Mensagens com ameaças de agressões e incêndios em instituições de ensino motivaram denúncias, pedidos de reforço na segurança e medidas para apurar possíveis crimes em meio à polarização política.
A circulação de mensagens com ameaças contra estudantes e instituições de ensino superior levou universidades federais e autoridades brasileiras a reforçar a atenção à segurança nos campi. Os relatos surgiram após mobilizações estudantis relacionadas ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e incluem referências a agressões físicas e possíveis ataques ao patrimônio público.
Em reportagem publicada em 8 de outubro, a Agência Brasil informou que o Ministério da Educação (MEC) pretendia acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para apurar ameaças denunciadas por universidades federais. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou preocupação com a possibilidade de agravamento da violência.
O caso ocorre em um contexto de intensificação das manifestações políticas nas universidades. Em diferentes estados, estudantes têm participado de atos relacionados à disputa presidencial e defendido pautas como educação pública, direitos sociais e democracia. A realização de manifestações, por si só, não comprova relação direta com as ameaças; essa conexão precisa ser estabelecida pelas investigações.
Universidade Federal Fluminense aciona a Polícia Federal
Um dos casos que ganhou repercussão envolve a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo a Agência Brasil, a instituição encaminhou às autoridades conteúdos compartilhados em aplicativos de mensagens e redes sociais que mencionavam ameaças de incendiar a universidade e agredir estudantes durante atos políticos.
A universidade informou que encaminhou o material à Polícia Federal e aos demais órgãos competentes para apuração. O objetivo é identificar a origem das mensagens, avaliar a gravidade das ameaças e permitir a adoção das medidas cabíveis.
A Folha de S.Paulo também noticiou que a UFF solicitou reforço na segurança após mensagens que circulavam em um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro”. A reportagem ressaltou que o grupo não tinha vínculo oficial com o candidato Flávio Bolsonaro. A atribuição das mensagens a participantes específicos e a eventual responsabilidade criminal dependem de apuração.
Incêndio na UFPE aumenta preocupação
Outro episódio que ampliou a preocupação da comunidade acadêmica foi o incêndio que atingiu, em 7 de outubro, um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O imóvel abrigava laboratórios e estruturas de pesquisa.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o fogo provocou danos significativos a instalações científicas e levantou suspeitas que passaram a ser apuradas pelas autoridades. O incêndio não deve ser tratado como criminoso sem conclusão pericial: a determinação da causa depende da investigação.
Após o episódio, o governo federal anunciou recursos para recuperar a infraestrutura científica. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou R$ 40 milhões para aquisição de equipamentos, somados a R$ 100 milhões anteriormente anunciados para obras, bolsas e reposição de equipamentos, conforme reportagem publicada pela Folha em 10 de outubro.
O caso evidencia os possíveis impactos de episódios de violência sobre a comunidade universitária e a continuidade de pesquisas científicas, embora a relação entre o incêndio e as ameaças ainda dependa de comprovação oficial.
Casos também são relatados em outros estados
Os episódios não se restringem ao Rio de Janeiro e a Pernambuco. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 11 de outubro reuniu relatos de ameaças em diferentes instituições de ensino superior, incluindo universidades e institutos federais. Entre os casos citados estão instituições de Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Sul e Alagoas.
Em Alagoas, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) solicitou reforço na segurança e providências para investigar uma invasão ao campus de Arapiraca. Segundo reportagem do UOL publicada em 10 de outubro, um grupo tentou retirar cartazes de conteúdo político, provocando relatos de intimidação entre estudantes e funcionários. A universidade buscou apoio de diferentes órgãos públicos.
A diversidade dos relatos reforça a necessidade de apuração individualizada. A existência de denúncias em diferentes instituições não significa que todos os episódios tenham a mesma origem ou estejam relacionados entre si.
Quais são as medidas que podem ser adotadas?
Diante de ameaças, universidades podem encaminhar as evidências às autoridades policiais, reforçar a vigilância, orientar a comunidade acadêmica e estabelecer canais de denúncia. A investigação pode envolver a análise de mensagens, registros digitais, testemunhos e outros elementos capazes de ajudar na identificação dos responsáveis.
O Ministério da Educação informou que buscaria o apoio da estrutura de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal. A atuação das autoridades deve considerar a gravidade das ameaças e as circunstâncias de cada ocorrência.
A segurança nos campi também envolve preservar o direito de estudantes, professores e servidores de participar de debates e manifestações pacíficas. A apuração de possíveis crimes deve ocorrer sem presumir a culpa de pessoas ou grupos antes da apresentação de provas.
Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE
