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Uso da Cannabis sativa avança na medicina veterinária de pequenos animais, aponta estudo brasileiro

Pesquisa brasileira aponta benefícios da Cannabis sativa no tratamento de cães e gatos, com aplicações em doenças crônicas, neurológicas e no manejo da dor

Um estudo publicado na revista Pubvet (v.19, n.01, e1718, 2025) traz uma análise detalhada sobre a utilização da Cannabis sativa na prática clínica veterinária de pequenos animais, destacando a crescente importância da planta no tratamento de doenças que afetam cães e gatos.

A pesquisa, conduzida por Hellen Thawane Duarte e Luciana Hugue de Souza Zat, do Centro Universitário União Dinâmica das Cataratas (Foz do Iguaçu-PR), teve como base uma revisão bibliográfica estruturada de artigos científicos publicados nos últimos três anos na base de dados PubMed, com acesso gratuito.

Avanços na clínica veterinária

O levantamento identificou que os compostos da Cannabis, especialmente o canabidiol (CBD), têm sido aplicados com resultados positivos em diferentes situações clínicas:

  • Cães: tratamento de dermatite atópica crônica, epilepsia, estresse induzido por viagem e câncer urotelial.
  • Gatos: uso como analgésico para osteoartrite crônica.

Esses achados reforçam a tendência da medicina veterinária em acompanhar os avanços já consolidados na medicina humana, onde a Cannabis vem sendo utilizada no manejo da dor, inflamação, distúrbios neurológicos e diversas outras condições.

Sistema endocanabinoide: chave para os efeitos terapêuticos

O estudo destaca ainda o papel do sistema endocanabinoide (SEC), formado por receptores, ligantes endógenos e enzimas, fundamental na regulação de funções como dor, metabolismo, sono, humor, memória, inflamação e atividade muscular. A interação dos fitocanabinoides com esse sistema explica a diversidade de efeitos terapêuticos observados.

História e regulamentação

Apesar do destaque atual, o uso da Cannabis medicinal não é novidade. Registros históricos apontam que a planta era utilizada há mais de 2.700 anos na China e Índia para tratar doenças como malária, dores intensas, reumatismo, convulsões e até distúrbios menstruais. Na Europa, sua aplicação medicinal também foi registrada em receitas contra dores estomacais, problemas nervosos e reumatismo.

No entanto, o cenário mudou a partir do século XX, quando diversos países passaram a restringir o consumo e a produção da Cannabis, culminando em seu banimento como substância de uso medicinal em muitos lugares. Hoje, com novos estudos científicos, observa-se um movimento de revalorização e regulamentação do uso terapêutico da planta, incluindo a área veterinária.

Importância para médicos veterinários e tutores

Segundo as autoras, a revisão serve como fonte de informação para médicos veterinários, estudantes e pesquisadores, além de orientar futuras investigações na área. Com base científica, os profissionais podem ampliar suas opções terapêuticas, oferecendo aos tutores de animais domésticos novas possibilidades de tratamento seguro e eficaz.

“A Cannabis sativa, antes estigmatizada, vem sendo redescoberta pela ciência. Na medicina veterinária, representa uma alternativa inovadora para o cuidado com cães e gatos, especialmente em casos de difícil manejo clínico”, destacam Duarte e Zat no artigo.

 

Referência:
DUARTE, Hellen Thawane; ZAT, Luciana Hugue de Souza. Análise da utilização da Cannabis sativa na prática da clínica veterinária de pequenos animais: uma visão atual. PUBVET, v.19, n.01, e1718, p.1-7, 2025. DOI: 10.31533/pubvet.v19n01e1718

Fonte: Sechat
Foto: Reprodução Sechat

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