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Exposição “O Amanhã Não Existe”, do fotógrafo francês Denis Rouvre, estreia na Caixa Cultural Salvador

Como um conto fotográfico, a mostra revela 43 obras que celebram a força do espírito humano e alertam para um iminente colapso do planeta

A CAIXA Cultural Salvador apresenta, de 27 de agosto a 25 de outubro, a exposição “O Amanhã Não Existe”, do fotógrafo francês Denis Rouvre, um dos mais reconhecidos retratistas contemporâneos, que já soma, em seu portfólio, seis prêmios internacionais, nove livros e 35 mostras individuais. Nesse seu mais recente trabalho, o artista propõe uma reflexão sobre os desafios ambientais, as desigualdades sociais e a extraordinária capacidade humana de reinvenção diante das adversidades. Com acesso gratuito, patrocínio da CAIXA e apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, a exposição pode ser visitada de terça a domingo, das 9h às 18h.

A ideia da mostra é que ela seja contemplada como um grande conto fotográfico que transita entre realidade e ficção, ao fazer o espectador imaginar o dia seguinte ao possível colapso da atual sociedade global. Em um cenário pós-apocalíptico, homens e mulheres aparecem nas imagens como sobreviventes de um mundo em ruínas, vestindo figurinos confeccionados a partir de elementos da natureza e resíduos urbanos – metaforicamente, esses vestígios do passado são percebidos como sinais de resistência, liberdade e esperança. Se o amanhã não existe, portanto, é preciso pensar hoje, o quanto antes, em maneiras de evitar a sucumbência do planeta.

As 43 obras, com tamanhos de 80 x 80cm (quadradas) e 125 x 80cm (horizontais), foram organizadas em quatro núcleos narrativos: A Linha que se Dissolve, A Nova Humanidade, O Dia Seguinte e O Divino que se Revela. As seções contêm textos introdutórios e alternam imagens de um futuro imaginado com registros do presente. A aproximação entre esses dois tempos provoca uma indagação sobre o quanto esse cenário distópico já se manifesta na presente realidade e quais escolhas podem ser feitas hoje para transformar o amanhã. É dessa forma que é construída a sequência visual que conduz o visitante pela narrativa do conto fotográfico.

“A mostra celebra a força do espírito humano, a coragem de lutar contra as adversidades e a beleza que emerge das histórias de resiliência. Cada pessoa retratada é uma guerreira – um símbolo de força e adaptabilidade, capaz de superar desafios, renascer e encontrar harmonia mesmo em meio a situações desfavoráveis”, explica Denis Rouvre. Para Bruno Ko, que assina a curadoria ao lado do próprio artista, a exposição se destaca justamente pela forma como Rouvre coloca as pessoas no centro da narrativa. “O Amanhã não Existe é sobre pessoas. Quais ações podemos fazer no presente para melhorar nossas relações e o impacto que deixamos no mundo?”, pondera ele.
Ao concluir o percurso expositivo, os visitantes não devem esperar respostas, mas, sim, novas questões reflexivas. Imersos em uma sociedade do consumo que parece ter atingido seu ápice, quais práticas podemos experimentar para repensar o planeta? A partir do contraponto proporcionado pela potência artística de Denis Rouvre, capaz de imaginar um mundo reinventado, as fotografias nos incentivam a refletir sobre os desafios climáticos, as desigualdades sociais e o espírito de sobrevivência humana. “Unindo arte, resiliência e sustentabilidade, a exposição destaca o que há de mais profundo e universal em nossa humanidade compartilhada”, reforça Bruno Ko.

Cenário disruptivo

Todas as fotografias da exposição foram produzidas no Ceará, estado brasileiro onde o artista francês decidiu morar. Jericoacoara, Tatajuba e Fortaleza serviram de cenários futuristas. Em Fortaleza, por exemplo, foram escolhidas localidades como a Comunidade do Pirambu, o Edifício São Pedro (recentemente demolido) e a Sucata Chico Alves. A cenografia adotou uma linguagem minimalista, com pintura em tons de chumbo em todo o ambiente, o que favoreceu o controle da iluminação e destacou os modelos humanos expostos, os quais foram transformados em personagens reais e imaginários.

Tais personagens são apresentados como heróis, artesãos do futuro, uma vez que, após a derrocada da sociedade de consumo, eles precisaram se reerguer e renascer, quebrar padrões e evoluir para a construção de um novo planeta. Daí a ideia de criar figurinos com resíduos de lixo, para evidenciar que esses heróis, transformados pelas ruínas de um mundo que já não existe mais, precisaram se reinventar por meio dos materiais residuais que se acumularam. É nesse futuro disruptivo com estética a la Mad Max, onde não há fronteiras entre a realidade e a imaginação, que a esperança na humanidade resiste, no limite do tempo presente.

