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Fim do 6×1 traz esperança à categoria de telecomunicações na Bahia, setor marcado pelo esgotamento mental

Com cerca de 60 mil profissionais no estado, segmento de Call Center e operadoras vislumbra na proposta do governo federal um alento contra o Burnout e afastamentos médicos

Salvador – BA – O avanço do projeto apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Câmara dos Deputados, que propõe o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 sem a necessidade de um período de transição, foi recebido com otimismo e alívio por uma das categorias profissionais mais vulneráveis ao adoecimento psíquico no país: os trabalhadores do setor de Telecomunicações. Na Bahia, o segmento reúne aproximadamente 60 mil profissionais, distribuídos entre empresas de Call Center, provedores de internet, operadoras de telefonia e prestadoras de serviços terceirizados.

Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia (Sinttel Bahia), a rotina enfrentada por esses trabalhadores é caracterizada por uma intensidade severa. O cenário é ainda mais crítico nas lojas de atendimento das operadoras e nas centrais de Call Center, onde cada operador atende, em média, mais de cem ligações diariamente. A cobrança implacável pelo cumprimento de metas agressivas atinge de forma transversal todos os nichos do setor, resultando em uma crônica sobrecarga mental. Esse ecossistema de pressão contínua é refletivo em Síndrome de Burnout, Lesões por Esforço Repetitivo (LER/DORT), crises e surtos psicóticos, além de problemas cardiovasculares, como a hipertensão arterial.

A Bahia abriga dois dos principais polos de teleatendimento do Nordeste. A capital, Salvador, concentra o maior contingente, com cerca de 20 mil trabalhadores na área. Já Feira de Santana, conhecida como a “Princesa do Sertão”, abriga outros 10 mil profissionais do setor, evidenciando o impacto socioeconômico e de saúde pública que a atividade exerce sobre as maiores regiões metropolitanas do estado.

Gildomar Santana, dirigente sindical do Sinttel Bahia, faz um alerta sobre a natureza penosa da atividade e destaca que o volume de afastamentos referendados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cresce de forma preocupante, motivado pelo esgotamento e por métodos de gestão baseados em cobranças excessivas.

“Em nosso setor, a redução da jornada de trabalho sem a redução de salários sempre foi uma bandeira histórica de luta. Nós conhecemos de perto a dor e o desgaste cotidiano dessas pessoas. Esse projeto é um passo fundamental, que dialoga diretamente com outra grande prioridade nossa: o projeto de Regulamentação da profissão do operador de Call Center que tramita no Senado. Nele, buscamos garantir direitos básicos que aliviem o impacto na saúde, como dez minutos de descanso a cada hora trabalhada, tempo de intervalo garantido entre as chamadas e critérios diferenciados para a aposentadoria especial”, pontua o dirigente.

Apesar do entusiasmo com a centralidade que o debate ganhou no Congresso Nacional, o Sinttel Bahia faz uma ponderação técnica e indispensável sobre o texto atual da proposta. O sindicato adverte que, da forma como está redigido, o benefício atinge prioritariamente os trabalhadores submetidos à jornada padrão de 44 horas semanais (equivalente a 220 horas mensais). Com isso, profissionais de Call Center que já cumprem jornadas diferenciadas e regulamentadas por lei, de 150 ou 180 horas mensais, ficam desassistidos pela nova medida de flexibilização.

Mesmo diante desse gargalo que necessita de ajustes e emendas parlamentares, a avaliação da categoria junto ao Sindicato é unânime: a tramitação e o avanço da pauta representam um marco institucional inestimável. Trata-se do primeiro aceno real em anos para frear o esgotamento físico e mental de milhares de pais e mães de família que, diariamente, dedicam suas vidas e sua saúde do outro lado da linha.

Fonte / Foto: Ascom Sinttel Bahia

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