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Sem internet e documentos, pessoas em situação de rua enfrentam barreiras para acessar serviços públicos

Unidade do programa Cidadania PopRua inaugurada em Salvador oferece apoio para utilização de plataformas digitais e busca reduzir obstáculos no acesso a direitos.

O avanço da digitalização dos serviços públicos trouxe facilidades para milhões de brasileiros, mas também criou obstáculos para quem não dispõe de equipamentos, conexão com a internet ou condições de utilizar plataformas digitais. Em Salvador, essa realidade ganhou uma iniciativa específica com a implantação de uma unidade do programa Cidadania PopRua, que oferece atendimento e orientação à população em situação de rua.

Inaugurada em julho de 2026, na Casa Franciscana Maria Lucia, no Centro Histórico da capital baiana, a unidade passou a contar com atendimento do Balcão GOV.BR, iniciativa do Governo Federal destinada a auxiliar cidadãos no acesso aos serviços públicos digitais.

A proposta é aproximar a população em situação de rua de ferramentas que permitem consultar informações, acessar documentos e utilizar serviços governamentais pela internet.

Quando a tecnologia se transforma em barreira

A necessidade de acessar aplicativos, criar senhas, recuperar contas e apresentar documentos digitais pode representar uma dificuldade adicional para pessoas que vivem sem moradia permanente.

A falta de celular, internet, endereço fixo e documentação também pode dificultar procedimentos relacionados à assistência social, saúde, benefícios e regularização de registros.

Nesse contexto, o atendimento presencial e a orientação individualizada podem funcionar como instrumentos para reduzir a exclusão digital.

Iniciativa busca aproximar população dos serviços públicos

O Cidadania PopRua é uma iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, desenvolvida em articulação com outras estruturas do Governo Federal.

Em Salvador, a unidade instalada na Casa Franciscana Maria Lucia reúne atendimento voltado à cidadania e apoio para utilização dos serviços digitais.

A experiência levanta uma discussão importante sobre a necessidade de garantir alternativas presenciais e atendimento humanizado, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia.

Desafio vai além de disponibilizar computadores

A inclusão digital não depende apenas de oferecer equipamentos ou conexão. É necessário garantir orientação, acessibilidade, segurança das informações e condições para que os usuários consigam concluir os procedimentos.

A iniciativa também abre espaço para discutir a integração entre políticas de assistência social, documentação civil, saúde e acesso a benefícios.

O desafio é fazer com que a transformação digital dos serviços públicos não deixe para trás justamente quem mais precisa da presença do Estado.

Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil

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