Estudo realizado no Hospital Estadual da Criança, em Feira de Santana, investiga biomarcadores que poderão ajudar a identificar a doença, capaz de comprometer o coração.
Uma pesquisa internacional que conta com a participação do Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, na Bahia, busca desenvolver novas possibilidades para o diagnóstico da febre reumática aguda. O estudo investiga biomarcadores no sangue que poderão auxiliar os profissionais de saúde a identificar a doença com maior precisão.
A iniciativa integra a rede internacional ARC (Acute Rheumatic Fever Diagnosis Collaborative), formada por pesquisadores e instituições de diferentes países. O HEC representa a América Latina no projeto e atua como centro de recrutamento de participantes no Brasil.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a nova etapa da pesquisa prevê inicialmente a participação de 50 crianças e adolescentes saudáveis, com idades entre 5 e 15 anos. O objetivo é estabelecer parâmetros de referência para comparar os resultados com aqueles observados em participantes que apresentam suspeita ou diagnóstico da doença.
A meta informada pela equipe é recrutar 240 crianças até dezembro de 2026. O protocolo prevê coleta padronizada de informações clínicas, exames e amostras biológicas. A pesquisa também envolve instituições de países como Uganda, Paquistão, Malawi e Austrália, com financiamento da Fondation Leducq.
Doença pode deixar sequelas cardíacas
A febre reumática aguda é uma complicação inflamatória que pode surgir após uma infecção causada pelo estreptococo do grupo A, bactéria frequentemente associada a infecções de garganta.
A doença pode atingir diferentes partes do organismo, especialmente articulações, coração, pele e sistema nervoso. Quando há comprometimento das válvulas cardíacas, podem ocorrer lesões permanentes e o desenvolvimento da cardiopatia reumática.
Segundo informações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, os sintomas podem aparecer algumas semanas depois da infecção. Entre as manifestações estão febre, dores e inchaço nas articulações, principalmente joelhos, tornozelos e cotovelos. Em situações de comprometimento cardíaco, podem surgir cansaço, falta de ar e palpitações.
Diagnóstico ainda depende de avaliação médica
Atualmente, não existe um único exame capaz de confirmar todos os casos de febre reumática aguda. O diagnóstico considera os sinais clínicos, o histórico de infecção estreptocócica e exames complementares, conforme os critérios médicos estabelecidos.
É justamente essa dificuldade de identificação que motiva a investigação de biomarcadores sanguíneos. A expectativa é que, no futuro, os resultados contribuam para uma ferramenta diagnóstica mais confiável e acessível.
A Sesab ressalta, entretanto, que a tecnologia ainda está em fase de pesquisa e não deve ser confundida com um teste disponível na rotina dos serviços de saúde.
Tratamento adequado da infecção é fundamental
A prevenção começa com a identificação e o tratamento adequado das infecções bacterianas de garganta. A avaliação médica é importante diante de sintomas persistentes ou agravamento do quadro, especialmente em crianças e adolescentes.
A interrupção ou ausência do tratamento indicado pode favorecer complicações. Por isso, não é recomendado utilizar antibióticos por conta própria nem recorrer à automedicação.
A participação do Hospital Estadual da Criança na rede internacional amplia a presença da Bahia em pesquisas científicas voltadas à saúde infantil e ao desenvolvimento de estratégias para o diagnóstico precoce da febre reumática.
