Criptoativos sobem em meio à instabilidade política global; analistas destacam força institucional e escassez crescente no mercado do Bitcoin.
O preço do Bitcoin BTC na manhã desta terça-feira (7) está cotado emR$ 663.119,79. Os touros mantêm firme a alta do Bitcoin e estão sustentando o preço acima de US$ 124 mil, o que abre caminho para US$ 130 mil ainda na semana.
Bitcoin análise macroeconômica
André Franco, CEO da Boost Research, aponta que os mercados globais operaram sob pressão por conta das tensões políticas no Japão e na França, além do prolongamento do shutdown nos EUA. A vitória de Sanae Takaichi, de perfil expansionista, impulsionou o principal índice japonês a novas máximas, mas derrubou o iene e os títulos japoneses. Já na Europa, a renúncia do primeiro-ministro francês aumentou a instabilidade, pesando sobre o euro.
O dólar se manteve forte, contrariando as expectativas de enfraquecimento. Nesse contexto, o ouro e o Bitcoin subiram, alcançando novas máximas, refletindo a busca por ativos alternativos em meio à incerteza. Com o Bitcoin cotado em US$ 124.500, a expectativa de curto prazo é neutra a levemente positiva.
A instabilidade política reforça o apelo por ativos não correlacionados e o ouro em alta indica que parte do capital de refúgio está migrando para metais preciosos e criptomoedas. No entanto, o dólar firme limita a força de valorização do BTC, tornando provável uma fase de consolidação antes de uma possível nova pernada altista. Caso falas dovish surjam ou o fluxo de apetite por risco se intensifique, o BTC pode buscar romper resistências próximas (US$ 126.000–128.000). Caso o dólar retome vigor ou surjam choques negativos, o preço pode recuar para suportes em torno de US$ 120.000–122.000.
Mike Ermolaev, analista e fundador da Outset PR, afirma que desde o fundo em novembro de 2022, as reservas de Bitcoin em exchanges globais entraram em forte tendência de queda. Esse movimento indica que os investidores estão cada vez menos propensos a deixar suas moedas disponíveis em exchanges, preferindo a autocustódia ou o saque para carteiras frias.
Tal comportamento geralmente está associado a uma posição de longo prazo, visto que a redução da oferta circulante nas plataformas de negociação tende a pressionar positivamente o preço no médio e longo prazo.
A forte demanda institucional começou a se manifestar com mais clareza em 2023 e, cerca de um ano depois, o lançamento oficial dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos marcou a consolidação dessa fase. Esses veículos de investimento abriram as portas para que investidores institucionais e grandes fundos acessassem o mercado de forma regulada, gerando forte pressão compradora.Como resultado, as reservas em exchanges caíram para o menor nível em sete anos, refletindo uma redução drástica na liquidez disponível para venda imediata. Essa dinâmica sugere que o Bitcoin está se tornando cada vez mais escasso nos mercados tradicionais, reforçando a tese de que uma redução na oferta pode ser um dos principais gatilhos para a sustentação de novos ciclos de valorização.
Alta atual não é hype
O mercado global de criptoativos entrou oficialmente em território histórico. O Bitcoin atingiu um novo recorde de US$ 125.899, alta de 6,4% em apenas 24 horas, impulsionado por fortes entradas em ETFs, menor oferta circulante e redução nas vendas de grandes investidores.
“Esse rali não é especulação de varejo, mas convicção institucional”, afirmou Timothy Misir, chefe de pesquisa da BRN. “Os fluxos para ETFs e a queda na oferta nas exchanges mostram uma mudança estrutural de longo prazo.”
Segundo dados de mercado, os ETFs de Bitcoin registraram US$ 1,19 bilhão em aportes somente em 6 de outubro, liderados pela BlackRock, com US$ 970 milhões. Nenhum fundo reportou saques. Já os ETFs de Ethereum somaram US$ 177 milhões, completando seis dias consecutivos de fluxo positivo.
O movimento de alta não se restringiu às criptomoedas. O ouro superou a marca histórica de US$ 4.000 por onça, fortalecendo o chamado “trade da escassez”, em que investidores buscam ativos não soberanos e resistentes à inflação.
“O avanço simultâneo de Bitcoin e ouro mostra que o mercado está reprecificando o valor da escassez em escala global”, explicou Misir. “Há uma mudança de regime: liquidez em alta, juros em queda e demanda por ativos duros.”
A melhora no ambiente geopolítico também ajudou. As negociações de cessar-fogo em Gaza aliviaram tensões e impulsionaram o apetite por risco, favorecendo o retorno de capital a ativos digitais e ações.
Enquanto o Bitcoin lidera a narrativa de escassez, o Ethereum saltou para US$ 4.735, e o BNB atingiu US$ 1.242, ambos acompanhando o fluxo institucional. Dados on-chain mostram que as baleias retiraram US$ 1,64 bilhão em BTC das exchanges nos últimos 30 dias, indicando redução na pressão de venda e acúmulo em carteiras privadas.
“Essa é uma das fases mais saudáveis da história do Bitcoin”, observou Misir. “Temos menos alavancagem, posições mais limpas e uma base de compradores genuínos. É um mercado em amadurecimento.”
