O terceiro trimestre terminou com um claro vencedor da corrida pelo ativo mais rentável: o Bitcoin (BTC) é, de longe, o investimento que mais rendeu no período entre os principais ativos negociados no Brasil, com alta de 39,48%, segundo levantamento elaborado pela consultoria Elos Ayta a pedido do InfoMoney. A criptomoeda deixa bem para trás o ouro, que sobe 3,74% no período, mas a arrancada ainda não basta para tirá-la do último lugar no ranking de 2026, em que acumula queda de 10,04% em reais.
A recuperação vem depois de um primeiro semestre de perdas pesadas. Depois de renovar o recorde histórico em outubro de 2025, acima de US$ 126 mil, o Bitcoin aprofundou a queda ao longo de junho e chegou a ser negociado abaixo de US$ 58 mil no início de julho, no menor patamar em quase dois anos. Nesta quarta, a criptomoeda gira em torno de US$ 84 mil, ainda distante da máxima.
Segundo a Binance Research, a virada combina a volta da demanda e a melhora dos sinais técnicos. Os fundos de índice (ETFs) à vista de Bitcoin negociados nos Estados Unidos, que passaram boa parte do ano com resgates, voltaram a captar a partir de julho, e em setembro o ativo fechou a semana acima da média móvel de 50 semanas pela primeira vez desde novembro de 2025, movimento que reforça a tese de recuperação, embora ainda não confirme uma reversão sustentada.
E o ouro também enfrenta um ano difícil. O metal renovou recordes em janeiro, recuou mais de 25% até junho, e fecha o trimestre com ganho modesto, depois de aparecer como o pior ativo de setembro no ranking da Elos Ayta.

Especialistas divergem sobre o que o contraste diz a respeito da tese do Bitcoin como reserva de valor. “Um ativo que cai mais de 50% entre topo e fundo em menos de um ano não cumpre esse papel”, diz Rafael Castaneda, head of ecosystem da EverValue, para quem a criptomoeda é hoje mais uma aposta de longo prazo contra uma ruptura do sistema financeiro tradicional.
Kevin Voigt, CEO da Chainless, considera que o descolamento reforça a tese. “Reserva de valor não se mede em um trimestre. Mede-se em anos, pela capacidade de preservar poder de compra”, ressalta ele, que vê os dois ativos mais como complementares do que concorrentes em uma carteira.
Thaise Saeter Rytenband, sócia-fundadora da Convex Research e do multi family office Convex Wealth, tem leitura semelhante. Para ela, no curto prazo o ouro tem funcionado como ativo neutro diante das tensões geopolíticas e como principal reserva dos bancos centrais, enquanto o Bitcoin reage com mais intensidade às mudanças nas condições financeiras e ao fluxo de novos compradores.
Fonte: Infomoney
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