Projeto Voltaê! prevê identificação de jovens afastados, mobilização das famílias e ações de rematrícula; indicadores estaduais apontam redução do abandono no ensino médio
Manter crianças e adolescentes na escola vai além de garantir uma vaga. É necessário acompanhar a frequência, identificar dificuldades e agir quando o estudante começa a se afastar das atividades escolares. Na Bahia, esse trabalho integra as estratégias da Secretaria da Educação do Estado (SEC), que instituiu o Projeto Voltaê! Busca Ativa Escolar para enfrentar o abandono e a evasão na rede pública estadual.
A iniciativa prevê ações para localizar estudantes que não realizaram a matrícula, compreender os motivos do afastamento e estimular o retorno às unidades de ensino. O trabalho envolve escolas, famílias, comunidades e órgãos públicos.
Os resultados mais recentes do Censo Escolar 2025 indicam uma mudança positiva nos indicadores do ensino médio estadual. A taxa de abandono caiu de 12,9% em 2022 para 3% em 2025. No mesmo intervalo, a reprovação recuou de 16,3% para 4,6%.
Como funciona a busca ativa
O Projeto Voltaê! prevê campanhas de rematrícula, contato com estudantes e responsáveis, atividades de sensibilização e mobilização das comunidades escolares. A proposta também inclui a identificação de unidades com maiores índices de abandono e o acompanhamento de fatores associados à interrupção dos estudos.
A SEC informou, em janeiro de 2026, que o projeto prevê o acompanhamento de beneficiários de programas como Bolsa Família e Pé-de-Meia, além de ações para conscientizar os estudantes sobre a importância da permanência na escola.
Outra frente é a Busca Ativa Escolar, realizada em parceria com o Unicef e os municípios. Segundo o balanço divulgado pela secretaria, 334 dos 417 municípios baianos haviam formalizado adesão à iniciativa.
Atraso escolar também é um desafio
A distorção idade-série é outro indicador acompanhado pelas redes de ensino. Ela ocorre quando o estudante está em uma série ou etapa escolar com idade superior à considerada adequada para aquele nível.
Na rede estadual baiana, o índice caiu de 41,3% em 2022 para 24% em 2025, conforme os dados divulgados pela SEC com base no Censo Escolar.
A redução é relevante porque o atraso escolar pode estar associado a reprovações anteriores, interrupções na frequência e dificuldades de aprendizagem. Ainda assim, o indicador precisa ser analisado junto a outras informações para compreender as necessidades de cada comunidade escolar.
Família e escola têm papel na prevenção
A busca ativa pode ajudar a identificar estudantes que deixaram de frequentar as aulas, mas a resposta depende da compreensão das razões que levaram ao afastamento. Questões econômicas, dificuldades de deslocamento, responsabilidades de cuidado e problemas de aprendizagem podem exigir soluções diferentes.
O contato com os responsáveis e o acompanhamento pela equipe escolar permitem avaliar quais medidas são necessárias para favorecer o retorno. Em situações de vulnerabilidade, a articulação com serviços de assistência social e proteção de crianças e adolescentes também pode ser importante.
A redução do abandono registrada entre 2022 e 2025 indica avanço na rede estadual. O próximo passo é acompanhar a continuidade dos resultados e observar como as ações chegam às diferentes regiões da Bahia, especialmente às comunidades que enfrentam maiores dificuldades de acesso e permanência na educação.
Foto: Amanda Chung
