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Pesquisa revela como os endocanabinoides se movem no cérebro

Eureca: cientistas derrubam teoria de décadas e descobrem que os endocanabinoides não flutuam livremente no cérebro

Um estudo recente, realizado por maioria de pesquisadores holandeses, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS) revelou um mecanismo inédito de transporte dos endocanabinoides no cérebro. Conforme destacou o jornal News Weed, durante décadas, acreditava-se que essas moléculas, os endocanabinoides, flutuavam livremente entre os neurônios, semelhante à dopamina e à serotonina. Entretanto, pesquisadores da Universidade de Leiden demonstraram que eles são transportados por vesículas de gordura, abrindo caminho para novos tratamentos para dor e doenças neurológicas.

A relevância dos endocanabinoides

Os endocanabinoides são compostos produzidos naturalmente pelo organismo e têm um papel essencial na regulação da dor, ansiedade e memória. Entre os principais estão a anandamida e o 2-AG, sendo este último o foco do estudo.

Até recentemente, o rastreamento do 2-AG era um desafio devido à sua natureza lipofílica, tornando-o invisível aos métodos convencionais de microscopia. No entanto, avanços tecnológicos permitiram aos cientistas observar seu comportamento com precisão.

Nova tecnologia revela o transporte do 2-AG

Uma equipe de pesquisadores chineses desenvolveu um sensor avançado que possibilitou visualizar o movimento do 2-AG em tempo real. Esse sensor ilumina as células quando detecta a molécula, permitindo a observação direta do processo.

Graças a essa tecnologia, Verena Straub, doutoranda da equipe de Mario van der Stelt, confirmou que o 2-AG viaja em vesículas de gordura. Quando os pesquisadores bloquearam a formação dessas vesículas, os níveis de 2-AG diminuíram drasticamente. Em testes adicionais, cada vesícula analisada continha aproximadamente duas mil moléculas de 2-AG.

Validação e colaboração internacional

Para garantir a precisão dos resultados, os cientistas colaboraram com um grupo de pesquisa nos Estados Unidos. Essa parceria permitiu a análise do transporte do 2-AG em tecidos cerebrais intactos, confirmando a teoria das vesículas.

Além disso, um modelo matemático desenvolvido em parceria com Coen van Hasselt, professor de farmacologia, reforçou a hipótese de que o transporte via vesículas é o método predominante para o 2-AG.

Implicações para tratamentos neurológicos

Essa descoberta revoluciona a compreensão sobre a sinalização endocanabinoide e pode abrir novas possibilidades terapêuticas. Como o 2-AG está diretamente ligado ao controle da dor e a doenças neurológicas, entender seu transporte pode levar ao desenvolvimento de medicamentos mais eficazes.

Segundo Van der Stelt, essa pode ser uma nova forma de comunicação entre neurônios. O próximo passo é explorar como manipular esse sistema para regular melhor a função do 2-AG no organismo.

Perspectivas futuras e novas pesquisas

O impacto dessa descoberta pode ir além dos endocanabinoides. Van der Stelt sugere que outras moléculas lipofílicas também possam ser transportadas por vesículas de gordura, abrindo um novo campo de pesquisa na neurociência.

Com estudos em andamento, os cientistas buscam maneiras de influenciar esse transporte para criar tratamentos inovadores para dor crônica, epilepsia e doenças neurodegenerativas.

Fonte: Sechat
Imagem de Eleanor Smith por Pixabay

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