O orgasmo, muitas vezes tratado como tabu, é parte fundamental da saúde e do bem-estar das mulheres. No entanto, para milhões delas, ele se torna um ponto distante, marcado por frustração e silêncio.
Estudos recentes mostram que até 72% das mulheres em idade fértil enfrentam o Transtorno Orgásmico Feminino (TOF), uma condição que vai além da intimidade, impactando a saúde mental, a autoestima e até as relações sociais.
Cannabis como aliada no tratamento
Uma revisão de 16 pesquisas, que analisou dados de mais de 8 mil mulheres, revelou evidências consistentes: a cannabis melhora a função sexual feminina, especialmente no orgasmo. Entre os resultados apontados estão aumento da frequência, intensidade e qualidade, além de maior satisfação e até a possibilidade de múltiplos orgasmos. Diante disso, os especialistas sugerem que a cannabis seja considerada como um tratamento de primeira linha para o TOF, algo inédito até hoje, já que não há terapias aprovadas pela FDA para essa condição.
Políticas de saúde e o reconhecimento do prazer
O reconhecimento do TOF como uma condição digna de tratamento ainda é um desafio político e cultural. Atualmente, apenas três estados norte-americanos – Illinois, Connecticut e Novo México, incluem o transtorno como critério para acesso à cannabis medicinal.
Para especialistas como a sexóloga clínica Suzanne Mulvehill, idealizadora da pesquisa citada acima, esse passo vai além da ciência: é também um ato de afirmação da importância da saúde sexual feminina. Como apontam os autores da revisão, ignorar o problema é negligenciar não só o prazer, mas a dignidade e o bem-estar de milhões de mulheres.
Fonte: Sechat
Foto: Freepick
