nos dados, controle externo das ações policiais, protocolos de atuação dessas forças e adoção de estratégias que sejam pautadas na preservação da vida, sobretudo as vidas violadas historicamente”, afirmou Dudu Ribeiro.

Fonte / Foto: Divulgação IN

Related posts

Moradores apresentam demandas em mais uma edição do Câmara Itinerante

admin

Em sessão ordinária, vereadores debatem educação na CMS nesta segunda (19)

Fulvio Bahia

Sinjorba se solidariza com Cintia Kelly e defende liberdade da imprensa

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais