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Sílvio Humberto critica revogação de interdição da “Passarela do Apartheid” em Salvador

O parlamentar classificou a estrutura como um símbolo de exclusão e privilégio na capital baiana, lamentando a decisão judicial que permitiu a continuidade do uso do equipamento.

O vereador Sílvio Humberto (PSB) utilizou suas redes sociais lamentar a recente decisão judicial que revogou a interdição da passarela que dá acesso a um camarote na Barra, em Salvador. O equipamento, nomeado por movimentos sociais de “Passarela do Apartheid”, tem sido alvo de intensas críticas por simbolizar a segregação urbana na cidade.

A decisão foi proferida pelo mesmo juiz que anteriormente havia concedido a liminar para a interdição. Embora a nova decisão acolha parte do pleito do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU), ela permite que a estrutura continue funcionando em caráter excepcional, dando à empresa responsável o prazo de um ano para reparar os danos ao meio ambiente.
“O dano provocado vai ser aceito e a empresa tem um ano para reparar o meio ambiente”, resumiu o parlamentar, criticando o que chamou de “juridiquês” que, na prática, mantém o privilégio de poucos em detrimento do uso coletivo do espaço público.

Para Sílvio Humberto, a existência da passarela é uma afronta à identidade de Salvador. Ele destacou a contradição de se criar zonas de exclusão em uma cidade que se orgulha de ser a capital negra do Brasil e um símbolo de mistura cultural.
“Numa cidade que se considera da mistura, se cria uma zona de privilégio, onde as pessoas não podem se misturar”, afirmou. O vereador reforçou que a visão de quem se sente excluído, o “grosso da população”, não foi devidamente observada no processo.

Ao encerrar seu posicionamento, Sílvio Humberto utilizou um termo crítico para descrever a gestão da cidade, chamando-a de “Salvador da Afroconveniência”. Segundo ele, a manutenção da passarela reafirma um caráter de segregação que persiste apesar do discurso oficial de valorização da cultura negra.

O parlamentar garantiu que continuará acompanhando o caso, defendendo que o urbanismo da cidade deva servir para integrar as pessoas, e não para reforçar barreiras sociais e raciais.

Fonte / Foto: Ascom ver Sílvio Humberto

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