O vereador Sílvio Humberto (PSB) utilizou suas redes e espaços de articulação para celebrar a aprovação, na Câmara dos Deputados, da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Histórico defensor dos direitos da população negra e das pautas trabalhistas na Câmara Municipal de Salvador, o parlamentar pontuou que o debate vai muito além de uma simples alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), configurando-se como uma urgência humanitária e de reparação histórica.
Para o vereador, a manutenção de uma jornada que consome quase a totalidade do tempo do trabalhador é um reflexo direto das desigualdades sociais que estruturam o país.
“A derrubada da escala 6×1 não é apenas uma mudança nas leis trabalhistas; é um marco na luta pela emancipação do nosso povo, especialmente em um país em que o racismo estrutural dita quem trabalha até a exaustão e quem tem o direito ao descanso. Por isso, essa vitória tem cor, tem gênero e tem endereço”, afirmou Sílvio Humberto.
O parlamentar chamou a atenção para o perfil da parcela da população que mais sofre com a atual legislação. Segundo ele, os setores de comércio, serviços e atendimento, nos quais a escala 6×1 é mais premente, são majoritariamente compostos por trabalhadores negros, com um peso ainda mais esmagador sobre as mulheres.
“Quem mais sente o peso esmagador dessa jornada desumana é a população negra. E, de forma ainda mais cruel, as mulheres negras”, denunciou o vereador. Ele lembrou que o fim do turno na empresa não significa o descanso para essas trabalhadoras. “São elas que cumprem a jornada exaustiva no comércio, nos serviços e no atendimento e, ao chegarem em casa, ainda enfrentam a segunda ou terceira jornada do trabalho de cuidado, da criação dos filhos, da manutenção do lar. A escala 6×1 rouba delas o direito de viver, de estudar, de cuidar de si e de ver seus filhos crescerem”, completou.
Sílvio Humberto defende que a redução da jornada trará impactos positivos na economia, na saúde pública e no tecido social, permitindo que a classe trabalhadora recupere o direito ao tempo livre. A mudança é vista por ele como um passo crucial para combater a lógica de exploração herdada do passado colonial do Brasil.
“Mudar essa realidade é garantir mais saúde mental e física para quem move a nossa economia. Tempo para o afeto, para o lazer e para a cultura, que também são direitos fundamentais. É um avanço na reparação histórica”, pontuou.
Ao final, o vereador saudou a força das ruas e a articulação dos movimentos sociais, sindicais e de parlamentares progressistas que abraçaram a causa, reforçando que o combate ao racismo e a garantia de direitos trabalhistas são pautas indissociáveis. “A luta antirracista e a luta trabalhista caminham de mãos dadas. Seguiremos firmes, porque a nossa emancipação se constrói todo dia, com dignidade, direitos e cabeça erguida!”, concluiu.
Fonte / Foto: Ascom ver Silvio Humberto – PSB
