CulturaLiteraturaRacismo

Pesquisador baiano Manuel Alves revela documentos inéditos sobre a chegada da eugenia no Brasil e propõe novo conceito de branquitude

Estudo pioneiro antecipa em pelo menos três anos o marco inicial da eugenia no Brasil e apresenta o conceito de Micropoder da branquitude, ampliando o debate

A recente pesquisa do historiador e professor Manuel Alves de Sousa Junior, doutor em Educação pela UNISC e docente do IFBA em Lauro de Freitas, trouxe à tona cinco documentos inéditos que mudam o entendimento sobre a chegada da eugenia ao Brasil. Os registros, encontrados em jornais e revistas datados entre 1909 e 1912, revelam que a presença da doutrina racial no país aconteceu antes do que apontavam os estudos anteriores.

A eugenia, formulada no final do século XIX pelo inglês Francis Galton, ganhou espaço global no início do século XX, alcançando, por exemplo, a Europa, os Estados Unidos e diferentes países da América Latina. Até então, os pesquisadores situavam a entrada da eugenia no Brasil a partir da década de 1910, com destaque para 1912, ano citado por Renato Kehl, principal defensor da eugenia no país na primeira metade do século XX. O levantamento de Sousa Junior, no entanto, mostra que já em 1909 o tema era noticiado na imprensa brasileira, especialmente sobre a atuação da Sociedade Eugênica de Londres e os debates internacionais que culminaram no I Congresso Internacional de Eugenia em 1912.

“Compreender que a eugenia começou no Brasil antes do que se supunha ajuda a repensar o impacto histórico e social dessas práticas sobre populações negras, indígenas, pobres e pessoas com deficiência. Tal constatação tem implicações diretas na forma como a sociedade analisa, até hoje, temas como racismo, saúde pública, educação e política”, explica o pesquisador.

A tese de doutorado de Sousa Junior, intitulada “Branco com branco, preto com preto: contribuições da educação eugênica para a produção da branquitude no Brasil (1909-1945)”, evidencia como as ideias eugenistas influenciaram diretamente a constituição da branquitude no país, legitimando estereótipos raciais, políticas de imigração seletiva e práticas discriminatórias que reverberam até hoje.

“A justificativa científica para o racismo, a influência da eugenia na Educação e na Cultura, e ideais eugenistas como política de Estado são alguns exemplos de contribuições para a constituição da branquitude no Brasil. O enraizamento desses elementos na sociedade deixou como legado um impacto que ainda pode ser percebido na contemporaneidade”, destaca o autor.

Micropoder da branquitude
Além de trazer novos marcos históricos, a pesquisa também propõe uma ampliação conceitual ao debate acadêmico. Sousa Junior apresenta o termo Micropoder da branquitude, compreendido como um segmento do biopoder que se manifesta de forma capilar nas relações sociais. Segundo o autor, ele atua por meio de sinais subjetivos e não verbais que garantem privilégios simbólicos e materiais à população branca.

“Compreender o fenômeno Micropoder da branquitude é fundamental para desvelar os mecanismos que perpetuam desigualdades raciais, sobretudo por meio da subjetividade e, assim, fortalecer estratégias de enfrentamento ao racismo e de promoção da equidade social”, afirma.

Produção intelectual e agenda literária
Manuel Alves de Sousa Junior é autor e organizador de 24 livros, sendo 15 dedicados às questões raciais. Entre suas obras recentes estão “Dicionário racial: termos afro-brasileiros e afins – volume 1” (2024), com o segundo volume previsto para dezembro, “História da raça, mestiçagem e branqueamento da população no Brasil” (2024) e “Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade” (2025).

Atualmente, participa de eventos literários em diferentes estados do país. Sua agenda inclui a FLILAURO, em Lauro de Freitas (12/09), a FLICAR, em Amélia Rodrigues (19 e 20/09), a Bienal do Livro de Pernambuco (03 a 07/10) e a Bienal do Livro de Alagoas (31/10 a 03/11).

Ficha técnica
Pesquisador: Manuel Alves de Sousa Junior
Formação: Doutor em Educação pela UNISC | Historiador | Professor do IFBA Lauro de Freitas | Colunista do Soteroprosa | Administrador do perfil @debateracialpolitico
Obras publicadas: 24 livros, sendo 15 na área racial.

Serviço
Mais informações sobre o pesquisador e suas publicações: @debateracialpolitico

Fonte: Assessoria de Imprensa – Caroline Vilas Bôas
Foto: Divulgação

Related posts

Festa de Reis provoca alterações no trânsito da Lapinha e Liberdade

admin

Uma contribuição muito especial para a Biblioteca do Jornalista Baiano

Fulvio Bahia

Feira de Variedades celebra a chegada da primavera na Praça Aquarius

Fulvio Bahia

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você concorda com isso, mas você pode desistir caso deseje. Aceitar Leia Mais