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“Vermelho Melodrama”: peça premiada volta a cartaz em Salvador

Melhor Espetáculo Adulto pelo Prêmio Braskem de Teatro 2019 retorna aos palcos após sete anos, com sua história melodramática que pontua situações reais que mais parecem ficção

Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas que se cruzam com o melodrama de acontecimentos políticos do Brasil: após sete anos de sua estreia, “Vermelho Melodrama” finalmente volta para sua segunda temporada. O espetáculo, com muito gosto, mergulha no gênero do melodrama e, a partir de suas típicas construções, aciona questionamentos sobre as ficções de nossa realidade. Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com encenação e adaptação de Jorge Alencar, a peça agora reúne Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani em seu elenco. Serão 15 apresentações em cinco semanas, de 10 de abril a 10 de maio, no Teatro Gregório de Mattos, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h. Ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda em www.sympla.com.br/dimentiproducoes. Além de ocupar um espaço com acessibilidade arquitetônica, serão oferecidas audiodescrição e tradução em Libras em cinco datas: 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio.

O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente presente na cultura brasileira, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos, valores, pensamentos, singularidades.

A encenação de “Vermelho Melodrama” coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto. O espetáculo ainda traça paralelos com questões sociopolíticas – se, em sua estreia, em 2019, vivíamos um sombrio momento político, hoje ainda encaramos ameaças fascistas e antidemocráticas em nosso país e ao redor do mundo. Amor e ódio em polaridade.

“Remontar um melodrama hoje vai muito além de dar corpo a uma narrativa rocambolesca com suas guinadas e personagens arquetípicos. Há quem fale que o melodrama morreu. Há quem jure que suas mutações seguem infiltradas em todo tipo de plataforma contemporânea – televisão, cinema, literatura, redes sociais… Há quem reivindique (talvez a própria realidade) que as tramas políticas de nosso país superam qualquer ficção”, contextualiza o diretor Jorge Alencar, que pergunta: “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor? Quais são as performances de gênero aí reiteradas ou rejeitadas? Qual medida tomar para falar de sentimentos desmedidos? Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”.

Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu cinco indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, o espetáculo derruba máscaras com seus personagens arquetípicos, grandes revelações e reviravoltas.

A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue ao seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de todos. Numa dinâmica entre real e simulacro, as emoções são amplificadas e colocam sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista.

A peça tem assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho e direção de arte da TANTO CRIA – Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia. A trilha sonora e direção musical são do compositor Luciano Salvador Bahia. Quem assina as canções é o músico e cantor Leo Fressato, autor da música “Oração”, tocada pel’A Banda Mais Bonita da Cidade.

Realizado pela Dimenti Produções Culturais, o projeto “Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral)” foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador.

SINOPSE – Um melodrama sobre uma carta que não foi entregue. A história de três órfãos que foram criados como irmãos e cujas vidas foram atravessadas por amores inconfessos, segredos do passado e grandes reviravoltas. Em meio a tempestades de emoções, algumas perguntas vêm à tona: você acredita no destino? Onde reside a potência de uma carta nesta era digital? Como ativar emoções revolucionárias? Até quando vai o melodrama da vida política de nosso país, do mundo? “Vermelho Melodrama”. Como cor de esmalte. Como transbordamento.

VERMELHO MELODRAMA

Quando: 10 de abril a 10 de maio

Horários: Sextas e sábados, 19h; domingos, 18h

Onde: Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves, s/n)

Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Venda antecipada em: www.sympla.com.br/dimentiproducoes

Classificação indicativa: 16 anos

Recursos de acessibilidade: Espaço com acessibilidade arquitetônica; audiodescrição e tradução em Libras nos dias 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio

Realização: Dimenti Produções Culturais

Fonte: Assessoria de Imprensa
Foto: Patricia almeida

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