Para completar essa atmosfera que enseja o renascimento da sociedade, o projeto da exposição ainda contempla a instalação de quatro caixas de som para reprodução de trilha sonora ambiente, contribuindo para a imersão do público na experiência expositiva. Ao longo da mostra, os visitantes também se sentirão como heróis modernos desse conto fotográfico filosófico, com a nítida sensação de necessidade de adaptação para o enfrentamento de um futuro em construção.

Sobre Denis Rouvre

Fotógrafo autoral com seis premiações nos maiores concursos de fotografia do mundo, 35 exposições individuais e nove livros publicados, Denis Rouvre nasceu em Épinay-sur-Seine, na França, em 1967, e se formou em fotografia na École Nationale Louis Luimère, em 1987. Rapidamente, ganhou reconhecimento mundial na área de retratos, trabalhando com celebridades como Robert De Niro, Tilda Swinton, Tom Hanks e Morgan Freeman, em festivais como Cannes, Deauville e D’Arles.

Também estampou capas de revistas como The New York Times Magazine, Le Monde, Elle, Libération, Guardian, Marie-Claire, Photo, Première e Télérama, além de ter produzido capas de álbuns para artistas como Kendrick Lamar e Gerald de Palmas. Em 2008, se afastou da imprensa e iniciou sua carreira autoral realizando diversos projetos ao redor do mundo. Seu trabalho ficou tão conhecido, que é usado como material de estudo na Escola Nacional de Fotografia da França (ENSP).

Denis Rouvre passou a empreender uma busca por aquilo que conecta os seres humanos ao redor do mundo, afirmando uma estética pessoal de retratos em estúdio com fundo preto. Durante 10 anos, entre 2014 e 2024, viajou pelo Brasil, acumulando um total de nove projetos autorais. Foi nesse período que ele decidiu morar permanentemente no Brasil, escolhendo o estado do Ceará e a Vila de Jericoacoara como o seu novo lar. O seu processo de naturalização já está em curso.

Ações formativas

Paralelamente à exposição, também serão realizadas três ações formativas gratuitas. Uma delas é a visita guiada com Denis Rouvre, marcada para acontecer no dia 29 de agosto, às 15h. O próprio artista irá conduzir os visitantes e explicará cada etapa da concepção do trabalho, bem como seu conceito, origem, proposta e curiosidades.

Na sequência, ainda no dia 29, às 16h, outra ação formativa será uma palestra de cunho ambiental, intitulada “O que ainda pode nascer do descarte”. Os convidados irão discutir sobre como materiais, territórios, imagens e histórias podem ganhar uma nova utilidade e qual é o papel da arte nesse processo de transformação. Mais do que um debate envolvendo reciclagem, será uma reflexão sobre aquilo que escolhemos preservar, ressignificar e tornar visível em nossa sociedade.

Por fim, haverá a Oficina de Fotografia de Retrato, também com o próprio Denis Rouvre. A atividade terá uma carga horária de dez horas, divididas em três dias: 04 de setembro, das 18h às 21h; 05 de setembro, das 13h às 18h; e 06 de setembro, das 14h às 17h. As informações atualizadas sobre as ações formativas poderão ser verificadas no site da CAIXA Cultural e nos perfis de Instagram de Denis Rouvre.

Acessibilidade

Totalmente acessível, a exposição conta com piso e fotografia tátil. Além desse recurso, as obras possuem placas em braile, que permitem aos visitantes com deficiência visual obterem informações sobre as obras expostas, facilitando a compreensão do conteúdo. Há também QR codes nas obras para acessar o recurso de áudio descrição.

O fato de a exposição contar com recursos de acessibilidade é um convite à pluralidade das maneiras de existir. Os recursos não são exclusivos de uso das pessoas com deficiência, pois estão à disposição de todos que queiram ampliar os sentidos nessa imersão pela arte. Pensada com amplos espaços para pessoas que usam cadeiras de roda, a mostra ainda conta com placas táteis e braile dispostas na altura recomendada.

SERVIÇO

[Artes Visuais] Exposição “O Amanhã Não Existe”, de Denis Rouvre
Local: Caixa Cultural Salvador – Unidade Carlos Gomes
Endereço: Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador/BA
Abertura: 26 de agosto, às 19h
Período de visitação: de 27 de agosto a 25 de outubro de 2026
Horário: terça a domingo, das 9h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Instagram: @denisrouvrestudio / @_rouvre
Informações: (71) 3421-4200 | Site CAIXA Cultural | @CaixaCulturalSalvador
Patrocínio: CAIXA
Acesso para pessoas com deficiência.

Fonte: Gabriel Monteiro – Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação

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