Com mercado em expansão e necessidade de mão de obra qualificada, o setor oferece caminhos para jovens baianos transformarem a paixão por jogos em profissão sem sair do estado.
O estigma de que os jogos eletrônicos são apenas passatempo está sendo substituído por uma realidade de alta demanda por profissionais. A Bahia tem se posicionado como um terreno fértil para esse mercado, unindo criatividade e tecnologia. Esse potencial é reforçado por dados oficiais: segundo relatório da Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), o Nordeste já concentra 23,79% dos cursos de graduação em Jogos Digitais do Brasil, sendo a segunda região com maior base de formação de talentos no país.
Para os jovens baianos, o desafio atual não é mais a falta de espaço, mas o acesso à informação sobre como iniciar uma trajetória profissional sólida e sustentável no estado. O cenário é impulsionado pelo novo Marco Legal dos Games, que reconhece os jogos como obras audiovisuais e abre portas para investimentos públicos, como o acesso a fundos setoriais e incentivos à pesquisa tecnológica.
Tharcisio Vaz, diretor de áudio na TZ Soundworks e professor de Áudio para Jogos Digitais e Estágio Supervisionado na UNEB, destaca que o estado já possui um ecossistema em constante crescimento e produções relevantes no cenário nacional. “O mercado de jogos é muito mais do que entretenimento; é uma indústria complexa com tecnologia de ponta. Quando criamos os jogos da série ‘audiogame BREU’, jogos de aventura em áudio, com foco em acessibilidade e proposta inclusiva (podendo ser interagido por jogadores cegos e videntes), percebemos que o talento baiano tem uma identidade própria e uma força criativa imensa. O que precisamos é conectar o público e o jovem interessado em atuar nessa indústria às ferramentas de mercado”, pontua Vaz.
A dimensão desse mercado é bilionária: conforme dados divulgados pela Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games), o Brasil figura entre os dez maiores mercados consumidores do mundo, movimentando cerca de US$ 2,6 bilhões por ano.
O caminho do desenvolvimento regional
A estratégia para fortalecer o setor na Bahia passa pelo desenvolvimento regional e pelo fortalecimento dos negócios locais. Silvani Neri, especialista em estratégias da indústria de games e curadora do Gamepólitan (o maior evento de jogos e cultura lúdica digital da Bahia), ressalta que o estado possui um potencial valioso, mas que ainda precisa converter sua base de formação em estúdios produtivos. Dados da Bahia Indie Game Developers (BIND – Desenvolvedores de Games Independentes da Bahia) reforçam esse fôlego econômico: a indústria local já arrecada, em média, R$ 3,6 milhões por ano. Além disso, números da Abragames apontam que, atualmente, o Nordeste detém 15% das empresas desenvolvedoras do país, com cerca de 136 estúdios em atividade.
“Nossa grande meta é mostrar que a Bahia pode ser um centro de tecnologia e criatividade. A indústria precisa de desenvolvedores, desenhistas de som, roteiristas e gestores de comunidades. É justamente nesse cenário que eventos como o Gamepólitan se tornam fundamentais: eles funcionam como o grande ponto de encontro e vitrine, onde o jovem pode entender, na prática, que não precisa se mudar para o Sudeste ou para o exterior para ter sucesso. A oportunidade está sendo construída aqui”, explica Silvani Neri.
Onde começar?
Para quem deseja trilhar esse caminho, o primeiro passo é a profissionalização. A Bahia conta hoje com cursos de extensão e graduação voltados para o desenvolvimento de sistemas e produção cultural, além de iniciativas que funcionam como incubadoras de talentos.
Caminhos para a profissionalização na Bahia
Para quem deseja sair do lazer para a atuação profissional, o estado já oferece cursos que vão do ensino técnico à pós-graduação:
- Universidade do Estado da Bahia (UNEB): referência em cursos de extensão e disciplinas voltadas para o desenvolvimento de jogos e áudio digital.
- Instituto Federal da Bahia (IFBA): possui cursos técnicos e superiores em Informática e Análise e Desenvolvimento de Sistemas com foco em programação, base essencial para a criação de jogos.
- Senai Cimatec: oferece trilhas de formação em computação, desenvolvimento de sistemas e tecnologias imersivas, com infraestrutura voltada para a indústria de tecnologia.
- Faculdades Privadas: instituições como Unifacs e outras já oferecem graduações específicas em Design de Games.
- Cursos Livres e Oficinas: durante eventos como o Gamepólitan, são oferecidas oficinas rápidas e mentorias com profissionais do mercado que servem como introdução prática para iniciantes.
Fonte: VOAH Comunicação
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