O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, o país contabilizou 42.590 assassinatos em 2024, o que representa uma queda de 6,9% em relação ao ano anterior. Além disso, a taxa nacional caiu para 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, redução de 7,4% na comparação com 2023.
Atlas da Violência aponta queda nos homicídios no Brasil
O estudo foi elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde.
De acordo com o Atlas da Violência 2026, a taxa de homicídios no Brasil acumulou redução de 33,4% entre 2014 e 2024. No mesmo período, o número absoluto de assassinatos caiu 29,6%.
Apesar disso, o Amapá foi o único estado brasileiro que apresentou crescimento expressivo tanto na taxa quanto no número de homicídios ao longo da última década.
Pesquisadores alertam para aumento da subnotificação
Embora os números oficiais indiquem queda da violência letal, o estudo também aponta crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Esses casos ocorrem quando o Estado não consegue identificar se a morte foi causada por homicídio, acidente ou suicídio.
Em 2024, foram registrados 3.311 casos desse tipo, aumento de 23,8% em relação ao ano anterior.
Segundo o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, a piora na qualidade dos dados surpreendeu os pesquisadores.
“Esperávamos que houvesse menos ou, pelo menos, o mesmo número de mortes violentas por causa indeterminada. Isso não ocorreu. Pelo contrário, o número aumentou muito em 2024”, afirmou.
Além disso, o estudo estima que 7.083 mortes classificadas sem causa definida sejam, na verdade, homicídios ocultos.
Bahia aparece entre os estados com maiores taxas de homicídio
O levantamento mostra diferenças significativas entre os estados brasileiros. As menores taxas oficiais de homicídio em 2024 foram registradas em:
- São Paulo — 6,6 por 100 mil habitantes
- Santa Catarina — 8,1
- Distrito Federal — 10,3
- Minas Gerais — 12,8
- Rio Grande do Sul — 15,2
Por outro lado, os estados com maiores índices foram:
- Amapá — 45,7 por 100 mil habitantes
- Bahia — 40,9
- Pernambuco — 37,3
- Alagoas — 35,9
- Ceará — 34,3
Além disso, entre os 20 municípios mais violentos do país com mais de 100 mil habitantes, 17 estão localizados no Nordeste.
Homicídios ocultos dificultam combate à violência
O Atlas da Violência também destaca que os homicídios ocultos dificultam a formulação de políticas públicas de segurança.
Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 casos. Dessa forma, essas mortes passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados no país.
Segundo os pesquisadores, problemas no compartilhamento de informações entre órgãos de saúde e segurança pública podem contribuir para a subnotificação.
Ainda assim, o estudo reforça que o Brasil mantém tendência de redução da violência letal nos últimos anos, embora as desigualdades regionais continuem sendo um desafio para a segurança pública nacional.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto
