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Bitcoin recua 2% em meio à cautela dos investidores

Os touros não estão conseguindo sustentar o preço do BTC que voltou a cair nesta segunda, recuando para US$ 72 mil

O preço do Bitcoin (BTC), na manhã desta segunda-feira, 01/06/2026, está cotado em R$ 363.561,17. Os touros não estão conseguindo sustentar o preço do BTC que voltou a cair nesta segunda, recuando para US$ 72 mil.

André Franco, CEO da Boost Research, afimra que os mercados asiáticos começaram junho em alta, sustentados novamente pelo forte apetite por ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores. A Coreia do Sul liderou os ganhos, com o índice local subindo 4,4%, enquanto o Nikkei avançou 1,1% e o MSCI Ásia-Pacífico fora do Japão ganhou 1,6%. O impulso veio da continuidade do rali em tecnologia, com a Samsung subindo quase 10% após iniciar o envio de amostras de novos chips HBM para clientes.

Ao mesmo tempo, o petróleo voltou a subir, com o Brent avançando 2,1%, para US$ 93,02, diante da falta de progresso concreto nas negociações entre EUA e Irã e da escalada de tensões envolvendo Israel e Hezbollah no Líbano. Os yields americanos também subiram, com o Treasury de 10 anos em 4,47%, enquanto o mercado segue precificando uma chance de 50% de alta de juros pelo Fed até o fim do ano.

Já o Bitcoin, cotado aproximadamente em US$ 73.300, apresenta expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa. Apesar do ambiente positivo nas bolsas de tecnologia, o BTC continua mostrando fraqueza relativa e opera próximo da mínima intradiária, indicando que o fluxo comprador segue concentrado em IA, não em cripto. Além disso, a alta do petróleo, a falta de avanço nas negociações no Golfo e a pressão dos yields reduzem o apetite por ativos de risco nas próximas 12 horas. No curto prazo, o Bitcoin tende a oscilar entre US$ 72.500 e US$ 74.500, com risco de teste da parte inferior caso o petróleo siga subindo ou os dados de atividade e emprego dos EUA reforcem a leitura de juros mais altos por mais tempo.

Por que o preço do Bitcoin caiu hoje?

O principal fator por trás da queda desta segunda-feira veio dos fundos negociados em bolsa. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram dez pregões consecutivos de saídas líquidas de recursos, acumulando quase US$ 3 bilhões em retiradas no período. O movimento reverteu completamente o saldo positivo observado ao longo de 2026 e colocou o fluxo anual dos ETFs novamente em território negativo.

A importância desse dado vai além dos números absolutos. Desde a aprovação dos ETFs pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), esses produtos se transformaram no principal canal de entrada de capital institucional para o mercado de criptomoedas. Quando os fluxos se tornam negativos por um período prolongado, a demanda estrutural pelo ativo diminui consideravelmente.

Para muitos analistas, o atual comportamento dos ETFs indica uma recalibração estratégica por parte de grandes investidores. Em vez de ampliar exposição a ativos digitais, gestoras e fundos parecem estar reduzindo risco enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário econômico global.

Ao mesmo tempo, o mercado de derivativos agravou a situação.

Dados recentes mostram que as liquidações de posições em Bitcoin dispararam mais de 600% nas últimas 24 horas, alcançando aproximadamente US$ 51 milhões. Grande parte desse volume veio de investidores que mantinham posições compradas alavancadas e apostavam em uma recuperação rápida dos preços.

Quando o Bitcoin iniciou o movimento de baixa, essas posições começaram a ser encerradas automaticamente pelas corretoras. O processo gerou uma reação em cadeia. Cada liquidação criou novas ordens de venda, pressionando ainda mais o preço e provocando novas liquidações.

Esse fenômeno, conhecido como “long squeeze”, costuma ampliar significativamente a volatilidade em períodos de correção.

Os sinais de que o mercado estava excessivamente otimista já apareciam nos indicadores de derivativos. As taxas de financiamento permaneciam positivas mesmo durante a queda, demonstrando que muitos investidores continuavam apostando em uma recuperação imediata. A persistência desse posicionamento acabou criando combustível para uma correção mais intensa.

Agora, analistas monitoram atentamente o comportamento do open interest, indicador que mede o volume total de contratos futuros em aberto. Uma redução consistente desse número pode sinalizar que o processo de desalavancagem está chegando ao fim, reduzindo a pressão vendedora sobre o mercado.

Do ponto de vista técnico, o cenário também inspira cautela

O Bitcoin opera abaixo de importantes níveis de resistência e encontra dificuldades para recuperar a região correspondente à retração de 78,6% de Fibonacci, localizada próxima de US$ 74.652. Enquanto o ativo permanecer abaixo desse patamar, a estrutura gráfica favorece novas quedas.

O suporte mais importante no curto prazo aparece em US$ 72.435, região que serviu como fundo recente do movimento corretivo. Caso os compradores consigam defender esse nível, o mercado poderá encontrar estabilidade e iniciar uma tentativa de recuperação.

Por outro lado, uma perda consistente desse suporte pode abrir espaço para um movimento mais agressivo em direção à faixa de US$ 68 mil. Nesse cenário, novas liquidações de contratos futuros poderiam ampliar ainda mais a pressão sobre os preços.

A situação atual chama atenção porque ocorre justamente quando outros mercados apresentam comportamento relativamente positivo. As bolsas americanas seguem próximas de máximas históricas, enquanto alguns indicadores de inflação começam a mostrar sinais de desaceleração.

Mesmo assim, o Bitcoin continua enfrentando dificuldades para atrair fluxo comprador suficiente para neutralizar as vendas institucionais.

Para investidores, o principal indicador a ser observado nos próximos dias continua sendo o fluxo dos ETFs. Uma interrupção da sequência de saídas pode representar o primeiro sinal concreto de que o interesse institucional está retornando ao mercado.

Até lá, a combinação entre resgates bilionários dos fundos, liquidações em massa de posições alavancadas e fragilidade técnica mantém o viés de curto prazo apontando para mais volatilidade.

O mercado agora aguarda uma resposta dos compradores na região de US$ 72.435. A defesa desse suporte pode interromper a correção. Já uma perda desse nível poderá abrir caminho para uma nova etapa de baixa em direção aos US$ 68 mil, patamar que muitos analistas consideram o próximo grande teste para a força compradora do Bitcoin.

Bitcoin análise técnica

Marco Aurélio, CIO da Vault Capital aponta que o mercado segue ancorado no cluster de US$ 72k. O cenário 2 continua válido, mas o preço travado aqui por vários dias me deixa um pouco incomodado com o ritmo da continuidade.

Abaixo de US$ 73.360, o caminho para baixo se abre com mais velocidade rumo a US$ 65k US$ 68k. A recuperação de US$ 75.258, por outro lado, não muda a estrutura, apenas abre espaço para um teste do segundo desvio em US$ 77k, mantendo o mercado dentro do mesmo movimento de correção em ondas que vínhamos mapeando.

Em ambos os caminhos, o destino estrutural permanece US$ 65k-US$ 68k. O que muda é só o ritmo.

Segundo ele, no campo geopolítico, os EUA realizaram novos ataques a alvos iranianos em Goruk e na Ilha de Qeshm, descritos como “ataques de autodefesa” em resposta à derrubada de um drone MQ 1 sobre águas internacionais. A escalada se mantém viva e o petróleo segue sensível a cada manchete.

A semana macro é densa. PMI industrial hoje, JOLTS na terça, ADP e ISM de serviços na quarta, jobless claims na quinta e o payroll na sexta, junto com taxa de desemprego e ganhos médios por hora. O payroll é o dado que mais pode mexer o preço. Um número fraco reforça o espectro de estagflação que o PIB negativo e a inflação acima de 3,8% já vinham desenhando. 

O que nos cabe é acompanhar a dinâmica nos dois níveis que decidem o curto prazo: US$ 73.360 para baixo e US$ 75.258 para cima. Até romper um deles, o mercado segue em compasso de espera dentro da estrutura de correção.

Já Gil Herrera, diretor de estratégia e expansão da Bitget para a América Latina, aponta que o movimento de queda acompanha a deterioração do sentimento dos investidores, com o Fear and Greed Index caindo de 52 em 11 de maio para 34 atualmente, indicando uma redução relevante no apetite por ativos de maior risco.

Os fluxos dos ETFs reforçam esse movimento defensivo. Os ETFs de Bitcoin registraram saídas de US$ 2,43 bilhões na última semana, marcando a terceira semana consecutiva de retiradas acima de US$ 1 bilhão. Já os ETFs de Ethereum tiveram US$ 241 milhões em saídas no mesmo período, consolidando também a terceira semana seguida de fluxo negativo.

Além das incertezas macroeconômicas, o mercado também enfrenta uma rotação de capital para o setor de inteligência artificial, que continua concentrando grande parte da atenção dos investidores globais. O forte interesse em empresas e ativos ligados ao boom de IA acaba reduzindo, ao menos no curto prazo, parte do fluxo especulativo que anteriormente vinha sustentando o mercado cripto”, disse.

Segundo a Bitfinex, um dos principais fatores por trás desse movimento de queda foi o enfraquecimento da demanda institucional. Os ETFs spot de Bitcoin, que vinham desempenhando um papel importante ao absorver parte da pressão vendedora do mercado, registraram saídas líquidas superiores a US$ 3 bilhões nas últimas três semanas.

Somadas à realização de lucros por investidores de curto prazo e à redução da demanda no mercado à vista, essas saídas retiraram um dos principais pilares que sustentavam a recuperação do Bitcoin ao longo do ano. Como consequência, o mercado ficou mais exposto à pressão de venda gerada pela distribuição de posições.

Portanto, o preço do Bitcoin em 01 de junho de 2026 é de R$ 363.561,17. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0026 BTC e R$ 1 compram 0,0000026 BTC.

As criptomoedas que estão registrando as maiores altas no dia 01 de junho de 2026, são: Humanity (H), Bianrensheng e Worldcoin (WLD), com altas de 24%, 14%, e 12%, respectivamente

As criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 01 de junho de 2026, são: edgeX (EDGE), Algorand (ALGO) e Midnight (NIGHT), com quedas de -10%, -9% e -8% respectivamente.

Fonte: CoinTelegraph
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