No campo técnico, o Bitcoin rompeu resistências entre US$ 124 mil e US$ 125 mil, e agora encontra suporte em US$ 121 mil. A consolidação entre US$ 123 mil e US$ 126 mil é vista como movimento natural antes de um novo avanço rumo a US$ 135 mil.
Entre os riscos no horizonte, analistas destacam a possibilidade de estagnação nos fluxos de ETFs, reprecificação macro em função das falas do Fed e mercado tecnicamente sobreaquecido. “Os indicadores de força relativa e taxas de financiamento mostram sinais de leve euforia”, alertou o analista.
Mesmo assim, o cenário segue amplamente positivo. “Esse rali é sustentado por fundamentos, não por hype”, disse Misir. “Instituições estão comprando escassez em meio a uma oferta que se estreita rapidamente. É a consolidação do Bitcoin como ativo macro global.”
Com liquidez robusta, fundamentos sólidos e menor pressão vendedora, o próximo alvo do mercado é a faixa entre US$ 135 mil e US$ 140 mil, reforçando o tom otimista entre investidores profissionais.
“Não estamos vendo euforia, mas sim a calma convicção de quem entende o valor da escassez”, concluiu Misir.
Bitcoin análise técnica
O analista-chefe da Coinext, Taiamã Demaman, destaca que a alta atual é sustentada por um gatilho prático que foi o acúmulo de posições vendidas entre US$114 mil e US$117,5 mil. Quando o preço reverteu para cima, esses vendedores foram forçados a recomprar para limitar perdas: esse processo (short squeeze) ampliou rapidamente o movimento e empurrou o BTC rumo a US$125 mil.
Segundo ele, o movimento foi reforçado por cerca de US$2,2 bilhões em entradas líquidas nos ETFs de Bitcoin à vista nos primeiros dias de outubro, com US$985 milhões concentrados numa única sexta-feira, clara evidência de apetite institucional.
No plano macro, o shutdown do governo dos EUA, iniciado em 1º de outubro, e o adiamento de indicadores importantes aumentaram a percepção de risco fiscal. Isso, somado à alta probabilidade (92,5%) de um corte de juros pelo Fed em 29/10, eleva expectativas de mais liquidez em dólares, um ambiente que tende a favorecer o Bitcoin.
O risco no curto prazo é a realização de lucros por grandes players, já que quase todos os investidores estão no ganho. É importante, portanto, acompanhar os níveis técnicos de preço a partir das liquidações de mercado: temos suportes-chaves em US$117,5 mil e, em correção mais forte, US$114,5 mil.Por outro lado, caso haja persistência nos níveis atuais, os próximos alvos estão em US$133 mil, com extensão a US$144 mil.”
Paulo Aragão, apresentador e fundador do podcast Giro Bitcoin, destaca que o Bitcoin começou outubro em alta e renovou sua máxima histórica ao alcançar US$ 125.710, uma valorização de 17,08% em relação às mínimas de setembro. O movimento veio após o ativo encontrar suporte firme na região dos US$ 107.500, onde a pressão vendedora perdeu força e o mercado voltou a reagir positivamente. O bom desempenho também se refletiu no restante do mercado cripto, que abriu o mês em terreno positivo.
“A sazonalidade agora favorece uma perspectiva otimista para o BTC. Historicamente, outubro, conhecido no mercado como “Uptober”, apresentou retornos positivos em nove dos últimos onze anos, com ganhos médios de cerca de 21%. O quarto trimestre também costuma ser o mais forte para o Bitcoin, com valorização média próxima de 80%.
Uma análise da Bitfinex destaca que um dos principais fatores por trás da recuperação do Bitcoin tem sido a forte redução na pressão de venda. A correção no fim do verão do Hemisfério Norte foi impulsionada, sobretudo, pela capitulação de short-term holders (investidores de curto prazo) e pela distribuição de grandes volumes por baleias, movimento que coincidiu com a realização de lucros após o primeiro corte de juros do Federal Reserve.
Com a liquidação das posições alavancadas e a recuperação da faixa entre US$ 110 mil e US$ 112 mil, a nova demanda conseguiu absorver a oferta, reacendendo o fôlego comprador. O cenário macro também tem ajudado: os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA voltaram a registrar entradas, com média diária acima de US$ 647 milhões na última semana, e a distribuição por grandes detentores desacelerou de forma significativa. O quadro permanece favorável: um Fed mais dovish (flexível), inflação em desaceleração, fluxo positivo em ETFs e suporte on-chain estável indicam que a fase de correção pode ter ficado para trás.
Portanto, o preço do Bitcoin em 07 de outubro de 2025 é de R$ 663.119,79. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0015 BTC e R$ 1 compram 0,0000015 BTC.
As criptomoedas com maior alta no dia 07 de outubro de 2025, são: Plasma (XPL), PancakeSwap (CAKE) e Mantle (MNT), com altas de 7%, 5% e 4% respectivamente.
Já as criptomoedas que etão registrando as maiores baixas no dia 07 de outubro de 2025, são: Zcash (ZEC), SPX6900 (SPX) e Hyperliquid (HYPE) com quedas de -12, -7% e -5% respectivamente.
Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletidas nas posições do Cointelegraph Brasil e do Caderno Baiano. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar decisão.
Fonte: CoinTelegraph
Imagem de Petre Barlea por Pixabay
