Fiscalização estadual intensificou o combate ao tráfico de animais silvestres, à caça ilegal e ao desmatamento; denúncias da população ajudam a identificar crimes contra a biodiversidade.
A fiscalização ambiental na Bahia tem reforçado o combate a práticas que ameaçam a fauna, a flora e os ecossistemas. No primeiro semestre de 2026, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) registrou 1.901 ações ou registros de fiscalização, 1.122 autos de infração e 765 notificações ambientais, segundo balanço divulgado pelo órgão em julho e atualizado em outubro. O instituto também informou ter recebido aproximadamente 3 mil denúncias ambientais no período.
As ações incluem operações contra o desmatamento ilegal, a caça, a pesca predatória e o tráfico de animais silvestres. Além da aplicação de medidas administrativas, o trabalho envolve o resgate de animais, a recuperação de espécimes debilitados e a preparação para a devolução à natureza, quando há condições adequadas.
Operação no Raso da Catarina resgatou mais de 100 animais
Um exemplo ocorreu em abril, durante a Operação Arara Kuara, realizada no território do Raso da Catarina, área de ocorrência da arara-azul-de-lear, espécie ameaçada de extinção.
Entre os dias 7 e 11 de abril, as equipes apreenderam 101 animais silvestres. Desse total, 67 foram devolvidos à natureza em áreas compatíveis com seus habitats, enquanto outros 30 foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para avaliação e reabilitação. A operação também identificou indícios de caça ilegal e desmatamento em andamento.
O resultado mostra a importância de ações contínuas em áreas de conservação. A retirada de animais de seu ambiente natural pode comprometer a reprodução das espécies e o equilíbrio ecológico, especialmente quando envolve aves e outros animais capturados para comercialização clandestina.
Tráfico de animais também é alvo de investigação em Salvador
Em 1º de outubro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Tarântulas II, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Salvador e em municípios de São Paulo e do Paraná. A investigação apura possíveis crimes relacionados à aquisição, à guarda, à criação, à comercialização e ao envio ilegal de animais silvestres, com foco em tarântulas nativas brasileiras. A ação teve apoio da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental da PMBA e do Cetas do Inema.
O caso evidencia que o tráfico de fauna não se restringe a aves ou mamíferos de grande porte. Animais menores e espécies menos conhecidas também podem ser retirados de seus habitats e comercializados irregularmente.
O que a população pode fazer?
A participação dos moradores é importante para que os órgãos ambientais identifiquem situações suspeitas. Na Bahia, o Inema disponibiliza os seguintes canais para denúncias de crimes ambientais:
- Telefone: 0800 071 1400.
- E-mail: denuncia@inema.ba.gov.br.
De acordo com a divulgação oficial da Operação Arara Kuara, as denúncias podem ser feitas anonimamente.
Ao comunicar uma ocorrência, é recomendável informar o local, a data aproximada e a natureza do problema, além de apresentar registros feitos com segurança, caso existam. A população não deve tentar capturar animais silvestres nem confrontar possíveis infratores.
Também é importante evitar a compra de animais sem procedência legal. A procura por espécimes silvestres pode alimentar redes de captura e comércio clandestino, enquanto a manutenção irregular em cativeiro pode expor os animais a estresse, alimentação inadequada e condições incompatíveis com suas necessidades.
Tecnologia e educação ambiental ampliam a prevenção
Além das operações em campo, o Inema vem utilizando tecnologias geoespaciais e automação para apoiar o monitoramento ambiental e identificar alterações na vegetação nativa. Em julho, o órgão apresentou uma experiência que integra dados do MapBiomas ao sistema de fiscalização da vegetação.
A fiscalização, contudo, não depende apenas de tecnologia e penalidades. Ações educativas em escolas e comunidades podem ajudar a prevenir a captura de animais, esclarecer os riscos da criação irregular e incentivar a entrega voluntária de espécimes mantidos sem a documentação necessária.
A preservação da biodiversidade depende da combinação entre fiscalização, investigação, educação ambiental e participação social. Na Bahia, os dados divulgados pelo Inema mostram a dimensão do trabalho necessário para proteger espécies nativas e conservar os ambientes dos quais elas dependem.
Foto: Secom GovBA
